domingo, 14 de dezembro de 2014

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN -


APÓS 112 ANOS DE EXISTÊNCIA, O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN E O LARGO VICENTE DE LEMOS, INAUGURAM SUA ILUMINAÇÃO NATALINA  


O JARDIM FOI TOTALMENTE REFEITO COM PLANTAS        DE FOLHAGEM COLORIDAS E INSTALADO UM MODERNO SISTEMA AUTOMATIZADO DE IRRIGAÇÃO 


 EM DESTAQUE O AVARANDADO DO LARGO VICENTE    DE LEMOS, CIRCULADO COM MANGUEIRAS COM ILUMINAÇÃO DE LED.

      A ILUMINAÇÃO NAS PALMEIRAS E NO PAUS BRASIL



             
                        EM DESTAQUE A COLUNA CAPITOLINA

O GRADIL QUE DIVIDE O ANTIGO PALÁCIO POTENGI, ATUALMENTE  PINACOTECA DO ESTADO, DO LARGO VICENTE DE LEMOS.


O IHGRN TOTALMENTE PINTADO, INTERNO E EXTERNAMENTE, INCLUSIVE PORTAS JANELAS E GRADES DE FERRO.








PORTAS E JANELAS CONTORNADAS COM MANGUEIRA ILUMINADAS 

               RESPEITO E DIGNIDADE PARA A 
                        "CASA DA  MEMÓRIA"


sábado, 22 de novembro de 2014

A PRAÇA ANDRÉ DE ALBUQUERQUE PEDE SOCORRO


... adeus, minha praça onze, adeus, já sabemos que vais desaparecer
leva contigo a nossa recordação, mas ficarás eternamente em nosso coração
e algum dia nova praça nós teremos e o teu passado cantaremos.
(Erivelto Martins)


        É com imensa tristeza que vejo a maioria de nossas praças em estado de penúria e extremo abandono. Abandono esse que não se prende somente a parte física, e sim o abandono da nossa própria história. Nesse caso, a história desse herói chamado André de Albuquerque Maranhão, senhor do engenho Cunhaú, Cavaleiro da Casa Real, coronel comandante da Divisão do Sul, que em 1817, também lutou ao lado dos revoltosos na Revolução Pernambucana.
                      André de Albuquerque Maranhão

        Chefiou a Revolução no Rio Grande do Norte e lutou ao lado do padre Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida Castro) na derrubada do governador José Inácio Borges. Dirigiu a cidade por um período compreendido entre 29 de março e 25 de abril de 1917, tendo sido deposto após a derrota de Pernambuco o que resultou no enfraquecimento do movimento. Foi preso no Forte dos Reis Magos onde veio a falecer.
     
                     Fuzilamento do Padre Miguelinho 

   A praça criada em 1818, por iniciativa da Câmara Municipal de Natal, que, naquela ocasião, renomeava a antiga Rua Grande para o nome atual.
        Desde o Século XIX, a praça sofreu alterações dos mais diversos governos, modificando seu paisagismo, acrescentando monumentos, aparelhos públicos etc. Em 12 de junho de 1937, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte inaugurou um monumento aos heróis da Revolução de 1817. O projeto da estátua coube aos engenheiros André Rebouças e Willy Fischer, que foram contratados pelo próprio Instituto Histórico e Geográfico para esse fim.
        Matriz Velha                                                         
                                                                 IHGRN e Matriz Velha
       
Memorial Câmara Cascudo                            
        Aquele local considerado o marco zero, nascedouro de nossa cidade, ladeado pela Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, também conhecida como Igreja Matriz ou Catedral Velha, o Instituto Histórico e Geográfico, o museu Câmara Cascudo, prédio que outrora abrigou a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional, a Igreja de Santo Antônio (Igreja do Galo), que forma com outros prédios históricos o corredor cultural da cidade, chão abençoado dos nossos antepassados.
                        Igreja de Santo Antônio - Igreja do Galo

        Desde a eleição da atual diretoria do IHGRN, ocorrida em março de 2013, compareço à instituição juntamente com alguns de seus membros, de segunda a sexta-feira e, às vezes, nos fins de semana, numa cruzada sem trégua na luta para preservar as instalações físicas e o rico acervo documental do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, com mais de 300 anos de história que abrange os períodos imperial, colonial e republicano. Tal circunstância me levou a convivência diária com essa incômoda e revoltante situação.
   Instituto Histórico e Geográfico do R.N.

        A praça se encontra em total abandono. Há tempos foi tomada de assalto pela marginalidade do centro da cidade. Seus atuais frequentadores são flanelinhas, prostitutas, mendigos, traficantes e usuários que fizeram daquele local “minha praça, minha vida”. Lá eles tomam banho, exercem seu comércio ilegal, lavam suas roupas e as estendem por cima das poucas plantas que ainda resistem, além de utilizá-la como sanitário e não raro, também motel.
                                                                 


       Os mendigos incomodam os poucos transeuntes que por desconhecimento do perigo, coragem ou mesmo necessidade, cruzam por seus passeios. Ladrões abordam suas vítimas em plena luz do dia na certeza da impunidade. Os canteiros onde outrora eram ocupados com jardins floridos e bem cuidados, há anos desapareceram. Em seu lugar, podemos ver somente o chão de terra batida, que nas quintas-feiras é palco para um público de comportamento duvidoso que se diverte ao som de grupos musicais da periferia. Nesse ambiente, onde boa parte de seus frequentadores são menores de idade, a festa é regada a drogas e álcool, para a alegria dos comerciantes e fornecedores desses produtos. Ao amanhecer podemos ver alguns funcionários da Prefeitura limpando o local. Latas e garrafas de todo tipo de bebida são empilhadas em vários cantos da praça aguardando a remoção pelo poder público.

        Durante o dia, principalmente no turno da manhã, é comum se ver vários adolescentes com farda de seus colégios, com seus namorados de sexo oposto e também do mesmo sexo, que teimam em gazear as aulas, em troca de um novo aprendizado com aulas mais calientes. Por sua vez, os traficantes aguardam pacientemente seus clientes, sentados à sombra das árvores em bancos de cimento, pois os de madeira, por falta de manutenção, já não se prestam a finalidade a que foram ali colocados. Isso tudo acontece bem vizinho ao prédio do Tribunal de Justiça e ao primeiro Distrito Policial.
       Prédio do Tribunal de Justiça do RN
       
Os pedintes circulam ao seu derredor principalmente na área próxima a igreja, em maior número nessa época em que se comemora o aniversário de sua padroeira - Nossa Senhora da Apresentação.

        Alheio a tudo isso, empoleirados nas copas das centenárias árvores que adornam aquele logradouro, os sanhaços, bem-te-vis, cebites, e outros pássaros cantantes gorjeiam suas melodias maravilhosas saudando o milagre de mais um o dia que se inicia, na esperança de que, muito em breve, a Praça volte a ser o que o que fora antigamente, E, assim, nos poupar do vexame que passamos todas as vezes que temos que informar aos turistas e visitantes do IHGRN, onde nasceu nossa querida cidade de Natal.

       Vivemos em uma cidade que pouco tem se preocupado com a preservação de sua memória. O bairro da Ribeira, por exemplo, onde se concentra o maior acervo de prédios históricos da cidade, palco de grandes acontecimentos no século passado, apesar de tímidas tentativas de revitalizá-lo, continua “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

                                           
                                                                     

   

 De minha parte, só restam às boas lembranças dos anos 50 quando, nessa mesma época, meus pais me lavavam para assistir a famosa Festa da Mocidade. Ali todo ano era armado o parque São Luiz, de Severino Francisco, num parceria com a Igreja, para animar a quermesse. As famílias passeavam em torno da praça ou simplesmente sentadas em cadeiras nas calçadas, assistiam a tudo ao som das amplificadoras onde os namorados ou os pretensos, ofereciam musicas diversa, tipo: “de um alguém para outro alguém”, ou dos dobrados e retretas executadas pela banda da gloriosa Policia Militar, acomodada no majestoso coreto que se destacava no centro da praça, infelizmente destruído pela insensatez dos nossos gestores públicos. 

domingo, 9 de novembro de 2014

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN EMPOSSA 28 NOVOS SÓCIOS



Numa noite memorável, a Centenária Casa da Memória Histórica 

do Rio Grande do Norte, realizou uma sessão especial e solene, 

reabrindo as suas portas à comunidade pesquisadora.
        Logo à porta de entrada se postou a Banda de Música da nossa Gloriosa Polícia Militar, que brindou a todos com inúmeros dobrados e marchas tradicionais.
          
Rigorosamente às 20 horas, sob a Presidência do Escritor 

VALÉRIO MESQUITA, teve início à sessão solene do dia 05 de 

novembro corrente, com a presença de Autoridades, dos novos 

sócios e suas famílias e de uma grande assistência, que lotou o 

Salão Nobre e o Largo Vicente Lemos, que permitiu o 

acompanhamento através de um telão.

             ADVOGADO  EIDER FURTADO - DECANO DA CASA DA MEMÓRIA 

Após a composição da Mesa e palavras iniciais do Presidente, foi executado o Hino Nacional Brasileiro, pela briosa Banda de Música da Polícia Militar do Estado.
Em nome do IHGRN, saudando os empossandos, falou o Diretor Orador 
JOSÉ ADALBERTO TARGINO ARAÚJO. 




Em seguida ocorreu a entrega dos diplomas e, em nome dos empossandos, usou da palavra o novo sócio FRANCISCO DE ASSIS CÂMARA, proferindo um discurso marcante.

Vice Presidente Ormuz Simonetti entrega o DIPLOMA de sócio correspondente ao genealogista Carlos Alberto Dantas Moura residente no Rio de Janeiro-RJ

   Ormuz Simonetti entrega o DIPLOMA de Sócio Efetivo ao escritor              Augusto Coelho Leal.


     Recebendo o DIPLOMA de Sócio Efetivo o advogado Adilson Gurgel de Castro.

     Recebendo o DIPLOMA de Sócio Efetivo o Presidente da UBE- União Brasileira de Escritores-RN, Roberto Lima de Souza 


     Ormuz Simonetti e sua esposa Geiza Galvão B. Simonetti 


   Vice Presidente Ormuz Simonetti, empossada como sócia efetiva Maria Conceição Maciel de Figueredo, Lúcia Helena, co Conselho Fiscal do IHGRN.  

Na sequência dos trabalhos houve o lançamento do livro do consagrado Jurista, Político e Humanista AUGUSTO TAVARES DE LIRA sobre a "História do Rio Grande do Norte", edição do Senado Federal.
Encerrada a sessão, o Presidente convidou os presentes para o recital do Grupo Musical "UFRN CELOS" no alto do espaço Vicente Lemos, tendo sido executadas cinco peças eruditas.

Graco Aurélio C. de Melo Viana, recebe o DIPLOMA de Sócio Efetivo do confrade Ormuz Simonetti.


O CERIMONIAL foi impecavelmente conduzido por Ana Grova, da Prefeitura Municipal do Natal.
Ao final, foi servido um coquetel aos presentes.

Tudo dentro do "figurino", deixando a Diretoria e Conselho Fiscal plenamente satisfeitos com o resultado do prestígio da sociedade para com a Casa da Memória.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PRONTO PARA FAZER HISTÓRIA

Publicação: 2014-10-21 - TRIBUNA DO NORTE - CADERNO VIVER


Yuno Silva
Repórter

O acervo  da mais antiga instituição cultural do Estado ainda não está disponível para pesquisa, mas a estrutura física do Instituto Histórico e Geográfico do RN apresenta nítidos sinais de recuperação: as infiltrações foram sanadas, as cadeiras e o piso do auditório substituídos, parte dos móveis antigos estão restaurados, o banheiro foi refeito e a parte externa ganhou mais que uma mão de tinta. Embora seu funcionamento não esteja pleno, as portas voltaram a abrir e a equipe já trabalha na limpeza de livros e documentos antigos que que remontam a época das Capitanias do Brasil Colônia. A reestruturação do prédio é a primeira etapa do projeto de modernização da entidade.

No próximo dia 5 de novembro, a diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do RN promove evento que pontua a reabertura oficial do lugar. Também em novembro, em data não definida, a entidade abriga lançamento do livro “1964 na Visão do Ministro do Trabalho de João Goulart”, do político e ex-ministro Almino Monteiro Álvares Affonso, neto de é neto do ex-Senador Almino Álvares Affonso, família que traz em sua raiz genealógica origem potiguar.

“Agora nossa expectativa é quanto a liberação de mais recursos, firmados em convênio e emendas parlamentares, para avançarmos na organização e digitalização do acervo”, disse Ormuz Barbalho Simonetti, vice-presidente do Instituto Histórico. Ele explicou que os serviços em curso no IHGRN foram realizados com os R$ 200 mil liberados pelo Governo do RN, ou metade do valor da emenda parlamentar aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa.

Com o dinheiro que resta em caixa, o troco desses R$ 200 mil liberados pelo Governo do RN, a direção da entidade pretende instalar uma plataforma para tornar o Instituto completamente acessível e promover melhorias no sistema hidráulico. O novo paisagismo do jardim está à cargo da Prefeitura/Semsur.

Além do restante da emenda parlamentar (aprovada pela AL) a ser repassada pelo Estado, ou outros R$ 200 mil que segundo Ormuz “estão previstos no orçamento, empenhados e devem, no mínimo, entrar na lista de restos a pagar para o próximo ano”, a direção do IHGRN também quer garantir mais R$ 30 mil destinados ao Instituto pelo Município, via emenda na Câmara de Vereadores. “Como o Instituto não possui renda própria, temos que aguardar”, informou.

Simonetti lembrou que há ainda R$ 550 mil aprovados pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), que suspendeu a tramitação do processo devido o período eleitoral, para viabilizar a catalogação e a digitalização do acervo; e um convênio com a Secretaria Estadual de Educação para aquisição de estantes deslizantes que irão otimizar o espaço e a organização do acervo.

O projeto de modernização do IHGRN está previsto para ser concluído em quatro anos, e nos planos para 2014 consta formalização da parceria técnica com o Departamento de História da UFRN. O Instituto Histórico e Geográfico do RN acumula 112 anos fundação. Em 1984, foi tombado pelo patrimônio histórico.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS - (IGREJA DOS MORMÓNS)


O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA E O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN ESTARÃO PRESENTE A FEIRA.

PROGAMA



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

OS PÁSSAROS VOLTARAM



Na minha infância, na cidade de Natal, recordo que gostava de admirar, nas manhãs ensolaradas, uma grande diversidade de pássaros que cantavam nos pés de ficus benjamina que adornavam e arborizavam a Av. Deodoro da Fonseca, onde residia com minha família na casa de número 622. Cantavam e nidificavam naquelas árvores, entretanto, eram bem mais “ariscos” dos que os de hoje. Naquela época, os garotos se divertiam puxando “carrinhos” feitos com latas de leite vazias que eram cheias com areia, ou com carros feitos de madeira que eram confeccionados por nós mesmos. A madeira era obtida no antigo Armazém Natal que ficava na esquina da Av. Rio Branco com a Rua Ulisses Caldas. Esse tipo de trabalho de fazer os próprios brinquedos ajudava a desenvolver a criatividade e a habilidade com as primeiras ferramentas, além do apego e amor aquele brinquedo. Os carros ou caminhões mais sofisticados tinham as rodas cobertas com tiras de borracha e os feixes de molas eram feitos com aspas de ferro, muito utilizadas na época, nas embalagens que chegavam ao comércio. Recordo de Alzir, um garoto mais velho que nós, morador da Rua Coronel Cascudo, que se tornara exímio artesão, confeccionando belos jeeps e caminhões de duas “boleias”. Também brincávamos de bolinhas do gude (bolinha à vera!); com rodas de ferro, que eram empurradas e equilibradas com um arame de ponta envergada etc., porém, o brinquedo mais utilizado eram as temidas baladeiras.
        
Estilingue ou baladeira compunha-se de um gancho de madeira em forma de Y que eram retirados de árvores como o fícus Benjamina e das goiabeiras, considerados os melhores. Nas extremidades superiores amarravam-se duas tiras de borracha com média de 20 cm de comprimento por 1,5 cm de largura, retiradas de velhas câmaras de ar ou compradas no antigo mercado municipal na Av. Rio Branco, onde hoje funciona o Banco do Brasil. Na outra extremidade as tiras eram presas a um pedaço de couro ou sola, que conseguíamos com um antigo sapateiro que tinha sua oficina na Rua Princesa Isabel.  A baladeira era um brinquedo possuído e desejado pela maioria dos garotos daquela época. Tinha lugar de destaque nas perigosas guerras que fazíamos contra meninos de outras ruas. Por exemplo: Av. Deodoro versus Rua Felipe Camarão. Av. Deodoro contra a Travessa Camboim, do temido “Canteiro”, famoso personagem que metia medo nos garotos da época, por ser muito brigão, e diziam que sempre andava armado com um canivete.

Nesses combates utilizávamos seixos (pedra rolada) que considerávamos “munição real”. Quando a disputa era apenas diversão entre meninos da Av. Deodoro, utilizávamos apenas munição de “festim” que era os frutos ainda verdes da mamona – carrapateira -, muito abundantes nos terrenos baldios e que nunca machucavam, pois só podiam ser atiradas a distâncias consideradas seguras. Mas, aqui confesso envergonhado “mea culpa”, pois, também a utilizei em diversas ocasiões, contra as indefesas aves, pois, o único pecado que elas cometiam era cantar. E ao fazê-lo, eram facilmente localizadas entre as folhagens das árvores e abatidas com as certeiras pedras que atirávamos pelo simples fato de testar a pontaria, nas inconsequentes brincadeiras de criança.    

Naquela época as residências costumavam ter em seus quintais, além dos galinheiros onde as “penosas” eram cevadas para os dias de festa, daquela visita inesperada ou ainda durante os 30 dias de resguardo das mulheres parideiras, muitas árvores frutíferas. Pitombeiras, abacateiros, sapotizeiros, mangueiras, mamoeiros, goiabeiras, só para citar as mais comuns. Devido à grande quantidade dessas árvores, esses quintais eram freqüentados por pássaros que, na amanhecência do dia, nos despertava com seus gorjeios melodiosos.

Na década de 70, por volta dos anos de 1973/74, nossa fauna local sofreria uma grande mudança. Nessas mesmas árvores já podiam ser vistos os famigerados pardais. Inicialmente em casais, e pouco tempo depois em enormes bandos. Fui apresentado a esses pequenos predadores, quando ainda morava no Rio de Janeiro, onde iniciei minha vida profissional, no Banco do Brasil.

A chegada desses pássaros em nossa cidade, a exemplo do que aconteceu em outras cidades do nosso país, constituiu-se num verdadeiro desastre para nossa fauna alada de pequeno porte. Infelizmente, na época, ainda não havia esse apelo ecológico em defesa da natureza, sua fauna e flora. Porém, tenho minhas dúvidas que se o fato tivesse ocorrido em nossos dias, algo fosse feito para evitar o desastre diante de todas as agressões sofridas pela natureza, que diariamente presenciamos por esse Brasil a fora.
Predadores destemidos, obstinados, oportunista e territorialistas, os pardais não demoraram a expulsar de nossas árvores, a grande maioria dos pássaros de seu porte, e até mesmo os de porte mais avantajado, como os anuns.

Esse predador da espécime (Passer domesticus) que tem origem européia foi trazido para o  Brasil no início do século XX, e teve como porta de entrada a cidade do Rio de Janeiro. A sua introdução tinha como objetivo de reduzir a proliferação de moscas e mosquitos que infestavam a cidade. Apesar de também serem predadores de insetos, a base de sua alimentação se constitui de grãos, o que resultou na pouca eficiência no controle da população desses invertebrados. Essa decisão precipitada e irresponsável que introduziu em nosso território, uma espécie endêmica do continente europeu, sem as devidas avaliações do impacto que causaria, constituiu-se num verdadeiro desastre para nossa fauna.

Na luta por territórios, os pardais utilizam várias técnicas para expulsar seus concorrentes. Uma delas se constitui no ataque em bandos, deixando suas vítimas em desvantagem numérica e obrigando-os, consequentemente, a fuga. Praticam, também, a invasão de ninhos e destruição dos ovos não eclodidos ou simplesmente a matança dos filhotes recém-nascidos. Como os pardais são aves com hábitos urbanos, e convive bem com a presença do homem, é bem possível que nossos pássaros, que não pereceram diante dos invasores, tenham encontrado refúgio seguro nas matas que cobrem as dunas que circundam parte de nossa cidade. 

Entretanto, como a natureza é sábia e quase sempre resolve os problemas causados pela bestialidade dos homens, ao longo dos anos nossos pássaros foram se adaptando a presença do invasor e aprendendo a se defender com maior eficiência, e assim conseguiram conviver com os invasores.

Há algum tempo, todas as manhãs, caminho com um grupo de amigos pela Av. Rodrigues Alves. Sinto-me feliz em observar que há alguns anos os pássaros estão voltando para nossas árvores. Ao contrário da década de 70, é bem inferior o número de pardais encontrados. Durante as caminhadas vemos muitas rolinhas andarem em nossa frente à cata de pedrinhas e migalhas, sem temer os transeuntes. Ficaram tão mansinhas que às vezes precisamos desviar o caminho para não pisá-las. Em frente à capela de São Judas Tadeu, no final da Av. Rodrigues Alves, as inúmeras rolinhas empoleiradas nos fios da rede elétrica, lembram as linhas de uma partitura musical com todas as notas de um brasileiríssimo chorinho, quem sabe, o Tico-Tico no Fubá.

Os Bem-ti-vis, sanhaços, anuns, sibites, rouxinóis, colibris e até os bico-de-lacre, este último endêmico do continente africano, mas que não tem causado nenhum dano a nossa delicada fauna alada, desfilam por entre as árvores de nossa cidade cantando animadamente, para o deleite dos que cedo madrugam.

A mansidão e a excelente proliferação dessas aves devem-se, principalmente, a consciência ecológica despertada “ainda que tardia”, e atualmente muito valorizada. Infelizmente em nome dessa bandeira, alguns fanáticos têm cometidos excessos o que terminam por prejudicar toda a comunidade. Mas essa mesma tranqüilidade, também se deve ao desaparecimento dos tais meninos munidos com suas terríveis baladeiras.

Um dia resolvi trazer um pedacinho dessa natureza livre, pra dentro da minha morada. Comprei um alimentador de beija-flor, enchi-o com uma mistura de água com açúcar, coloquei na sacada do meu apartamento, e pacientemente esperei. Ao fim do quinto dia tive a alegria de receber o primeiro visitante. Era um beija-flor de cor negra, chamado popularmente de tesourão, pois, tem suas penas da calda em forma de tesoura aberta. A partir desse dia, a todo instante, recebo a visita de várias espécimes, de tamanho e plumagens variadas. É uma delícia para os olhos e a mente. Depois de algum tempo de observação, já posso identificar cada um dos visitantes e até mesmo nominá-los.


 Hoje, sempre que entro em casa logo me sento na varanda para observa esses pequenos seres que, além de desempenhar importante papel na polinização das plantas, se constitui numa das mais belas criação da natureza.