terça-feira, 3 de março de 2015

SOLAR DOS ANTUNES



Artigo do Acadêmico JOSÉ DE ANCHIETA CAVALCANTI (Cadeira número 11), publicado em O GALO – Jornal Cultural, em agosto de 2002.

Ei-lo magnífico, imponente e majestoso, encravado na Praça do Mercado de Ceará-Mirim, abrigando a sede da Prefeitura Municipal.
Construído no auge do ciclo da cana-de-açúcar, seu aspecto retrata um dos períodos mais prósperos da região, quando predominavam os senhores de engenho, dirigindo os destinos do município.

No Solar dos Antunes residiu, parte de sua infância e adolescência, a sinhá-moça que toda Ceará-Mirim conheceu: dona Maria Madalena Antunes Pereira, a qual no seu livro “Oiteiro”, edições Pongetti, teve oportunidade de assim referenciá-lo: 

“O sobrado! Templo que recolheu a velhice e os últimos dias daqueles que me deram o ser. Como esquecê-lo?
De suas amplas janelas contemplei por muitos anos, o esmeraldino brilho dos canaviais e aspirei trazido pelo vento o aroma do fumo das chaminés distantes, círios brancos dispersos na toalha verde do vale, quais turíbulos espargindo por toda parte o incenso do trabalho.

O sobrado exaltado, anos depois, pelos lampejos mentais de Umberto Peregrino, que o frequentou muito jovem, assim como Galdino Lima, marciano Freire, Olavo Montenegro, Raimundo Antunes, João Neto, Alberto Carrilho, Pedro Varela, Nilo Pereira, Aprígio Câmara, Letício de Queiroz e muitos outros, é, hoje, apenas querida mansão vazia e silenciosa sem as antigas reuniões brilhantes e familiares dos seus salões festivos.

Moças e rapazes de duas gerações casaram e envelheceram, dispersando-se o alado bando de pardais alegres, hoje saudosos e tristonhos...
O sobrado! Símbolo de uma modesta grandeza que passou”.

Tive duas tias que por algum ali residiram: Luiza e Anita Cavalcanti e, quando eu as visitava, subia por suas longas e pesadas sacadas, descortinando da ampla sala de jantar a enorme visão do vale rosa-verde que enfeita a silhueta da casa-grande do Guaporé adormecida em seu silêncio centenário. Que cenário maravilhoso!

Houve uma época em que o “Solar dos Antunes”, por concessão de seus herdeiros, serviu para a realização de bailes carnavalescos, recebendo o nome de sobrado Bahia.
Ali se apresentaram os famosos blocos compostos por jovens da melhor sociedade ceará-mirinense que formaram os blocos das “Bahianas”, dirigido por moças da família Gesteira, e as “Havaianas”, comandadas por Cremilda Varela, que em verdadeiro duelo coreográfico desafiaram-se nos salões do velho solar.


Quem for a Ceará-Mirim, não pode deixar de visitá-lo, pois é uma das maiores relíquias do período da aristocracia rural ainda existente.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O CAFÉ E "SEU" CLETO BRANDÃO –



O centro de irradiação das opiniões da cidade concentrava-se no CAFÉ DE CLETO, local onde a “rapaziada” dos vinte aos oitenta anos, jogava sinuca e bilhar, fazia uma fezinha no Pif-Paf, no pôquer ou na sueca e entre uma coisa e outra, sentava-se na calçada para apreciar o movimento da cidade.
O “café” estava estrategicamente plantado na esquina de uma encruzilhada
 formada pelas ruas Pedro Correia (hoje Heráclio Vilar) e São José (hoje Manoel Varela). Para se ir às usinas – as maiores empregadoras da cidade – à estação, ao posto de saúde, ao cinema, ao dentista, ao “Centro Esportivo e Cultural”, à prefeitura ou à igreja, tinha-se que passar em frente ao estabelecimento.
Logo, quem se desse ao “cansativo” trabalho de ficar sentado numa das cadeiras Gerdau na calçada do café, apenas mantendo os olhos abertos, sabia de toda movimentação da cidade. E o que não ficasse muito claro era objeto de uma interpretação científica, em que os relatores dos fatos, valendo-se do método indutivo-dedutivo disseminado pelos filmes de Charlie Chan, o detetive chinês, chegavam logo a uma conclusão satisfatória.
Na verdade, ali se formavam os precursores dos “paparazzi” (que ao invés das máquinas registravam as cenas com os próprios olhos de retinas fotográficas), dos colunistas de fofocas e dos analistas de informações. Mais uma vez o mundo se inclinava ante Ceará-Mirim, pioneira nas artes malicias & maquinações engendradas pela inteligência para socorrer a necessidade. 
O Café de Cleto era ao mesmo tempo o “Grande Ponto”, o Natal Clube, e o “Diário de Natal” de Ceará-Mirim. Dali partiam as notícias que no dia seguinte fariam a delícia da cidade. As análises políticas, os comentários econômicos sobre as moedas correntes da cidade – a cana, o açúcar e a rapadura; os palpites para o jogo do bicho e as cotações da bolsa de cereais, do gado de corte e do cavalo.
O notável estabelecimento era dividido, hipoteticamente, em três departamentos: o sinuca, o bilhar com o serviço de bar sem bebidas alcoólicas, localizado na dependência principal do prédio; a casa de jogo de baralho, em pequena construção anexa ao prédio principal; o posto de observação com a central de informações funcionava na calçada e tinha o maior número de colaboradores.
A direção geral era aparentemente exercida por Cleto Formiga Brandão, um homem boníssimo que, exatamente pela bondade, não dirigia nada, exceto a parte econômica. O complexo sistema de jogo e comunicação tinha vida própria e nada de regras. Cada um se exercia e fazia a sua parte. “Seu” Cleto, pela autoridade moral, sendo uma figura humana estimada por todos, fazia de conta que mandava e orientava.
De fato, pela sua credibilidade ele era apenas uma espécie de fiador, de avalista. A posição de tolerância que a cidade adotava em certos, digamos, exageros, se dava em consideração a “seu” Cleto, que tinha a meninada sob sua proteção, mais pela fidelidade e constância ao seu negócio, que pela concordância à prática da informação. E por achar que a produção de notícias não prejudicava a ninguém, era uma brincadeira inofensiva. 
Com a visão crítica e amadurecida que tenho hoje, elejo o estabelecimento como um dos mais pitorescos centros de tradição do município, comparável, por exemplo, à estação, ao mercado público, ao “centro” – clube social – e seus congêneres, o Náutico e o Ipiranga, ao “Olheiro”...
Por entender assim, registro e resgato a memória dos que fizeram do Café um lugar de tanta descontração e por que não dizer, de bom humor e alegria, nomeando-os. Os participantes do jogo de baralho (década de cinqüenta): Ari e Murilo Pacheco, Dr. Arino Barreto, coronel Manoel Pinto, João Neto, Vicente Barbosa (pai do ilustre Edgar Barbosa), Waldemar de Sá, Antonio Basílio Ribeiro Dantas, Abel Pereira, Manoel Sobral, Almir Varela, Djalma Correia, Benildes Cavalcanti, entre outros.
O dono do Café, CLETO BRANDÃO, um baiano que bebeu da água do lugar e nunca mais saiu de lá. Inteligente, autodidata pós graduado na escola da vida, conhecia como poucos os ofícios da agricultura e da pecuária. Fora formado para observar a retidão do caráter, a honestidade como regra de vida, não apenas um adorno para as aparências. Era um homem espirituoso e uma companhia agradável. Ninguém o via triste ou queixoso. 
Um homem devotado à sua família, sua verdadeira paixão. Num plano inferior, mas também outra razão de alegria, era a sua fazenda, denominada São José mas conhecida como “Comum”, adquirida do cunhado Epitácio Andrade.
Pai de sete filhos, Lucinha (falecida), Gilberto, Heloísa, Zé, Gracinha, Licinha e Tota, marido de Margarida, filho de um dos mais famosos médicos e boêmios da cidade, o baiano-mor Oscar de Castilho Brandão e da sergipana Isaura Formiga, que vieram com a família aquele paraíso. 
Tenho estreita ligação com a família. Gilberto foi meu colega de internato no colégio Marista. Heloisa é minha colega, competente profissional de direito e amiga de infância. O casal Gracinha e Célio foram meus padrinhos de casamento Licinha, artista plástica reconhecida nacionalmente. Lucinha, a mais velha, fazia parte de outra geração e se casou muito nova, não tivemos um relacionamento mais estreito
Povo bom, trabalhador, gente honesta, confiável e inteligente.
Joguei sinuca com Zé Brandão, que era um craque e Tota, ainda menino, já era uma revelação.
“Seu” Cleto era muito estimado porque tratava a todos como se fosse parte de sua família, principalmente os que trabalhavam para ele. Não era do tipo freqüentador de festas, mas do tipo trabalho-casa-trabalho. Exaltado no seu amor por Ceará-Mirim, criticava duramente aqueles que “fugiam” da cidade e iam residir em outros lugares.
Um dia, Deus o convocou para missões mais importantes. 
Com ele se foi um estilo e um modelo. Seu Cleto é daquelas criaturas produzidas numa forja bem antiga, utilizada para formar homens do seu tempo cuja credibilidade dependia de um atributo que hoje não faz mais nenhuma diferença, mas naquela época era indispensável: O CARÁTER.
Só um portador dessa credencial poderia merecer tanta consideração dos seus conterrâneos adotivos, ao ponto de fazê-los absolver os pecadilhos da rapaziada que vivia sob sua proteção.
Se não deixou um patrimônio material compensador, os seus familiares se tornaram herdeiros de uma fortuna hoje pouco encontradiça: O legado de um homem de bem. 

PEDRO SIMÕES (Pedrinho de doutor Percílio, que tem saudosa memória)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

CASA GRANDE DO GUAPORÉ



Artigo do Acadêmico JOSÉ DE ANCHIETA CAVALCANTI (Cadeira número 11), publicado em “O GALO – Jornal Cultural”, de outubro de 2002 e que levamos até vocês, na íntegra.
Encravada em uma protuberância de um terreno que se elevava em frente à encosta de um monte onde se situa a cidade de Ceará-Mirim em uma distância aproximada de dois quilômetros ergue-se ainda majestosa a Casa Grande do Guaporé diante de um imenso mundo verde entrecortado do límpido “rio azul” e acercada de árvores realmente colossais repleta de vasta folhagem, dando ao ambiente clima verdadeiramente paradisíaco.
O fidalgo Dr. Vicente Inácio Pereira era seu proprietário e, ali, realizaram-se acontecimentos da mais alta importância para a sociedade de Ceará-Mirim.
A Casa Grande do Guaporé, possuidora de amplas salas e corredores, prestava-se, maravilhosamente, para tertúlias e saraus, os quais com certa constância eram ali realizados.
Minha falecida sogra Maria Nazaré Antunes Furtado em conversas familiares falou-me várias vezes de tertúlias ali realizadas, assim como dos saraus com a participação da exímia pianista Dona Augusta Pereira, cujas valsas inesquecíveis interpretadas ao piano enchiam o ambiente das mais ternas melodias.
Que passado glorioso o do velho “Guaporé”!
Além das tertúlias familiares onde eram analisados os mais modernos textos da literatura da época houve um acontecimento da maior importância para aquela casa de engenho que foi a recepção feita a D. José, bispo com sede em Recife, mas que supervisionava as paróquias da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
A Casa do Guaporé recebeu com as mais honrosas pompas aquele prelado, quando de sua visita a cidade de Ceará-Mirim, promovendo um lauto almoço para a comitiva visitante chefiada pelo sr. Bispo D. José. Ao almoço estiveram presentes a Exma. Sra. Baronesa de Ceará-Mirim e a Exma. Sra. Dona Isabel, esposa do Dr. Vicente Inácio Pereira e filha da Baronesa.
Comissão de senhoras de fina sociedade local recepcionou o príncipe da Igreja com chuva de pétalas de rosas em meio à beleza do jardim florido sob o espocar de fogos de artifício e ao som da banda de música municipal.
Como que a espreitar toda aquela movimentação, dois galgos de louça branca, quais sentinelas, espreitavam tudo em silêncio.
A Casa Grande do Guaporé viveu, realmente, seus momentos de glória e de fausto, em um período glorioso onde predominou a aristocracia rural.
Porém toda glória tem seu fim e, esse fim vai muito bem retratado nessa frade de Dona Maria Madalena Antunes Pereira:
“Anos depois, entrei pela primeira vez na casa do Guaporé.
Nada mais existia do fausto antigo.
As flores do jardim murcharam como os que lá habitaram.
Apenas os galgos ainda conservavam na fisionomia a ilusão de estar guardando uma riqueza que passou...”.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

EM DEFESA DOS ANIMAIS - PEDRO SIMÕES NETO


"Estou ao lado dos que lutam pela defesa dos animais e da natureza.
Mas, como sempre faço, pauto a minha atuação pelo equilíbrio, sem exageros, nem fanatismos. Meu pai me dizia que o equilíbrio estava no meio e o que ofendia a saúde física e mental era o abuso, nunca o uso.
Amo os animais, especialmente os cachorros, os pássaros, as lagartixas (não tenho explicação para esta última afeição) e os vegetais, em particular as flores. Até onde posso intervir, não permito nenhum saque à natureza. Respeito as rocambolescas investidas do Green Peace em favor das baleias e contra a matança dos animais em geral, das Ongs que recolhem animais abandonados, cuidam das espécies em extinção e montam casas de recuperação para tratar dos bichos feridos. Dedico sincera admiração por aqueles que chegam às lágrimas diante de cenários dramáticos de extinção em massa de algumas espécies e dos que põem em risco a própria vida na defesa desses ideais.
Até concordo com a destinação das reservas ambientais nas áreas potencialmente dedicadas à agricultura e, especialmente, à agricultura de subsistência, embora acredite que o planeta é o habitat do ser humano e que, à parte o exagero ou o abuso, só cumprirá essa função na medida em que é sua serventia.
Afinal, em última análise, não é somente a consciência preservacionista ou o instinto de sobrevivência que nos impele à militância ecológica, é o compromisso que temos com os nossos descendentes de instituir o legado de um mundo defeso do caos.
Mas, creio, no recôndito da minha consciência, que a espécie mais ameaçada é a humana. Porque, desgraçadamente, somos antropófagos. No topo da cadeia alimentar, entretanto, somos dizimados pelos semelhantes. Entredevoramo-nos. Por isso, questiono-me porque não salvamos a espécie sujeita à nossa própria sanha? Precisa de alguma justificativa moral mais vigorosa que a prevenção ao extermínio patrocinado por nós mesmos?
Então? Por que não recolhemos as crianças abandonadas, atiradas nas ruas à própria sorte, porque não alimentamos os que vão morrer de fome porque estão abaixo da linha da pobreza, cuidamos dos que vão a óbito porque não têm assistência médica ou vivem ao relento, sem um teto para morar, os desempregados que morrem de vergonha pela dignidade que lhes foi negada...será que é mais difícil lutar pelos semelhantes?
É possível que haja certa dificuldade em ampará-los, porque, diferentemente dos animais, os seres dessa espécie pensam, reagem, emitem valores às vezes não condizentes com os nossos, ou porque são independentes e valem-se do seu próprio arbítrio. Ao invés, os animais são tão submissos na sua irracionalidade, tão devotados a nós pela sua fidelidade incondicional, tão subservientes aos nossos humores... Já houve quem me mandasse um PPS amostrando as vantagens de se adotar um cãozinho ao invés de decidir-se pelo casamento, exatamente pela máxima sujeição do animal em contraposição à rebeldia das mulheres.
Devemos dotar-nos de uma consciência humanística, e não somente a ecológica. Aprendendo a conhecer, respeitar e conviver com as diferenças existentes entre nós. Exercitar a tolerância e um sincero sentimento de fraternidade. Não temer ficar em “off” em relação aos modismos. É..., porque há quem pense que o humanismo é coisa do passado, é criação ideal dos pensadores medievais, coisa da igreja do Betinho e do Boff, remodelada do Jacques Maritain... uma doença do “esquerdismo” que teima em sobreviver ao maremoto neo-liberal.
Vamos resistir a essas (perdoem-me a expressão) idiossincrasias porque a proposta humanística é boa e tem tudo a ver com a febre salvacionista do planeta defendida pelos ambientalistas.
Comecemos pela adoção de uma nova vertente na temática dos direitos humanos - o estatuto psicossocial das vítimas, a consideração de uma vitimologia, tal como fazemos com os animais, dando precedência às vítimas em confronto com os seus predadores. Por que estar sempre atento à defesa dos direitos dos agressores, sem qualquer consideração aos direitos das vítimas?
Sejam quais forem os transgressores - bandidos, policiais, maridos que agridem as esposas, pais que maltratam e matam os filhos - eles escolheram o seu lado no contexto sócio-humanitário, exatamente à margem da sociedade, e por isso são propriamente denominados marginais. Reconhecê-los como sujeitos de direitos é uma coisa, outra é elegê-los como se fossem eles os agredidos, negligenciando ou subalternizando as verdadeiras vítimas.
Mantendo o foco e guardando as proporções, confundir os extremos seria o mesmo que premiar aquele que executa um animal de estimação, ou o submete a maus tratos, ou o abandona.
(Bem a propósito, só para esclarecer, evitando que se cometa equívocos, o dicionário eletrônico Houaiss, no verbete “vítima”, define-a como sendo: “pessoa ferida, violentada, torturada, assassinada ou executada por outra”, ou, “pessoa que é sujeita a opressão, maus-tratos, arbitrariedades”.)
Perdoem-me os sociólogos, antropólogos, cientistas sociais e economistas, mas cansei-me da tese que nos coloca permanentemente em estado de culpa - aquela que denuncia a sociedade como responsável pela gênese das transgressões. Seria então a injustiça social a criadora dos Frankensteins. Mas, meu Deus do céu, onde há justiça social neste planeta, e se houver um simulacro desse modelo, digam-me se nesse paraíso a criminalidade é inexistente?
Cansei-me também daquela desculpa amarela, que nos é conveniente, segundo a qual cabe aos governos cuidar dos necessitados. Bullshit. Nós somos o governo. Nós somos responsáveis pela tessitura humana semelhante à nossa. Então, façamos a nossa parte, como os defensores da ecologia que não aguardam e não requisitam os governos.
O ser humano é predador por natureza. Foi o processo civilizatório que reprimiu esse instinto, a partir do despertar de um procedimento racional. Mas, dentro de nós mesmos, habita um animal que, feito certas doenças, mantém-se em estado latente, aguardando um momento para se manifestar.
Vamos agir com os humanos como o fazemos em relação aos animais. Avançando, afoitos, contra os predadores, agindo sem preconceitos.
Alguém já discriminou um animal por sua cor – branca, preta, amarela, parda? Por ser macho ou fêmea?
Observe-se que a legislação ambiental é mais severa com os detratores do meio-ambiente que a ordenação criminal com os homicidas, seqüestradores, estupradores, pedófilos e traficantes de drogas.
Essa constatação trouxe-me à memória um episódio ocorrido em pleno Estado Novo. Quando Luiz Carlos Prestes amargava as mais cruéis torturas, confinado a um dos porões da ditadura, o advogado Sobral Pinto, sem alternativas para a defesa do seu cliente, por verificar que os seus pedidos de habeas corpus de nada adiantavam, com a suspensão do Estado de Direito, em desespero, decidiu invocar a Lei de Proteção aos Animais para preservar a incolumidade física do seu maltratado constituinte.
Vamos “adotar” as crianças sem lar, famintas, desamparadas, dedicadas aprendizes da escola do vício e do crime; apoiar o assistencialismo, sim! Por que deixar de dar um pedaço de pão, um copo d´água ou a ajuda financeira para a compra de um remédio aos esmoleres que tanto se curvam à humilhação da mendicância para sobreviverem? Será que aqueles que são implacáveis com os pedintes, chamando-os de vagabundos ou lhes acenando, por pura provocação um serviço doméstico que não tem a intenção de oferecer, fazem o mesmo com os animais abandonados, negam comida e socorro aos gatinhos e cachorros desgarrados, aos peixinhos do aquário?
Que tese “desenvolvimentista” pode prosperar às custas da inanição, e muitas vezes da morte dos necessitados que buscam um socorro imediato para a sua emergência? E, se a morte é anunciada, como a do personagem de Garcia Márquez, por inevitável fatalidade, argumento usado como desculpa útil para os que entendem a inutilidade do apoio, então que ao menos seja adiada. Um dia a mais fará muita diferença para quem não quer morrer.
Recorro sempre a um episódio relatado por Helena, mulher do notável pensador humanista e escritor grego (Cretense) Nikos Kazantzakis, que, em fase terminal de uma leucemia agressiva e impiedosa, teria dito que gostaria de se postar diante de uma imponente catedral para poder esmolar dos transeuntes e fiéis, um minuto de suas vidas, para que tivesse tempo suficiente para concluir a sua obra.
Pedro Simões (Professor de Direito aposentado. Advogado. Escritor. Cristão e Humanista, principalmente)"


Esta foto é da sua cadela Dara, uma akita que morreu no mesmo dia em que ele partiu, a 01/02/2013.

sábado, 27 de dezembro de 2014

NEM LAMPIÃO


Publicado em O JORNAL DE HOJE na coluna Cena Urbana - Jornalista Vicente Serejo




   O que seria mais estapafúrdio para o bravo povo mossoroense se lá chegasse um governador e, de repente, profanasse a catedral de S. Luzia, implodisse o monumento de bronze a Dix-Sept Rosado, degolasse a estátua de Dorian Jorge Freire, ferisse a memória de Jaime Hipólito, duas de suas maiores inteligências, e desrespeitasse o túmulo de Vingt Rosado, no chão sagrado da sua Escola Superior de Agricultura que construiu com as próprias mãos? Certamente, e com razão, seria morto e esconjurado.

            Pois é como se fosse assim, uma estupidez sem limite e intolerável, a decisão da governadora de Mossoró ao fechar a Escola Estadual Manoel Dantas, ali na esquina da Rua Alberto Maranhão com a Av. Prudente de Morais. Pior: a escola foi despejada com aviso ilegal e desrespeitoso que de forma acintosa, ontem de manhã, deu o prazo de cinco dias para ser instalada uma repartição policial numa aula de horror, afinal só um governo celerado tem a coragem de fechar uma escola sem justificativas. 

            A governadora de Mossoró não conhece a nossa história. Não sabe que aquele terreno um dia foi doado para ser a Escola Manoel Dantas, um dos maiores nomes da histórica política e intelectual do Rio Grande do Norte, profeta da cidade, um dos patronos da Academia Norte-Riograndense de Letras e do Instituto Histórico, nome de rua, pioneiro no estudo da história do Rio Grande do Norte e seus municípios, um homem além do seu tempo a registrar a vida e a evolução urbana da sua cidade Natal.

            O governo de Mossoró primeiro tentou vender o Juvenal Lamartine, como se fosse dono do seu destino e de um patrimônio público. Depois, achou pouco, e decidiu que podia vender o Aero Clube e seu chão histórico. Agora, ao apagar dos últimos dias para encerrar o mandato, escolhe um triste fim despejando a Escola Manoel Dantas, depois de abandoná-la por quatro anos. E tudo diante do silêncio das instituições culturais e seus antolhos, apesar de todos os avisos e alertas, inclusive desta coluna.

            E o que diz o famigerado aviso? Simplesmente que a diretora da Escola, sem citar nome, deve seguir ‘os trâmites a fim de garantir a desocupação’ do prédio onde funciona a Escola Estadual Manoel Dantas, localizada nesta capital. E continua: ‘A data agendada é 15 de dezembro’. E ainda acrescenta no seu acinte que deve ser ‘providenciado’ a lista contendo todos os seus equipamentos. E mais uma vez sem citar quem decidiu e quem ordena o abuso, pede as chaves para entregá-las ‘aos cessionários’.

O mais estranho vem agora: quem assina não é a governadora Rosalba Ciarlini ou a secretária da educação, professora Betânia Ramalho. Nem mesmo a chefe de gabinete, Yraguacy Araújo Almeida de Souza. É Maria José Azevedo Abrantes, a quem foi destinada a terrível missão de por sua assinatura no aviso fúnebre que fecha uma escola e desrespeita a memória do grande Manoel Dantas. Nunca um governo foi tão desastroso com nossa história. Quem teria coragem de tanta estupidez? Nem Lampião.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.


         O ano de 2014 está por ser encerrando. Para nós que compomos a diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do RN, consideramos que esse foi um ano bastante profícuo em virtude da realização de inúmeras obras que foram projetadas para este exercício.

         Infelizmente, não conseguimos realizar todos os serviços e aquisições que pretendíamos, simplesmente porque os recursos que estavam destinados para nossa Instituição, através de emendas parlamentares estadual e federal, apenas 20% do montante, ou seja, R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) foram efetivamente liberados em duas parcelas de R$ 100.000,00 (cem mil reais).

         Com pouco dinheiro para realizar tantos sonhos, fomos obrigados a eleger prioridades. Arregaçamos as mangas e partirmos para a luta. Iniciamos com a mudança do piso do auditório que havia afundado e estava com vários de seus ladrilhos danificados em virtude do desnivelamento, como também de inúmeras camadas de cola utilizadas quando das substituições do carpete, material impróprio para o local, mas que disfarçava e escondia a situação precária do piso. O mesmo fato ocorreu com hall de entrada, como também em outras duas salas do imóvel onde foi utilizado paviflex, um revestimento sintético,  para cobrir os ladrilhos danificados.
         Tanto no hall de entrada, como no Salão Nobre, foi colocado um piso de madeira que alterna peças de ipê e amarelo cetim, numa paginação de excelente bom gosto, idealizado pela arquiteta Alenuska Lucena. Parte do piso do referido Salão, composto por ladrilhos hidráulicos Palatinik (não original), ali colocados por volta dos anos 50, está exposto em um quadro de 1,50x1,0 metros, na parede do Instituto com acesso pelo Largo Vicente de Lemos. Quanto ao hall de entrada, a exposição dos ladrilhos ali existentes foram assentados no centro do hall numa área de 1,60x1,60, usando-se a mesma paginação e o mesmo tipo de madeira.

         No Salão Nobre colocamos cortinas novas em três paredes e recuperamos os móveis existentes, birôs, púlpito, consolos, estantes e seis cadeiras que compunham a mesa diretora, algumas delas já fazendo parte de material sem serventia, e sem qualquer condições de uso. Quanto às seis cadeiras já referidas, a recuperação foi elaborada por profissional de comprovada competência, inclusive, fazendo devolver às centenárias cadeiras, o mesmo material com que havia sido confeccionado, ou seja, assento e encosto de couro animal.


        Adquirimos 80 poltronas acolchoadas e escamoteadas, próprias para auditório, sendo 10 para canhotos e cinco para obesos, de acordo com a legislação vigente.

        No prédio principal recuperamos o telhado e o sistema de drenagem de água de chuvas que vinha causando infiltrações. Recuperamos, também, o sistema elétrico, hidráulico e hidrossanitário. Refizemos todo o lavabo com mudança do piso, revestimento das paredes, mudança das peças sanitárias, ferragens iluminação e porta. Pintura total do prédio principal inclusive portas, janelas e grades externas. Recuperação de inúmeras janelas e portais danificados pela ação dos cupins. Colocação de três conjuntos de portas duplas de vidros com molas automáticas para dar condição de climatização ao auditório, salas de pesquisas, e hall de entrada. Instalação de dois aparelhos de ar condicionado com capacidade de 60 e 50 mil BTUs respectivamente, estes doados pelo SEBRAE, na pessoa do seu presidente José Ferreira de Melo, e adquirimos mais outro aparelho splint que foi instalado na antiga sala da presidência, que sofreu reforma para ser utilizada por estagiários, inicialmente para a catalogação do acervo e posterior digitalização.

         Adquirimos e instalamos dois sistemas de segurança com 11 câmaras, sendo sete no prédio principal e quatro no prédio anexo (Memorial Oriano de Almeida), local de trabalho da Diretoria, com monitoramento à distância, e mais 25 sensores de presença, distribuídos nos dois prédios e no Largo Vicente de Lemos.

        Instalamos um sistema de irrigação automatizado para os jardins localizados no referido Largo. Tanto os jardins como a iluminação natalina foram elaborados pela Prefeitura Municipal do Natal, através da SENSUR, por solicitação ao secretário Ranieri Barbosa, inegavelmente um grande parceiro, sempre se mostrando sensível às nossas reivindicações.
  
       Com a SEMOB, através de sua titular, Dra. Elequicina Santos, a demarcação de espaço em frente ao prédio principal, para embarque e desembarque de pessoas que visitantes e pesquisam o acervo do IHGRN, evitando-se, assim, acidentes indesejáveis.

Recentemente ocorreu o coroamento do nosso esforço quando no último dia 10 de dezembro, os jardins do Largo Vicente de Lemos, em bonita noite de festa, recebeu autoridades e amigos do confrade e secretário geral do IHGRN, escritor Carlos Roberto de Miranda Gomes, que autografou centenas de livros de sua autoria denominado “O MENINO DO POEMA DE CONCRETO”. Este livro foi escrito em homenagem ao seu irmão mais velho, o consagrado arquiteto e urbanista Moacyr Gomes da Costa, consolidando, assim, a utilização do espaço totalmente recuperado, sendo considerado pelos presentes como um dos melhores e mais bonitos da cidade para eventos dessa natureza.

         A liberação do restante das verbas que foram destinadas no valor de R$ 230.000,00 (duzentos e trinta mil reais), dependiam, apenas, de autorização governamental, o que não ocorreu. Aliás, isso é rotineiro, quando está em evidência a valorização da cultura, fato que é comum aos governantes em todos os níveis administrativos, com raríssimas exceções.
         Esses recursos serviriam, ainda, para a construção de outro lavabo destinado a pessoas do sexo feminino, já que a legislação vigente exige que em prédios públicos sejam dotados de lavabos para ambos os sexos. Além disso, havia necessidade da recuperação do piso de duas salas atualmente cobertas com paviflex, como também da aquisição de diversos materiais necessários ao bom funcionamento da Instituição.

         O acervo, razão maior da existência do IHGRN, continua em péssimo estado de conservação. Grande parte do material, de inestimável valor histórico, pela falta de manutenção e de acondicionamento, já está em fase de degradação, e alguns, infelizmente irrecuperáveis. Até o momento não foi possível organizar de forma adequada o referido acervo. A digitalização, única maneira de salvar o que ainda é possível, juntamente com a recuperação e restauração de documento e obras, alguns raras, carece de recursos. Não poderemos pensar em digitalização do acervo, sem a aquisição de no mínimo três scannres. O nosso projeto de emenda parlamentar federal estipulada no valor de R$ 550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais) contempla os referidos scanners, ao custo total de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). O restante se destinaria à aquisição de estantes deslizantes, próprias para acondicionar, com dignidade, o valioso acervo, pois na Instituição há carência de espaço. Atualmente, a maior parte do acervo se encontra entulhado em estantes inadequadas ou em cima de cadeiras velhas encostadas nas paredes. 

         Até quando os poderes constituídos e a sociedade vai permitir que a “Casa da Memória” continue com seu acervo nessa vergonhosa situação de penúria? Já provamos que podemos e sabemos administrar essa secular Instituição. O valor que conseguimos liberar para realizar todas as obras aqui descritas, parcos duzentos mil reais, foram arrancados quase a fórceps e de forma fatiada.


        Por fim, registramos nossos agradecimentos a todos aqueles que de maneira desprendida e altaneira, nos ajudaram com doações de equipamentos e, principalmente, com palavras de incentivo. Aos derrotistas e aos que se escondem atrás de denúncias anônimas, aos oportunistas que julgam sem conhecimento de causa e aos que apostam no insucesso, também agradecemos, pois, essas atitudes mesquinhas impulsionaram a Diretoria a cumprir a nobre missão, de forma prazerosa e voluntária.

domingo, 14 de dezembro de 2014

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN -


APÓS 112 ANOS DE EXISTÊNCIA, O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN E O LARGO VICENTE DE LEMOS, INAUGURAM SUA ILUMINAÇÃO NATALINA  


O JARDIM FOI TOTALMENTE REFEITO COM PLANTAS        DE FOLHAGEM COLORIDAS E INSTALADO UM MODERNO SISTEMA AUTOMATIZADO DE IRRIGAÇÃO 


 EM DESTAQUE O AVARANDADO DO LARGO VICENTE    DE LEMOS, CIRCULADO COM MANGUEIRAS COM ILUMINAÇÃO DE LED.

      A ILUMINAÇÃO NAS PALMEIRAS E NO PAUS BRASIL



             
                        EM DESTAQUE A COLUNA CAPITOLINA

O GRADIL QUE DIVIDE O ANTIGO PALÁCIO POTENGI, ATUALMENTE  PINACOTECA DO ESTADO, DO LARGO VICENTE DE LEMOS.


O IHGRN TOTALMENTE PINTADO, INTERNO E EXTERNAMENTE, INCLUSIVE PORTAS JANELAS E GRADES DE FERRO.








PORTAS E JANELAS CONTORNADAS COM MANGUEIRA ILUMINADAS 

               RESPEITO E DIGNIDADE PARA A 
                        "CASA DA  MEMÓRIA"


sábado, 22 de novembro de 2014

A PRAÇA ANDRÉ DE ALBUQUERQUE PEDE SOCORRO


... adeus, minha praça onze, adeus, já sabemos que vais desaparecer
leva contigo a nossa recordação, mas ficarás eternamente em nosso coração
e algum dia nova praça nós teremos e o teu passado cantaremos.
(Erivelto Martins)


        É com imensa tristeza que vejo a maioria de nossas praças em estado de penúria e extremo abandono. Abandono esse que não se prende somente a parte física, e sim o abandono da nossa própria história. Nesse caso, a história desse herói chamado André de Albuquerque Maranhão, senhor do engenho Cunhaú, Cavaleiro da Casa Real, coronel comandante da Divisão do Sul, que em 1817, também lutou ao lado dos revoltosos na Revolução Pernambucana.
                      André de Albuquerque Maranhão

        Chefiou a Revolução no Rio Grande do Norte e lutou ao lado do padre Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida Castro) na derrubada do governador José Inácio Borges. Dirigiu a cidade por um período compreendido entre 29 de março e 25 de abril de 1917, tendo sido deposto após a derrota de Pernambuco o que resultou no enfraquecimento do movimento. Foi preso no Forte dos Reis Magos onde veio a falecer.
     
                     Fuzilamento do Padre Miguelinho 

   A praça criada em 1818, por iniciativa da Câmara Municipal de Natal, que, naquela ocasião, renomeava a antiga Rua Grande para o nome atual.
        Desde o Século XIX, a praça sofreu alterações dos mais diversos governos, modificando seu paisagismo, acrescentando monumentos, aparelhos públicos etc. Em 12 de junho de 1937, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte inaugurou um monumento aos heróis da Revolução de 1817. O projeto da estátua coube aos engenheiros André Rebouças e Willy Fischer, que foram contratados pelo próprio Instituto Histórico e Geográfico para esse fim.
        Matriz Velha                                                         
                                                                 IHGRN e Matriz Velha
        Memorial Câmara Cascudo                            
        Aquele local considerado o marco zero, nascedouro de nossa cidade, ladeado pela Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, também conhecida como Igreja Matriz ou Catedral Velha, o Instituto Histórico e Geográfico, o museu Câmara Cascudo, prédio que outrora abrigou a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional, a Igreja de Santo Antônio (Igreja do Galo), que forma com outros prédios históricos o corredor cultural da cidade, chão abençoado dos nossos antepassados.
                        Igreja de Santo Antônio - Igreja do Galo

        Desde a eleição da atual diretoria do IHGRN, ocorrida em março de 2013, compareço à instituição juntamente com alguns de seus membros, de segunda a sexta-feira e, às vezes, nos fins de semana, numa cruzada sem trégua na luta para preservar as instalações físicas e o rico acervo documental do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, com mais de 300 anos de história que abrange os períodos imperial, colonial e republicano. Tal circunstância me levou a convivência diária com essa incômoda e revoltante situação.
   Instituto Histórico e Geográfico do R.N.

        A praça se encontra em total abandono. Há tempos foi tomada de assalto pela marginalidade do centro da cidade. Seus atuais frequentadores são flanelinhas, prostitutas, mendigos, traficantes e usuários que fizeram daquele local “minha praça, minha vida”. Lá eles tomam banho, exercem seu comércio ilegal, lavam suas roupas e as estendem por cima das poucas plantas que ainda resistem, além de utilizá-la como sanitário e não raro, também motel.
                                                                 


       Os mendigos incomodam os poucos transeuntes que por desconhecimento do perigo, coragem ou mesmo necessidade, cruzam por seus passeios. Ladrões abordam suas vítimas em plena luz do dia na certeza da impunidade. Os canteiros onde outrora eram ocupados com jardins floridos e bem cuidados, há anos desapareceram. Em seu lugar, podemos ver somente o chão de terra batida, que nas quintas-feiras é palco para um público de comportamento duvidoso que se diverte ao som de grupos musicais da periferia. Nesse ambiente, onde boa parte de seus frequentadores são menores de idade, a festa é regada a drogas e álcool, para a alegria dos comerciantes e fornecedores desses produtos. Ao amanhecer podemos ver alguns funcionários da Prefeitura limpando o local. Latas e garrafas de todo tipo de bebida são empilhadas em vários cantos da praça aguardando a remoção pelo poder público.

        Durante o dia, principalmente no turno da manhã, é comum se ver vários adolescentes com farda de seus colégios, com seus namorados de sexo oposto e também do mesmo sexo, que teimam em gazear as aulas, em troca de um novo aprendizado com aulas mais calientes. Por sua vez, os traficantes aguardam pacientemente seus clientes, sentados à sombra das árvores em bancos de cimento, pois os de madeira, por falta de manutenção, já não se prestam a finalidade a que foram ali colocados. Isso tudo acontece bem vizinho ao prédio do Tribunal de Justiça e ao primeiro Distrito Policial.
       Prédio do Tribunal de Justiça do RN
       
Os pedintes circulam ao seu derredor principalmente na área próxima a igreja, em maior número nessa época em que se comemora o aniversário de sua padroeira - Nossa Senhora da Apresentação.

        Alheio a tudo isso, empoleirados nas copas das centenárias árvores que adornam aquele logradouro, os sanhaços, bem-te-vis, cebites, e outros pássaros cantantes gorjeiam suas melodias maravilhosas saudando o milagre de mais um o dia que se inicia, na esperança de que, muito em breve, a Praça volte a ser o que o que fora antigamente, E, assim, nos poupar do vexame que passamos todas as vezes que temos que informar aos turistas e visitantes do IHGRN, onde nasceu nossa querida cidade de Natal.

       Vivemos em uma cidade que pouco tem se preocupado com a preservação de sua memória. O bairro da Ribeira, por exemplo, onde se concentra o maior acervo de prédios históricos da cidade, palco de grandes acontecimentos no século passado, apesar de tímidas tentativas de revitalizá-lo, continua “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

                                           
                                                                     

   

 De minha parte, só restam às boas lembranças dos anos 50 quando, nessa mesma época, meus pais me lavavam para assistir a famosa Festa da Mocidade. Ali todo ano era armado o parque São Luiz, de Severino Francisco, num parceria com a Igreja, para animar a quermesse. As famílias passeavam em torno da praça ou simplesmente sentadas em cadeiras nas calçadas, assistiam a tudo ao som das amplificadoras onde os namorados ou os pretensos, ofereciam musicas diversa, tipo: “de um alguém para outro alguém”, ou dos dobrados e retretas executadas pela banda da gloriosa Policia Militar, acomodada no majestoso coreto que se destacava no centro da praça, infelizmente destruído pela insensatez dos nossos gestores públicos. 

domingo, 9 de novembro de 2014

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN EMPOSSA 28 NOVOS SÓCIOS



Numa noite memorável, a Centenária Casa da Memória Histórica 

do Rio Grande do Norte, realizou uma sessão especial e solene, 

reabrindo as suas portas à comunidade pesquisadora.
        Logo à porta de entrada se postou a Banda de Música da nossa Gloriosa Polícia Militar, que brindou a todos com inúmeros dobrados e marchas tradicionais.
          
Rigorosamente às 20 horas, sob a Presidência do Escritor 

VALÉRIO MESQUITA, teve início à sessão solene do dia 05 de 

novembro corrente, com a presença de Autoridades, dos novos 

sócios e suas famílias e de uma grande assistência, que lotou o 

Salão Nobre e o Largo Vicente Lemos, que permitiu o 

acompanhamento através de um telão.

             ADVOGADO  EIDER FURTADO - DECANO DA CASA DA MEMÓRIA 

Após a composição da Mesa e palavras iniciais do Presidente, foi executado o Hino Nacional Brasileiro, pela briosa Banda de Música da Polícia Militar do Estado.
Em nome do IHGRN, saudando os empossandos, falou o Diretor Orador 
JOSÉ ADALBERTO TARGINO ARAÚJO. 




Em seguida ocorreu a entrega dos diplomas e, em nome dos empossandos, usou da palavra o novo sócio FRANCISCO DE ASSIS CÂMARA, proferindo um discurso marcante.

Vice Presidente Ormuz Simonetti entrega o DIPLOMA de sócio correspondente ao genealogista Carlos Alberto Dantas Moura residente no Rio de Janeiro-RJ

   Ormuz Simonetti entrega o DIPLOMA de Sócio Efetivo ao escritor              Augusto Coelho Leal.


     Recebendo o DIPLOMA de Sócio Efetivo o advogado Adilson Gurgel de Castro.

     Recebendo o DIPLOMA de Sócio Efetivo o Presidente da UBE- União Brasileira de Escritores-RN, Roberto Lima de Souza 


     Ormuz Simonetti e sua esposa Geiza Galvão B. Simonetti 


   Vice Presidente Ormuz Simonetti, empossada como sócia efetiva Maria Conceição Maciel de Figueredo, Lúcia Helena, co Conselho Fiscal do IHGRN.  

Na sequência dos trabalhos houve o lançamento do livro do consagrado Jurista, Político e Humanista AUGUSTO TAVARES DE LIRA sobre a "História do Rio Grande do Norte", edição do Senado Federal.
Encerrada a sessão, o Presidente convidou os presentes para o recital do Grupo Musical "UFRN CELOS" no alto do espaço Vicente Lemos, tendo sido executadas cinco peças eruditas.

Graco Aurélio C. de Melo Viana, recebe o DIPLOMA de Sócio Efetivo do confrade Ormuz Simonetti.


O CERIMONIAL foi impecavelmente conduzido por Ana Grova, da Prefeitura Municipal do Natal.
Ao final, foi servido um coquetel aos presentes.

Tudo dentro do "figurino", deixando a Diretoria e Conselho Fiscal plenamente satisfeitos com o resultado do prestígio da sociedade para com a Casa da Memória.