sábado, 22 de agosto de 2015

MESTRE SANTANA


Gerinaldo Moura da Silva
Ocupante da Cadeira número 21 da ACLA - Academia Ceramirinense de Letras e Artes.

O mestre/escultor Santana, nasceu no município de Pedro Velho, aos 18 dias do mês de fevereiro de 1964. Seu nome de registro é Antonio Santana de Lima. Casou-se com Luci Silva de Lima (in memoriam) tendo, desse casamento dois filhos: Lorayne Kelly Silva de Lima e Yogo Silva de Lima. 
O escultor Santana é conhecido por seu estilo, inicialmente, de peças em miniaturas, partindo do sacro para o erótico. Entretanto, os orixás são presenças permanentes nas suas produções artísticas. O artista caminha pelas ruas de nossa cidade com um pedaço de madeira tosca nas mãos e, de sua mente brilhante e criativa, vão surgindo os contornos desejados que o mesmo vai dando formas, e as personagens aparecem devagar enchendo a vista de todos que as contemplam.

Esse trabalho teve início ainda quando o mesmo tinha 14 anos, conforme ele declarou ao Jornal “Tribuna do Norte”, em entrevista, no ano de 1996.
Santana tornou-se bastante conhecido em vários estados brasileiros, bem mais do que em Ceará-Mirim. Mesmo assim, sempre prestigiou os mais diversos eventos culturais e artísticos de nossa cidade, para os quais fora convidado em escolas, bibliotecas, praças públicas, etc.

Muitas de suas esculturas tornaram-se famosas pela peculiaridade. Dentre elas, podemos destacar “A Santa Ceia”, uma miniatura que, para ser vista com perfeição, tem que se usar uma lupa; “A Medusa”; LAMPIÃO CAVEIRA; O HOMEM RENDEIRO E O CANGAÇO, que fazem parte de seu catálogo espalhado pelo mundo em revistas, jornais e nas redes sociais.
Santana vem se destacando nos vários eventos de que participou pelo país afora, dentre os quais, elencamos os seguintes:
– FIART, desde a sua criação, em 1994 – 20 anos de Feira Internacional de Artesanato.
– Salão de Artes Plásticas – Natal, 1995
– Festa do Boi – Parnamirim, 1998.
– Feira “Brasil Mostra Brasil” – João Pessoa/PB, 2000 a 2004
– Multifeira – João Pessoa/PB, 2000 a 2005.
– Multifeira – Natal/RN, 2000 a 2005
– I Feira de Turismo de Natal – Natal, 2002.
– Espanha – Mostra Nordeste – Brasília/DF, 2002
– Multifeira – Cuiabá/MT, 2004.
– Festa dos Estados – Brasília/DF, 2004.
– I Festa de São João do Nordeste: “São Paulo de Todos os Nordestinos”! – São Paulo/SP, comemoração dos 450 anos da cidade – São Paulo/SP/2004.
– II Mostra RN – Natal, 2006.
– XII Congresso brasileiro de Folclore – CEFET. Natal, 2006.
– II Salão de Turismo no Anhembi – São Paulo/SP, 2007.
– I Mostra Nacional de Desenvolvimento regional – Salvador/BA, 2009.
– III Feira de Negócios da Região do Mato Grande – João Câmara/2009
– I Mostra de Artes Visuais de Ceará-Mirim, promovida pela ACLA, na Capitania da Artes. Natal 2011.
– Agosto da Alegria – Natal, 2011.
– Salão Nordeste de Arte Popular “Chico Santeiro” – Natal/2011.
– I Seminário de Cultura da Região Metropolitana de Natal – Natal/2013
– Norte Shopping – Brasília/DF

Santana também foi homenageado em vários eventos, devido ao seu talento e reconhecimento pela produção artística. Congressos realizados em Brasília, Natal, Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante e no Sambódromo, no Rio de Janeiro, são alguns desses momentos marcantes em sua vida de artista.
Em Ceará-Mirim, Santana participou de exposições coletivas na Biblioteca Pública Municipal Dr. José Pacheco Dantas, organizadas pela Assessoria de Cultura da Prefeitura Municipal; na Escola estadual Interventor Ubaldo Bezerra de Melo; na Secretaria Municipal de Educação; no Museu Nilo Pereira; na Escola de Artes “José Lemos de Oliveira”; no centro esportivo e Cultural; na festa de Nossa senhora da Conceição; no FEST Comércio Ceará-Mirim; no Colégio Santa Águeda e no I Fórum Comunitário do selo UNICEF.
No ano de 1996, durante a apresentação do Plano de Ação Cultural para o município, promovido pela Assessoria de Cultura do Município e da Biblioteca Pública Municipal, Santana participou de uma Exposição Cultural, no “Salão Nobre Ruy Pereira Júnior”.


A revista Geográfica Universal de 1996, traz em suas páginas 74/75 reportagens referentes aos mestres cearamirinenses, Etewaldo Cruz Santiago e Antonio Santana de Lima. Nesse período outros veículos de comunicação também registram a trajetória de Santana, dentre eles destacamos os Jornais Tribuna do Norte, Diário de Natal e “O Litoral”, as revistas “Préa” “Rede da Renda” e “Fatos e Fatos”.
Por ter se tornado um grande colaborador da Biblioteca Pública Municipal Dr. José Pacheco Dantas e do Colégio Santa Águeda, Santana é agraciado com os títulos de “Amigo da Biblioteca” - pela Prefeita Therezinha Mello e “Amigo do CSA” - pela Madre Irmã Regina Pacis.
EXPOSIÇÕES PERMANENTES DE SEUS TRABALHOS 
– Na alta estação – Praia de Muriú e Engenho Mucuripe, Ceará-Mirim.
– Museu da Ribeira, Natal/RN
– Museu Câmara Cascudo, Natal/RN
– Museu de Brasília, Brasília/DF
– Em duas Igrejas de Natal (a da Candelária e no Alecrim) existem obras de sua autoria: um Cristo e um Espírito Santo, respectivamente.
– Com o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, uma imagem de São Francisco.
– Com o Ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, uma “Ceia Nordestina”.
– Com a ex-governadora Wilma Maria de Faria, “A Ceia Cultural”, entre outras obras.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

DESTAQUES DA CULTURA POTIGUAR RECEBEM COMENDA DEÍFILO GURGEL


É com imensa satisfação que comunico a familiares e amigos que fomos indicados pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, para na próxima sexta-feira dia 21 de agosto, em sessão solene na Câmara Municipal de Natal, receber a Comenda do Mérito “Folclorista Professor Deífilo Gurgel”. 



Essa honraria nos deixou muito honrado e gratificado, dado a amizade e grande admiração que nutria pelo poeta/folclorista, apesar dos poucos anos que vivenciamos mútuo conhecimento.


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A FEIRA TEM POR FINALIDADE ANGARIAR FUNDOS PARA A CONTINUIDADE DAS OBRAS DE MELHORIA DA INSTITUIÇÃO.

INFELIZMENTE EM NOSSO PAÍS A CULTURA É UMA ATIVIDADE MEDICANTE E O RESULTADO É ISSO QUE ESTAMOS VIVENCIANDO.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

OS ACADÊMICOS DA ACLA SAUDAM CEARÁ-MIRIM, NOS 157 ANOS DE SUA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA.





CAIO CÉSAR CRUZ AZEVEDO – Meu coração bate e ainda semeia vigor em vias que fazem vibrar o meu Ceará-Mirim. O vale todo reverdesce, espraia-se, como um antigo deus protetor vindo das mitologias da terra. A visão é do paraiso. Rogamos para este coração, como para tantos outros, no centro do viver, perpetuar esta cidade, como afirma Madalena Antunes “as cidades não morrem... até mesmo quando caem em ruínas, salva-as arquitetônico do aniquilamento aquela alma fecunda que as revive, por ser consciente que o patrimônio arquitetônico é um livro de pedras, areia e cal a narrar com a escrita do tempo a construção de nossa identidade”.
CLEA BEZERRA DE MELLO CENTENO – É com alegria que saudamos hoje, Ceará-Mirim, lembrando a importância da sua fundação, no Estado do Rio Grande do Norte. Sabemos o quanto a cidade contribuiu para o enriquecimento da região e quanto a exuberância do seu vale encanta a todos os que lá vivem e guardam no coração, com indizível saudade, a lembrança dos dias mais felizes de suas vidas.
Ainda hoje, olhando os velhos bueiros de Ilha-Bela e Santa Terezinha, me invade uma grande emoção com a tristeza de pensar que aquela paisagem está e ficará, apenas, no coração para sempre.
“As coisas findas, muito mais que lindas, elas ficarão” (Carlos Drummond).
CIRO JOSÉ TAVARES DA SILVA – Venho saudar-te, cidade amada, na data do teu aniversário, embora todos os dias guardo-te nas minhas lembranças, recolhidas no vale verde e abençoadas por Nossa Senhora da Conceição. Venho saudar-te com minha alma repleta de saudades, sempre renovadas nas visões dos antigos vultos que partiram. Distante de tuas ruas e de tua gente, chegam-me, milagrosamente, o indelével aroma da cana-de-açúcar e o ruído das moendas dos engenhos que vivos permanecem nas nossas memórias. Venho saudar-te, cidade amada, num tempo em que teus filhos lutam para ver-te ressuscitada como no passado, econômica e culturalmente bela e magnífica.
EMMANUEL CRISTÓVÃO DE OLIVEIRA CAVALCANTI – Na passagem de mais um aniversário da Emancipação Política do Ceará-Mirim devo dizer que, como ceará-mirinense, me sinto orgulhoso de ser seu filho, pelo encanto, pela sedução e fascínio que esta querida terra, palco inesquecível da minha infância, adolescência e maturidade, vem me proporcionando no decorrer de toda minha vida. Como um antigo Menino de Engenho, do velho Jaçanã, hoje de fogo morto, recordo-me dos meus antepassados, que dali com seu trabalho, tiravam o seu sustento e de sua família, e dos dias felizes da minha infância, ali vividos. Quero neste exato dia de comemoração de mais um aniversário da minha querida Ceará-Mirim, homenagear todos os seus filhos, que fizeram, marcaram e deram personalidade e grandeza à velha e tradicional Cidade dos Verdes Canaviais.
FRANKLIN MARINHO DE QUEIROZ – Aos 157 anos de idade, um município é uma criança, consequentemente temos que cuidar dele com o mesmo zelo, amor e responsabilidade que se dedica a um infante. Este é o meu pensamento, esta é a minha atitude para com o Ceará-Mirim. A ternura, a saudade de outrora, da origem do seu povo, da sua aristocracia canavieira, dos seus altos e baixos, não cabem nesta mensagem, para dizer o que penso e o que sinto pela minha terra, mas estou sempre no casarão da antiga rua da Aurora, a disposição de todos, para relatar os fatos históricos desta cidade que eu tanto amo.
Viva ao Ceará-Mirim!
Viva a Nossa Senhora da Conceição!
GERINALDO MOURA DA SILVA – CEARÁ-MIRIM - 157 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA. Era o ano de 1858. Nascia na província do Rio Grande, a Briosa Vila do Ceará-Mirim, que mais tarde se tornaria uma fidalga cidade encrustada num verde e paradisíaco vale. Orgulho de todos nós seus filhos, nativos ou adotivos que sempre a cantaram em verso e prosa. Do adro da matriz de Nossa Senhora da Conceição, admirando o balançar do canavial parece que a Divina Providência quis deixar sua marca indelével de beleza e riqueza em seus vários aspectos. Não no sentido capitalista e materialista, mas uma riqueza cultural, histórica e arquitetônica onde os poetas, músicos e artistas registraram no tempo e na memória de todos o que de mais belo possuímos. Parabéns à nossa terra e aos todos que aqui vivem e que aprenderam a amá-la e sonham sempre com dias melhores sob o manto protetor da Virgem Mãe de Deus.
GIBSON MACHADO ALVES – ENCANTOS DO MEU LUGAR. Lugar de lembranças, de sonhos e, sobretudo, de esperança! Memórias de um tempo que já vai longe, na infância, quando a alegria da meninada, eram as peladas no sítio de Antonio Potengi, o campinho dos irmãos Manoelzinho e Carlos Gusmão, nosso mundo encantado lobatiano apesar da ausência de suas figuras mitológicas. Lá, vivíamos sonhos e momentos de felicidade, brincávamos e criávamos nossas fantasias de crianças e adolescentes, já na fase das resenhas amorosas juvenis. Tantas lembranças de um pequeno e efêmero espaço temporal! Nossa aldeia de menino, tão conhecida e explorada, tornou-se estranha, desconhecida e distante de nossas reminiscências provincianas.
GUSTAVO LEITE SOBRAL - Foi no rio Pequeno ou Baquipe (rio Ceará-Mirim), vindo da fracassada tentativa de achar ouro no Maranhão, que os filhos de João de Barros, donatário da Capitania do Rio Grande, tentaram se estabelecer por volta de 1555, mas encontraram resistência dos índios que ali viviam amigados com os franceses negociadores de pau-brasil. Foi esta a primeira tentativa de colonização portuguesa no Rio Grande do Norte. A história do Rio Grande do Norte assim começa no vale do rio Ceará Mirim, limite do conhecimento geográfico do Rio Grande do Norte até então.
JANILSON DIAS DE OLIVEIRA
Ceará-mirim minha cidade querida
Jamais te esquecerei
Es a razão de minha vida
Para sempre te amarei.
JEANNE ARAUJO SILVA – EM TEUS VERDES ENCANTADOS
Na primeira manhã em que te vi, vestias teu mais lindo vestido em tons de verde, e o vento ondulava sua saia que voava suavemente e me encantava. Foi amor à primeira vista. Meus olhos pousaram sobre os teus e nunca mais quis me ver longe de ti, dos teus encantos e de tua suavidade. Não te toquei naquele dia. Não conheci suas curvas e esquinas. Mas embrenhastes no meu coração e não pude te esquecer um só minuto. Então foi preciso tomar a decisão e voltei. Desta vez, cada vez mais enamorada, voltei pra ficar junto a ti. E o mesmo assombro de sua beleza me encantou os olhos. Os seus tons de verde me feriram os olhos acostumados com o cinza do sertão. A umidade de seus orvalhos umedeceram esses mesmos olhos ressecados de solidão. Eu já não era mais sozinha, eu tinha a ti, que me acolheu docemente.
JOANA D’ARC ARRUDA CÂMARA – Ceará-Mirim eu te parabenizo pelos 157 anos. Seus casarões e seu vale verde, encantam a todos que te conhece. Tenho orgulho de ser filha dessa terra abençoada por Nossa Senhora da Conceição e das figuras ilustres que enriquecem a nossa cultura. Hoje é um dia especial para os Cearamirinenses. Parabéns a todos.
JOSÉ DE ANCHIETA CAVALCANTI – AS PALMEIRAS DO COLÉGIO SANTA ÁGUEDA. Reverenciando o aniversário do Ceará-Mirim.
Eis que se postam altaneiras, com seus leques abertos ao vento, olhando o vale distante em um místico de oração! Quem são elas? São as palmeiras do velho Colégio Santa Águeda! Elas são as únicas palmeiras da minha infância, infância que as viu crescer, encantar os poetas e, depois, muito depois, caírem aos “golpes do machado branco”, no dizer de Augusto dos Anjos e “não mais levantaram da terra”, ainda no dizer do maravilhoso vate paraibano [...] E as palmeiras que já se manifestaram e já se foram, deixaram na alma do menino, o forte sentimento de saudade e de ternura de um tempo bom que não voltará jamais! Parabéns Ceará-Mirim, por mais um aniversário.
JOSÉ EDUARDO VILAR CUNHA – FELIZ ANIVERSÁRIO CEARÁ MIRIM.
Todos nós ascendentes de Ceará Mirim estamos felizes pelos 157 anos de sua emancipação política e, ainda mais satisfeitos, porque nos dias de hoje, o município faz parte da Região Metropolitana de Natal.
JOVENTINA SIMÕES OLIVEIRA – “Ceará-Mirim, hei de lhe ver, jovem e formosa, como uma manhã de sol, vestida de noiva, desposando o progresso...”. Reitero hoje, os mesmos desejos de sucesso formulados pelo meu pai, Percílio Alves de Oliveira, no seu livro O Colecionador de Esmeraldas (1981). Curvo-me diante de você, Ceará-Mirim, cidade que me embalou criança, me acalentou adolescente e me inspirou adulta, me transformando no que hoje sou. Eu lhe saudo, Ceará-Mirim e lhe dedico a minha gratidão eterna e o meu amor incondicional. Parabéns pelos 157 anos de emancipação política.
LEDA MARINHO VARELA DA COSTA - Ceará Mirim é uma terra repleta de fascínio que me faz sentir casada com a Natureza – canavial, mar, rio – onde consigo beber crepúsculos adocicados de mel e me vestir de auroras poéticas.
LÚCIA HELENA PEREIRA (gravado no Hospital da Unimed, onde ela se encontra internada) – Oh povo de Ceará-Mirim, hoje é o teu aniversário de emancipação política, e no meu coração os sinos dobram, os pássaros arribam dos canaviais e dos engenhos os últimos apitos vão executando a nostalgia do tempo. Tu, meu vale lindo, que me viste nascer, não poderia me ver morrer agora. Estou muito bem e te amando sempre. Ceará-Mirim, terra do meu coração!
MARIA DA CONCEIÇÃO CRUZ SPINELI – PARABÉNS A CEARÁ-MIRIM
No dia 23 de março do ano de 1903, Dolores Cavalcanti, filha de Ceará-Mirim, lançava um jornal feminino chamado “A Esperança”, e convidava os presentes a “[...] ir comigo a tantos lugares de paisagens e cenários, ver o rio descer em cheias diluviais: ouvir a voz do canavial, tangido por um sopro de poesia; entrar na matriz e orar a Nossa Senhora da Conceição; descer e subir pelas velhas ruas, onde há de cada um de nós um pouco [...]”. Passados 112 anos, com a mesma Esperança, faço um convite de volta ao passado desejando perspectivas alvissareiras para o futuro, parabenizo a cidade de Ceará-Mirim.
MARIA DAS GRAÇAS BARBALHO BEZERRA TEIXEIRA – Em Ceará-Mirim que se estende para cima e para baixo, nada mais aprazível que o verde do vale, suas ladeiras, suas ruas largas, seus becos históricos, sua arquitetura, seu rio antes caudaloso, hoje assoreado, todavia ainda respirando vida, buscando caminhos, umedecendo terras. Em Ceará- Mirim minha terra centenária os cheiros de açúcar, melado, ocre, argila, massapé, mesclam e lambuzam as lembranças, os amores, a saudade imorredoura. Em Ceará-Mirim de Nossa Senhora da Conceição comemora-se hoje os seus cento e cinquenta e sete anos de lutas e glórias, de muitas histórias, de muitos contos e de muita poesia. SALVE CEARÁ-MIRIM 30/07/2015.
MARIA HELOISA BRANDÃO VARELA – HOMENAGEM AO CEARÁ MIRIM - 157 ANOS. Parabéns ao Ceará Mirim a aos Administradores atuais pelas comemorações. Inspirada no poema Pasárgada, do poeta modernista Manoel Bandeira. Penso que todos têm dentro de si uma Pasárgada. Hoje no meu imaginário, as paisagens fabulosas, a lembrança da cidade nos remete aos tempos de crianças e adolescência e nos faz reviver e renovar, saímos mais jovens, claro no sentido figurado. A mensagem que deixo através do poema Pasárgada é uma homenagem aos presentes e a terra querida de todos nós.
MARIA LEONOR ASSUNÇÃO SOARES – Ceará-mirim, Comemoramos hoje 157 anos de sua emancipação política. É Fácil falar sobre você, minha terra querida, pois há muitos anos desfruto das suas belezas, vibro com suas alegrias e sofro com suas tristezas. Quero, portanto, desejar a você e a todos os seus habitantes muitas felicidades e um futuro promissor. Quero saudar a você, minha terra, saudar seus filhos, vivos e mortos, pedindo a Deus e a Nossa Padroeira, Nossa Senhora da Conceição, que derramem suas benções sobre a nossa terra e sobre o nosso povo. Viva a nossa querida Ceará-mirim!
MÚCIO VICENTE – VALE ORGULHO, PARABÉNS!
Venha conhecer a nossa cidade,
A maior igreja do estado, a casa do barão;
A usina são Francisco; o engenho união
O túmulo da linda Emma; a fazenda nascença.
O banho das escravas, a casa grande do Guaporé,
O olheiro diamante, o engenho verde nasce, a fazenda Igarapé.
Os quilombolas em coqueiros, Capela, matas, mineiros.
Orgulho-me quando falo sempre assim,
Do vale do Ceará-Mirim, dos verdes canaviais.
ORMUZ BARBALHO SIMONETTI – Desembarquei em Ceará-Mirim em 1981, para ficar de 6 a 12 meses. E aqui vivi, nessa bela terra, 23 anos de minha existência. Dispensável dizer que foi amor à primeira vista. Conquistei importantes amizades que perduram até os dias de hoje. Por fim, já aposentado, passei a integrar a valorosa Academia Ceará-mirinense de Letras e Artes “Pedro Simões Neto”-ACLA, instituição que vem se destacando no cenário cultural e artístico do Rio Grande do Norte. A você, Ceará-Mirim, a minha homenagem e o meu preito de gratidão!
PAULO DE TARSO CORREIA DE MELLO – Ceará-Mirim é a poesia das lembranças de infância, Ceará-Mirim sou eu subindo a rua calçada em pedras irregulares, ao fim da tarde. Vestido em um terno azul, levo um presente bem embrulhado e um ramo de saudades roxas que me enfiaram na mão. Vou ao aniversário de uma namorada menina. Neste exato momento o relógio da igreja bate as cinco horas. Continuo escutando pelo resto da vida.
RICARDO DE MOURA SOBRAL - CEARÁ-MIRIM DO MEU CORAÇÃO - “Terra de que ninguém se desprende sem perder o espírito”. Quem ousa acrescentar algo à frase de Nilo Pereira, autor da Manhã da Criação? Diante de ti, terra dadivosa, berço fecundo, pátria afetiva, repouso celestial, curvo-me eternamente grato por desfrutar de sua insuperável beleza natural, da generosidade de seu povo, e pelo legado que me transmitistes dos meus ancestrais, plasmado numa memória presencial entrada no quarto século. Retribuo-te, terra amada, com a minha presença, discreta e silenciosa.
ROBERTO BRANDÃO FURTADO – FÉRIAS EM CEARÁ-MIRIM. Da rua das Trincheiras para a rua da Igreja, era um pulo: dois quarteirões. Lá me esperava a pelada apalavrada com João Palhano e Zé Moreira. Para chegar ao local da lide, bastava pular as bueiras com a ajuda da vara de bambu. Depois do jogo, uma “furtiva” incursão ao sítio de Aurora Barroca, na rua Grande, para usufruir do sabor das uvas do seu bem cuidado parreiral. De volta para casa, passar em frente a casa de Clóvis Soares, dona Corinta de seu Simeão, dobrar na esquina de Chico Leopoldino, sem antes dispensar uma olhadela para a mansão de Valdemar de Sá, vizinha a casa de esquina que morei, perto da padaria de João Neto e no oitão de Dr. Canindé. A noite, duas opções: jogar sinuca com Pedro Champirra, no Café de Cleto, sob os olhares de Coronel Pinto e de Vital Correia ou ir ao cinema de Jorge Moura, assistir um episódio de Besouro Verde.
Que boa era a infância!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O IHGRN ABRE SUAS PORTAS PARA REGISTRAR O CENTENÁRIO DO AMÉRICA FUTEBOL CLUBE - 14-7-1915

Por solicitação dos dirigentes do América Futebol Clube, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte realizou sessão solene para registrar a passagem dos 100 anos de fundação do Clube alvirubro, ocorrida nas cercanias do próprio Instituto no dia 14 de julho de 1915.





 A sessão foi presidida pelo Vice-Presidente Ormuz Barbalho Simonetti em razão de problemas de saúde ocorridos com o Presidente Valério, participando da Mesa dos Trabalhos os ex-Presidentes Fernando Nesi, Jussier Santos e o Presidente em exercício Hermano Morais, além dos Secretários do Instituto Carlos Gomes e Odúlio Botelho e o representante do Prefeito de Natal, Dr. Luiz Eduardo Machado, Secretário de Esporte e Lazer .
 O auditório ficou lotado, além de grande contingente de americanos e americanas que assistiram a solenidade em um telão colocado no Largo Vicente de Lemos


Para falar pelo Instituto o Presidente Valério Mesquita designou o Secretário Geral e torcedor do América, escritor e pesquisador Carlos Roberto de Miranda Gomes, que fez alguns registros interessantes, dos quais resumidos os seguintes:


Fundação do América Foot Ball Club
e fundadores

Apesar dos precários registros documentais, é absolutamente exato que o clube foi fundado no dia 14 de julho de 1915, feriado nacional comemorativo da “Queda da Bastilha”, na França, fato ocorrido ironicamente na residência do Desembargador Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti (não apreciava futebol), situada na Rua Vigário Bartolomeu, possivelmente nº 565, antiga Rua da Palha na Cidade Alta, precisamente em uma dependência onde ocupavam os irmãos Carlos e Oscar, que dava para o Beco da Lama, depois Rua Vaz Gondim (há indicações dos nºs  598 e 600) e hoje Rua Professor José Ivo, onde se reuniram 15 desportistas. Hoje o imóvel não tem mais fundos para o Beco da Lama, pois foi vendida uma parte para loja que fica na Rua Ulisses Caldas, esquina com o Beco).

O novo clube recebeu inicialmente o nome de América Foot Ball Club, expressão inglesa muito em voga, quinze dias depois da fundação do ABC que, no futuro, tornar-se-ia o seu principal adversário.

Acrescente-se, por oportuno, que antes da data da fundação oficial houve uma reunião preparatória realizada informalmente no dia 11 de julho na residência do Senhor Manoel Coelho de Souza (Inspetor da Alfândega), localizada à Rua Nova, que contemporaneamente recebeu o nome de Av. Rio Branco, local onde posteriormente funcionou, por muito tempo, a Livraria Universitária. Foi nessa reunião preliminar que se aprazou a fundação oficial para o dia 14, por ser feriado nacional. (Informações colhidas de depoimentos que afirmam ter sido declaração do Doutor Oscar Siqueira). Contudo, tendo por base declarações do grande desportista e americano Gil Soares, nessa fundação teriam comparecido 27 jovens nas dependências onde servia de sala de estudos dos irmãos Coelho, inclusive Manoel Coelho Filho teria participado da primeira diretoria presidida por Getúlio Soares.

Certamente essa diferença entre 15, 27, 34, 36 ou 38 fundadores se justifica pelo do fato de que nem todos estiveram numa única reunião ou assinaram a lista de presença, mas que se agregaram nas seguintes até o registro do estatuto, situação muito comum na fundação de entidades. Assim, damos fé a todas as versões, haja vista que o ocorrido não descaracteriza o grande número de desportistas interessados na criação do América, ficando assim a relação, pela ordem alfabética:

São fundadores nas versões comparadas de Gil Soares, Oscar Siqueira, José Rodrigues de Oliveira, Miguel Leandro, Carlos Barros, Lauro Lustosa, Fernando Nesi e Luiz G.M.Bezerra:

1 – ABEL VIANA, estudante e foi proprietário de uma das mais tradicionais padarias de Natal;
2 – AGUINALDO CÂMARA, conhecido por “Barba Azul”, irmão da Profª Belém Câmara;
3– AGUINALDO FERNANDES DE OLIVEIRA, filho do Des. Luiz Fernandes;
4 – AGUINALDO TINOCO, filho do Cel. João Juvenal Pedrosa Tinoco, chefe da firma Pedrosa & Tinoco & Cia.;
5 – ANIBAL ATALIBA, filho do velho Ataliba, da Estrada de Ferro Central /RN e grande amigo do trovador João Carlos de Vasconcelos;
6 – ANTONIO BRAGA FILHO, empregado da “Casa Lotérica”, de Cussy  de Almeida;
7 – ANTONIO DA ROCHA SILVA (Bidó), cunhado do falecido Aurélio Machado França, funcionário federal;
8 – ANTONIO TRIGUEIRO, empregado da Loja “O Amigo do Povo”, de Felinto Manso, na Praça do Mercado, Cidade Alta;
9 - ARARY DA SILVA BRITO, funcionário do Ministério da Fazenda, Oficial Administrativo da Alfândega/Natal e de Tributos Federais da Alfândega/RJ;
10 - ARMANDO DA CUNHA PINHEIRO, filho do Prof° João Tibúrcio e falecido como tenente do Exército;
11 – AUGUSTO SERVITA PEREIRA DE BRITO (Pigusto), funcionário do Departamento de Segurança Pública do Estado;
12 - CAETANO SOARES FERREIRA, amazonense e irmão do 2° Presidente Getúlio Soares Ferreira;
13 – CARLOS DE LAET, filho de João Antonio, da Brigada do Exército;
14                    – CARLOS FERNANDES BARROS, fiscal de Consumo, aposentado;
15 – CARLOS HOMEM DE SIQUEIRA, funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil/RN;
16 – CLINIO BENFICA, estudante, nascido em Baixa Verde (hoje João Câmara);
17 – CLOVIS FERNANDES BARROS, comerciário, passou a residir em Recife/PE;
18 – CLODOALDO BAKKER, estudante e funcionário federal;
19 - EDGAR BRITO;
20 - EUCLIDES OLIVEIRA, nome acrescentado pelo tabelião Miguel Leandro;
21 - FRANCISCO LOPES DE FREITAS, chefe do expediente da Prefeitura de Natal e do Dep. De Finanças e campeão de bilhar em Natal, amante do remo e apontado como 1º Presidente do América no período de 14/7 a 14/12/1915.  Assinala-se o nome de FRANCISCO LOPES TEIXEIRA também apontado como 1º Presidente, o que nos leva a acreditar, pela similitude do nome, se trate da mesma pessoa;
22 – FRANCISCO PEREIRA DE PAULA (Canela de Ferro), estudante e funcionário público;
23 – FRANCISCO REIS LISBÔA, estudante falecido ainda jovem;
24 – GETÚLIO SOARES FERREIRA, 2° Presidente do América por eleição direta por aclamação (15/12/15 a 14/12/16). Era campeão de Natação pelo Centro Náutico Potengi, tendo treinado para uma das Olimpíadas. Amazonense, ingressou no Banco do Brasil e serviu em Natal;
25 - JOAQUIM REVOREDO, nome apontado pelo tabelião Miguel Leandro;
26 – JOÃO BATISTA FOSTER GOMES SILVA (Padaria), funcionário de “A República” e responsável pela cobrança/América;
27 – JOSÉ ARAGÃO, estudante e funcionário público;
28 – JOSÉ ARTUR DOS REIS LISBÔA, estudante, irmão de Francisco, ambos filhos do Capitão do Porto, Reis Lisboa, intelectual, foi Delegado de Policia em Recife;
29 – JOSÉ FERNANDES DE OLIVEIRA (Lélio), estudante. A família residia no “chalet” da av. Rio Branco, onde morou o Dr. Solon Galvão, esquina com a rua Apodi;
30 – JOSÉ LOPES TEIXEIRA, comerciário e irmão de Francisco Lopes Teixeira (de Freitas), 1° Presidente eleito, por aclamação, na reunião de fundação;
31 – LAURO DE ANDRADE LUSTOSA, empregado da firma Olimpio Tavares & Cia.;
32 – LUCIANO GARCIA, estudante, posteriormente funcionário público;
33 – MANOEL COELHO DE SOUZA FILHO, estudante, que muito se esforçou para as atividades do clube. Faleceu no Rio de Janeiro;
34 – MARIO MONTEIRO, irmão do falecido telegrafista Orlando Monteiro.  Trabalhava no semáforo da torre da Catedral;
35 – NAPOLEÃO SOARES FERREIRA, irmão de Getúlio e Caetano Soares Ferreira;
36 – OSCAR HOMEM DE SIQUEIRA, estudante, atleta e Presidente do América, que alcançou o alto posto de Desembargador, como seu pai Joaquim Homem de Siqueira;
37 – SIDRACK CALDAS, irmão de Abdenego Caldas, figura ilustre da cidade;
38 – VITAL BARROCA, eleito Vice-Presidente para a segunda gestão, iniciada em 15/12/1915.

      No encerramento da sessão aconteceu um fato inusitado: O orador da noite, escritor Carlos Gomes pediu a palavra e leu os primeiros versos do Hino Oficial do América e em seguida indagou se alguém conhecia, gerando um rebuliço na platéia pois os torcedores tinham acabado de entoar o hino no final da missa que antecedeu a solenidade. Então o orador disse, pois um dos autores do hino está aqui no recinto e ao se apresentar o empresário musical HILTON ACIOLI foi aplaudido de pé e em seguida suportou uma maratona de fotografias com os presentes. Foi um momento de total contentamento, coroando um dia de comemorações. Um pouco da história:

O hino oficial, assim reconhecido pela família americana e constante do seu site oficial é a composição dos componentes do Trio Marayá - letra de Behring Leiros e Hilton Acioli e música de Marconi Campos, com a denominação “Eu sou América”:
 
Eu sou América
Marcha
Música: Marconi Campos
Letra: Behring Leiros e Hilton Acioli
Int.: Trio Marayá

Ficha Técnica
Gravação Especial -
Compacto Simples  PCS 40.006  de 1973
Gravado no Estúdio Eldorado em São Paulo-SP
Técnico Flávio Augusto - Marcus Vinícius- Luiz Carlos
Uma promoção Exclusiva da S. S. Propaganda LTDA
Natal.


O nosso time mostra a sua raça no jogo,
É o América, América
Vai conquistando o coração do povo no jogo,
E na torcida eu sou América
Eu sou América e tenho orgulho de ser,
Porque o América em tudo é o melhor
É alegria no esporte e no futebol
América, América (Bis)
Meu coração vibra nas suas cores
Eu sou América, América
É uma canção que canta mil amores, enfim,
Cantou América, América
Vamos em frente gente Americana
Mostrar que o nosso time entrou pra valer
Bola pra frente, quero ver jogando pra ganhar
América, América (Bis)

Outra Gravação Especial – Pedrinho Mendes
CD  - América é sucesso  ao Vivo  - Ano 1998
Gravado no Estúdio Companhia do Som-RN (Lula)
Técnico Eli Medeiros
Produzido por Alex Padang - Natal.
Fonte Acervo da Música Popular (Leide Câmara)

O produtor Hilton, ladeado pela escritora Leide Câmara, Odúlio Botelho e Carlos Gurgel, os dois últimos membros da Comissão de Recepção, juntamente com o orador da solenidade.
O Presidente Hermano Morais com Hilton Acioli e Leide Câmara

O público aplaude o ilustre visitantes e o fez por tempo demorado, inclusive todos ficaram de pé e felizes.

Foi uma solenidade histórica e importante para as duas Instituições - IHGRN e o Centenário América Futebol Clube (1915-2015.

Do blog do IHGRN.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

LANÇAMENTO DE LIVRO -



Previsto para a segunda quinzena do mês de outubro, o lançamento da segunda edição do livro A PRAIA DA PIPA DO TEMPO DOS MEUS AVÓS. A edição especial terá nova capa com fotografia de Gustavo Mitilene que também participa com várias outras fotos. 

O livro será confeccionado em papel couche valorizando assim a beleza das paisagens, fotos e gravuras que fazem parte dessa edição. Haverá um acréscimo de 120 páginas e 230 fotografias e imagens coloridas, perfazendo um total de 526 páginas e 660 fotos/imagens. Nele o leitor terá a oportunidade de conhecer histórias e estórias de um dos balneários mais belos do nosso país, conhecido internacionalmente por suas belezas naturais, além de fauna e flora exuberantes e incomparáveis.    

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

domingo, 5 de julho de 2015

A TURFA NO RIO GRANDE DO NORTE

O Professor e Acadêmico Janilson Dias de Oliveira (Cadeira número 14 da ACLA), é o autor de uma pesquisa sobre a TURFA, um mineral que enriquece o solo cearamirinense.

A Turfa é uma substância mineral, que se origina na matéria orgânica depositada nas várzeas dos rios durante um longo período geológico. Com a umidade, a matéria ali depositada não sofre decomposição e transforma-se neste mineral. É uma rocha com alto teor de substâncias húmicas e com capacidade de segurar água e sais minerais, além de reter vários metais pesados, contribuindo para o equilíbrio do meio ambiente.
Sobre o assunto, assim fala o Professor Janilson.
A TURFA NO RIO GRANDE DO NORTE


A origem dos combustíveis fosseis teve origem
a milhares de anos, em decorrência dos fenômenos naturais que provocaram a acumulação de quantidades significativas de matéria orgânica na superfície do solo. Esses depósitos foram ao logo dos anos, sendo encobertos por novas camadas, proporcionando transformações químicas importantes para a formação dessa substância. Dessas transformações encontramos o carvão mineral, o linheto e a TURFA. De outras cadeias, originam-se o petróleo, o gás natural e folhelhos betuminosos.
A TURFA é parte do estágio incipiente da formação do carvão mineral, sendo, portanto, considerado um mineral formado nos últimos dez mil anos, resultante do atrofiamento e da decomposição incompleta do material lenhoso e de arbustos, musgos e liquens em condição de umidade excessiva.
No Nordeste essas turfeiras são encontradas nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. 
As turfeiras concentram-se na faixa costeira com uma reserva de 243 milhões de metros cúbicos. No Rio Grande do Norte é encontrada no baixo vale dos rios em Ceará-Mirim, Piranhas, Trairi-Arari, Maxaranguape e Riacho Pau Brasil (graju), Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) 840.063/84 a maior reserva medida da TURFA é de Ceará-Mirim, que avulta em 1.182.000 toneladas em base seca. Convém ressaltar que a maior parte das turfeiras estão encobertas por canaviais, mesmo sabendo-se que o poder calorífico da TURFA é três vezes superior ao bagaço da cana usado nas caldeiras. Mesmo assim, faz-se opção pela cana de açúcar, que é um recurso energético renovável, ao contrário da TURFA. Segundo Ramos, 1982 apud Franchi, 2004, dependendo de suas características e eventuais tratamento, podem-se produzir, a partir da TURFA, gazes combustíveis, coque, ceras, açucares, carvão ativado, asfalto, álcool, parafinas, óleos, gasolina, querosene, lubrificantes, fertilizantes organo-minerais e de solubilidade controlada. Outras utilizações da TURFA: na agricultura como insumo para a produção de condicionamento do solo, biofertilizantes, substrato de mudas ou aplicação in natura no solo e principalmente na horticultura.
Bibliografia;
AGUAR, S. Catão. Fontes energéticas brasileiras - inventário/tecnologia: TURFA. CHESF, RJ, 1987.
FRANCHI, J. Guilherme. A Utilização da TURFA como adsorvente de metais pesados. Tese de doutorado – USP, SP, 2004.
RAMOS,B.V.; LIMA, Francisco C.A. TURFA: salvação energética para o Nordeste? In: Congresso Brasileiro de Geologia – Anais, Salvador, 1982.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

PRINCIPAIS MUDANÇAS NA ORTOGRAFIA


Professora Maria da Conceição Paiva (Ceiça Paiva).

A partir desta quarta-feira, vamos estudar as principais mudanças na ortografia da língua portuguesa, de acordo com a 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), publicado pela Academia Brasileira de Letras, em março de 2009. 
Histórico - O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, para unificar o registro escrito nos oito países que falam português: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e, posteriormente, por Timor Leste. 

No Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995. Desde 1º de janeiro de 2009, passou a vigorar no Brasil e em todos os países da CLP (Comunidade de países de Língua Portuguesa) o PERÍODO DE TRANSIÇÃO para as novas regras ortográficas que se finaliza em 31 de dezembro de 2015. "Termina nesta quarta-feira (13) o prazo de seis anos para os portugueses adotarem o jeito de escrever do Novo Acordo Ortográfico. 

No Brasil, a fase de transição termina oficialmente em 1º de janeiro de 2016. A nova ortografia já é muito usada nos dois países. Mas em Portugal, ainda tem muita gente que contesta o Acordo Ortográfico." (Jornal Hoje - Lisboa, Portugal -André Luiz Azevedo- Edição do dia 12/05/2015) A reforma Ortográfica prevê mudanças na língua portuguesa, como O FIM DO TREMA, A SUPRESSÃO DE CONSOANTES MUDAS, NOVAS REGRAS PARA O EMPREGO DO HÍFEN, INCLUSÃO DAS LETRAS W, K e Y ao IDIOMA, além de NOVAS REGRAS DE ACENTUAÇÃO. OBS.: Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. 
ACORDO ORTOGRÁFICO - PRINCIPAIS MUDANÇAS 

01. MUDANÇAS NO ALFABETO O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras K, W e Y. Essas letras, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos nossos dicionários, são usadas em várias situações: 
a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), w (watt); 
b) na escrita de palavras estrangeiras (e seus derivados): show, playboy, windsurf, fu, yin, yang, kafka, kafkiano... 

02. TREMA Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra U para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos GUE, GUI, QUE, QUI. COMO ERA: conseqüência, cinqüenta, freqüência... COMO FICOU: consequência, cinquenta, frequência. Entretanto, sua permanência ainda incide sobre os nomes próprios e seus derivados. Exemplos: Müller – mülleriano – Hübner – hübneriano... 

03. ACENTUAÇÃO - O QUE MUDOU - Não se usa mais o acento dos ditongos abertos ÉI e ÓI das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na última sílaba) 
COMO ERA.................... COMO FICOU

apóia (verbo apoiar)....... apoia
assembléia..................... assembleia
bóia................................. boia
colméia........................... colmeia
geléia.............................. geleia
idéia................................ ideia
jibóia............................... jiboia
epopéia........................... epopeia
estréia............................. estreia
jóia.................................. joia
platéia............................. plateia
heróico............................ heroico
ATENÇÃO: essa regra é válida somente para as palavras PAROXÍTONAS; assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em ÉIS e ÓIS. Exemplos: herói, heróis, dói, papéis, coronéis... 

03.1 - Nas palavras PAROXÍTONAS, não se usa mais o acento no I e no U tônicos quando vierem depois de um ditongo decrescente. Exemplos: 
COMO ERA............................ COMO FICOU
Baiúca (bodega, taberna)....... baiuca
bocaiúva (palmeira) ................bocaiuva
cauíla (mesquinho)................. cauila
feiúra.......................................feiura

ATENÇÃO: 
a) se a palavra for oxítona e o ''I" ou o "U" estiverem em posição final (ou seguidos de S), o acento permanece. Ex.: tuiuiú, tuiuiús, Piauí. 
b) Se o "I" ou o "U" forem precedidos de ditongo crescente, o acento permanece. Ex.: Guaíba, Guaíra
RELEMBRANDO: DITONGO: quando dois sons vocálicos (vogais) estão juntos na mesma sílaba. Ex.: pEIxe, sAUdade, pAIxÃO... 

Para entendermos como acontece a classificação de crescente ou decrescente, temos que saber distinguir uma vogal de uma semivogal. Toda vez que uma vogal está sozinha na sílaba, ela classifica-se como vogal, mas quando ela está junto a outra vogal ela pode ficar em menos evidência, mais “fraca” ou “escondida”, estas são as chamadas semivogais. Ex: APAIXONADO: neste caso a sílaba -PAI- contém duas vogais. A mais aberta ou “forte” é a letra A, enquanto que a letra I é mais fechada e “fraca”. Neste caso, diz-se que é a junção da vogal A + a semivogal I. 

3.2 - Não se usa mais o acento das palavras terminadas em ÊEM e ÔO(s) 

COMO ERA............ COMO FICOU
abençôo.................. abençoo
crêem (v. crer)........ creem
dêem (v. dar).......... deem
enjôo....................... enjoo
lêem (v. ler)............. leem
magôo.....................magoo
perdôo.....................perdoo
povôo...................... povoo
vêem (v. ver)........... veem
vôos........................ voos
zôo.......................... zoo

Por hoje é só; na próxima quarta-feira estudaremos um pouco mais sobre as mudanças nas regras de acentuação, conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

ORIGEM DA FESTA JUNINA - PUBLICADA NO BLOG DA ACLA-

A Academia de Letras e Artes Pedro Simões Neto (ACLA) brinda seus leitores contando as origens dos festejos juninos (Santo Antônio, São João e São Pedro): as quadrilhas, os fogos de artifícios, as comidas típicas, as fogueiras, o vestuário, as músicas.
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Apesar de muito comemorada no Brasil, a Festa Junina tem origem nos países católicos da Europa, que prestavam a sua homenagem a São João, mas lá ela era chamada de Festa Joanina. Aqui no Brasil, a festa tem forte influência indígena e negra. Isso pode ser percebido nas músicas, que são as mesmas que foram cultuadas pelos negros, nos quilombos e nas senzalas, como o xaxado, o coco, o maxixe e até mesmo o próprio forró. Na alimentação, a presença forte do milho, canjica, pamonha, bolo de milho, milho cozido, pé de moleque, entre outras. As comidas típicas também são símbolos juninos, como forma de agradecimento pela fartura nas colheitas, principalmente do milho, a festa se tornou farta em seus deliciosos quitutes

No Brasil, a festa de São João é celebrada desde 1583. As tradições juninas, a Quadrilha, os fogos de artifício, o vestuário e a fogueira, têm origem diversa, conforme veremos a seguir: 
- A QUADRILHA veio da França. Era uma dança com passos inspirados nos bailes da nobreza europeia, surgida nos salões da corte francesa. Era chamada de “quadrille”. Na época da colonização do Brasil, os portugueses trouxeram essa dança, onde os participantes obedecem a um marcador, que usa palavras afrancesadas para indicar o movimento que devem fazer, tais como: “anavantur” (en avant tout), “anarriê” (en derrière), “avancê” (avancer), “balancê” (balancer), etc.). A mistura do linguajar matuto com o francês deu origem ao “matutês”, com humor e sotaque do interior nordestino. Nesta dança, é preciso seguir os comandos todos e no c’est fini das apresentações os casais se despedem acenando ao público. 

- OS FOGOS DE ARTIFÍCIO foram trazidos dos chineses, onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Há também quem diga que é uma forma de agradecer aos deuses pelas boas colheitas. São elementos de proteção, pois espantam os maus espíritos, além de servir para acordar São João com o barulho. 

- OS VESTIDOS RENDADOS e a DANÇA DE FITAS, são uma característica da Península Ibérica, bastante usados em Portugal e na Espanha. 

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas. 
As festas juninas são comemoradas em todo o Brasil, entretanto na região Nordeste – onde chegou através dos padres Jesuítas – estas festas ganham uma grande expressão. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas na região, que servem para manter a agricultura. 

- A FOGUEIRA é o maior símbolo das festas juninas. A história conta que as suas raízes são católicas. Se deriva de um trato feito entre as primas Isabel e Maria. Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte para avisar a Maria do nascimento de São João Batista e assim pedir a sua ajuda. Aqui no Brasil teve o integral apoio dos índios, que já adoravam dançar ao pé do fogo. 
Outros dizem que as fogueiras eram acesas na festa de São João para lembrar que foi ele quem anunciou a vinda de Cristo, o símbolo da luz divina. 

Há ainda quem considere a fogueira uma proteção contra os maus espíritos, que atrapalhavam a prosperidade das plantações. 
Por fim, há aqueles que utilizam a fogueira apenas para se aquecer e unir as pessoas ao seu redor, já que a festa é realizada num mês frio.
As brasas da fogueira também são um exemplo dessas tradições: assim que se apagam, devem ser guardadas. Conservam, desse modo, um poder de talismã que garante uma vida longa a quem segue o ritual. Talvez por isso algumas superstições dizem que faz mal brincar com fogo, urinar ou cuspir nas brasas ou arrumar a fogueira com os pés. 

Em Ceará-Mirim, no sítio Ilha Grande, o seu proprietário, que se chamava João, saudava o santo do seu nome, soltando dezenas de foguetões, dizendo que era pra acordar São João, que dormira o ano inteiro. Ainda nesse sítio costumava-se acender fogueiras, a cada ano maiores. Quando as labaredas da fogueira se apagavam, sobrando as brasas, que eram abanadas para ficar mais acesas, o seu filho, Paulo da Cruz, descalço, passava sobre o braseiro e nunca queimou seus pés.

Também nesse sítio, em homenagem ao São João, adultos e crianças, amigos e filhos dos amigos, moradores e seus filhos também realizavam o culto do batismo, do parentesco (primos) e até casamentos à beira da fogueira.

OBRA E SÍTIOS CONSULTADOS:
Spineli, Maria da Conceição Cruz – MEMÓRIAS DO TIMBÓ, À SOMBRA DA TIMBAUBA