sábado, 29 de dezembro de 2012

UMA VIAGEM INESQUECÍVEL – SEXTA PARTE


Duas coisas me chamaram a atenção na visita a Santiago do Chile: O bairro Providencia onde ficava o hotel, é de uma beleza singular. As ruas são tão limpas que causam inveja a nós brasileiros mal educados, acostumados atirar no chão ou pela janela dos carros em movimento, coisas que não nos serve mais. Isso, em parte, deve-se ao poder público, que incentiva essa prática perniciosa, quando se ausenta de suas responsabilidades com relação à limpeza das cidades. Aqui em nossa bela e suja cidade de Natal, temos um bom exemplo dessa ausência.  

                ALAMEDA DO BAIRRO PROVIDENCIA

          Na frente das residências, os jardins são verdadeiras obras de arte. Flores de todas as cores e tamanhos se sucedem num colorido deslumbrante e arrebatador, capaz de encher os olhos do mais indiferente transeunte. 


                           RESIDÊNCIA NO BAIRRO PROVIDENCIA

            Tudo isso sem nenhuma proteção de cercas ou muros, apenas, protegidos pela educação. Tive o privilégio de caminhar por entre esses jardins. 
                             PÁSSAROS NOS JARDINS

           Os pássaros, agradecidos por viverem num ambiente tão saudável, saltitavam em nossa frente, como se quisessem nos guiar por aquelas alamedas encantadoras.
        As praças publicas, que considero a alma das cidades, e o mais democrático dos espaços urbanos, são belíssimas. Nos fins de semana e feriados, os chilenos acorrem a essas verdadeiras ilhas de bonança. É comum ver leitores solitários à sombra das árvores; casais de namorados planejando o futuro; idosos em estado de contemplação, talvez mergulhados em suas lembranças; famílias inteiras se entregam a animadas conversas enquanto os “niñhos” brincam em torno, aproveitando aqueles gramados impecavelmente limpos e bem cuidados. Isso tudo disposto harmonicamente entre, arvores, homens e flores. 


                                   PRAÇAS PÚBLICAS

       Também me chamou a atenção o sistema político/administrativo das cidades, que divide o país em 346 comunas – bairros -, agrupadas em 54 províncias, espalhadas por 15 regiões do país. Cada comuna, é administrada por um alcalde, - prefeito - e um grupo entre 6 e 8 concejales – conselheiros, eleitos por voto popular, por um período de 4 anos. Na região de Valparaíso, por exemplo, temos 7 comunas, enquanto que em Santiago são 34.


                                           VALPARAÍSO       

            Esse sistema permite descentralizar a administração das cidades, tornando-as mais ágeis e eficientes. Cada alcaide, juntamente com seus consejales, obrigatoriamente residentes na própria comuna, preocupa-se apenas com seu bairro, ou seja, com o lugar que escolheram para viver. O nosso guia Maurício, é um dos seis concejales da comuna de Ñuñhoa, na província de Santiago.


                              ESTRADA PARA O VALLE NEVADO

          No dia seguinte faríamos o último passeio naquele belo país. O tempo era exíguo, pois o vôo estava marcado para as 10:00 horas da manhã. Resolvemos que subiríamos a cordilheira dos Andes para visitar o Valle Nevado, distante 46 quilômetros de Santiago, onde se localizam as estações de esqui.


                                 ESTRADA PARA O VALLE NEVADO

        Maurício, o nosso guia, com sua habilidade de bom motorista e acostumado a fazer aquele passeio, nos conduziu com segurança a 3.205 metros acima do nível do mar, por uma estrada estreita e cheia de curvas sinuosas. Durante o inverno os veículos são obrigados a utilizar correntes nos pneus, evitando que deslizem na camada de gelo que cobre as estradas até o destino final.
  CICLISTAS A CAMINHO DO VALLE NEVADO 

           Chamou-me a atenção, o grande número de ciclistas que encontramos tanto na subida da cordilheira como na descida. Maurício nos informou que nessa época do ano, é comum aos atletas profissionais como aos de fim de semana, utilizarem essas estradas íngremes, para se exercitarem.


                                DEGELO TRANSFORMADOS EM REGATOS

         Quanto mais subíamos, mais a paisagem nos encantava. Tivemos a oportunidade de ver diversas quedas d’água que se formavam com o degelo, e mais abaixo, se incorporavam aos rios, entre eles o Rio Mapocho, - que em idioma indígena significa “água que penetra na terra”. Esse rio nasce na cordilheira na cidade de Lo Barnechea e depois de atravessar as cidades de Providencia, Santiago e Maipú, encontra o Rio Maipo e deságua no Pacífico, num percurso de 110 quilômetros depois, na cidade de Llolleo. 



          Rio Maipo deságua no Oceano Pacífico  na cidade de  Llolleo. 

      As águas do degelo são responsáveis por grande parte da irrigação de fruticultura, um dos principais produtos de exportação do Chile. 

    
                                     ESTAÇÃO DE ESQUI - VALE NEVADO

        Lá de cima a visão é deslumbrante. A sensação é que estamos no topo do mundo. A temperatura, em torno de 16 graus, estava amena para aquela altitude. Tive sorte no que procurava. Consegui ver, mesmo que ao longe, o vôo de um majestoso casal de condor dos Andes, a segunda maior ave voadora do mundo, com 3,2 m de envergadura de assas. Em tamanho de asas, perde apenas para o Marabu,- um tipo de cegonha africana -, e o Albatroz-gigante que têm envergaduras de asas, apenas 30 centímetros a mais que o condor.


                             O VÔO DO CONDOR DOS ANDES

         Como já havíamos fechado a conta no hotel, retornamos direto para o aeroporto. Enquanto a bagagem passava pelo túnel de raio x, dirigi-me ao portão eletrônico para a revista pessoal. Sabíamos, desde a entrada no país, que a aduana de Santiago é bastante rigorosa, pois, revirou uma das malas até encontrar um shampoo. Descobrimos em seguida que o fiscal procurava algum tipo de fruta. Não sei como percebeu que o champoo era à base de morango. Como resultado da minuciosa pesquisa, danificou uma das alças. Sobrou novamente pra mim, que além de tudo, ainda precisei carregar uma mala sem alças.

            BALCÃO DE IDENTIFICAÇÃO DA ADUANA CHILENA
       
       Pois bem, após várias tentativas de ultrapassar aquele portal, o sonorizador sempre acusava algo, impedindo minha passagem. Depois de retirar tudo que havia em meus bolsos, inclusive os óculos, foi solicitado pelo policial, para tirar também meu cinturão. Resultado: deixei aquele belo país em direção à Argentina, literalmente de calças na mão.
    
Até a Argentina . . .

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