domingo, 29 de março de 2020

A Casa da memória norte-rio-grandense completa 118 anos de serviços prestados ao Rio Grande do Norte

Bruno Balbino Aires da Costa
Sócio efetivo do IHGRN

A “Casa da memória norte-rio-grandense” é a marca registrada do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Porém, o que o termo significa? Qual a sua frelevância para a sociedade norte-rio-grandense nesses 118
anos de história?

Primeiramente, a imagem da Casa da Memória diz respeito ao seu comprometimento em preservar os milhares de documentos raros alusivos ao passado remoto e imediato do estado. Segundo, a mencionada alcunha justifica-se pelo seu interesse institucional em não deixar olvidar a memória histórica do estado. Nesse sentido, a imagem da Casa da Memória tem um duplo sentido: o da memória arquivada e o da memória histórica.
O IHGRN organizou uma memória arquivada por meio do ato de coligir e metodizar documentos referentes ao Rio Grande do Norte. Vale lembrar que o Instituto Histórico surgiu de uma necessidade política e territorial: reunir uma documentação que pudesse subsidiar a defesa do estado em relação à questão de limites territoriais com o Ceará na virada do século XIX e começo do XX. Nesse momento histórico, o Rio Grande do Norte não tinha uma instituição, como o Instituto do Ceará, que pudesse, concomitantemente, reunir uma documentação e a partir dela produzir e publicar um conjunto de textos acerca da questão de limites. Foi da necessidade de fornecer documentos para a defesa jurídica na querela territorial com o Ceará que começou a veicular, entre os círculos letrados e políticos do estado, a ideia de criação de um instituto aos moldes do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB). Tal interesse foi concretizado em 29 de março de 1902 com a fundação do IHGRN. Durante muito tempo, o Instituto tornou-se uma espécie de arquivo do estado, copiando e reunindo um conjunto de fontes concernentes ao passado do Rio Grande do Norte. Mas não foi só isso.
O Instituto histórico produziu uma memória histórica para o estado, elaborando a partir dela uma articulação com a memória nacional. O IHGRN foi a instituição que formulou as bases da identidade histórica do estado. No jogo complexo de diatribes pela naturalidade dos personagens históricos, como Felipe Camarão, e pelo interesse em evidenciar o papel preeminente de Frei Miguelinho na Revolução de 1817, os sócios do IHGRN mobilizaram-se para construir o panteão de heróis norte-rio-grandenses. No começo do século XX, fazia-se necessário evidenciar a singularidade do estado no conjunto geral da nação. Era preciso assinalar o lugar do Rio Grande do Norte na construção da memória nacional. Dessa tarefa encarregou-se também o IHGRN.
Em termos atuais, a agremiação continua priorizando a preservação da memória documental e reforça a memória histórica produzida pelos seus associados, desde os primeiros anos de sua existência. O Instituto orgulha-se da
herança memorial e preserva a imagem de que a agremiação é a Casa da Memória norte-rio-grandense.

É no âmbito da Casa onde há o refúgio tranquilo contra os perigos e as ameaças dos que estão fora. É nela também que se produz uma memória comprometida com os valores e os interesses dos que estão dentro dela, daqueles que orbitam no espaço privado do Instituto. É a Casa da Memória, porque efetivamente produziu-se e guardou-se, ao longo dos seus 118 anos, a memória norte-rio-grandense do perigo do esquecimento.




terça-feira, 28 de janeiro de 2020

No dia 22.01.2020, o IHGRN, por meio do nosso Diretor de Biblioteca, Arquivo e Museu, André Felipe Pignataro Furtado, recebeu da Professora Anadite Fernandes da Silva, a doação de 19 exemplares do seu livro "Bandeiras e Brasões de Armas dos Municípios do Rio Grande do Norte" (2015), cujo prefácio é do sócio do IHGRN Vicente Serejo, que irão compor o acervo da nossa biblioteca, e, futuramente, servirão de fonte de pesquisa para o público.

    Anadite Fernandes também doou ao IHGRN, um álbum com todas as bandeiras dos municípios potiguares, desenhadas por ela mesma. Trata-se de um material de inestimável valor para a educação e cultura do Rio Grande do Norte, que, a partir de agora, ficará sob os cuidados da Casa da Memória. O IHGRN agradece à Professora Anadite por tão nobre gesto



O presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Ormuz Barbalho Simonetti, encaminhou ofício, na data de ontem, ao excelentíssimo Prefeito Municipal de Natal, Álvaro Costa Dias, solicitando a não substituição da estátua de Iemanjá, localizada na Praia do Meio, nesta cidade, sendo uma obra do artista potiguar Etevaldo Santiago.


O IHGRN, como órgão fomentador e protetor da história, geografia e cultura, acredita ser uma representação artística e igualmente um patrimônio comum a todos e que é digna de salvaguarda. Neste sentido, crê que, ao invés de trocar-se por outra uma escultura tão representativa e simbólica para a cidade e, principalmente, para os moradores da região, competiria ao município à devida restauração do bem já existente.


A Instituição ainda comprometeu-se enviando cópia deste ofício a Academia Norte-Riograndense de Letras e ao Conselho Estadual de Cultura pedindo apoio destas entidades culturais para preservar este patrimônio.