terça-feira, 27 de outubro de 2009

ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA - CONVOCAÇÃO

INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG
CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG, através do seu Presidente, no final assinado, vem convocar todos os seus sócios fundadores para uma Assembléia Geral Extraordinária, da forma seguinte:
Data: dia 16 (dezesseis) de novembro do ano em curso.
Local: Rua Mipibu nº 443 – Cidade Alta (Academia Norte-rio-grandense de Letras).
Horário: 17:00 (dezessete) horas, em primeira convocação, com no mínimo 1/3 (um terço) do seu quadro social e, em segunda convocação, pelas 17:30 (dezessete e trinta) horas, com qualquer número.
Finalidade: apreciar e decidir sobre o seu Estatuto Social, para fins de registro no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas desta Comarca de Natal e demais providências de direito e apreciar outros assuntos correlatos.

Natal, 04 de novembro de 2009

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
Presidente

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

INSTITUTO HISTÓRICO DO ESPÍRITO SANTO

Convite

A Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, por meio de seu presidente, deputado Elcio Alvares, deputada Luzia Toledo, Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, e a Academia Espírito-santense de Letras, tem o prazer de convidar V. Exa. para a Sessão Especial para palestras sobre data comemorativa do Sesquicentenário do nascimento de Afonso Cláudio.

21 de outubro de 2009 (quarta-feira)

19h

Plenário Dirceu Cardoso - Assembleia Legislativa do Espírito Santo.

sábado, 17 de outubro de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caro Ormuz, a sua cronica -"Pipa - Agricultura e fervilhado", confirma a sua capacidade de ESCRITOR. A descrição que você faz da mandioca desde a sua plantação até o final do seu aproveitamento, o "fervilhado" tão gostoso e apreciado por todos os veranistas , bem como todo o teor da crônica, as casas de
farinha, etc. com tanta propriedade não só é valorizada e emocionante , como também compreendida por quem vivenciou, como eu no Engenho Bom Destino , do meu sogro Antonio Conrado que tinha também Casa de Farinha . Eu, que morava ali,. gostava de ir a Casa de farinha , conversar com aqueles mais velhos que contavam estorias engraçadas e me impressionava com os moedores de mandioca que mesmo moendo a roda não deixavam de cantar ou de assobiar, animando o ambiente,Você meu amigo, a cada crônica que leio, me faz lembrar tantas coisas boas , as vezes nem tanto, mas todas emocionantes que me remetem a minha convivência com Evilásio, cuja lembrança é uma costante em todas essas passagens ai na Pipa. Parabens e que Deus te ilumine cada vez mais.Beijos.

Geraldina Fagundes - Dina
Goianinha - RN

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG e membro do IHGRN)

www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br

PIPA – A AGRICULTURA E O FREVILHADO

Eu tava na peneira eu tava peneirando eu tava no namoro eu tava namorando."

Até a década de 80, a comunidade da Pipa vivia exclusivamente da pesca e da agricultura. Os “roçados” eram feitos em cima das falésias onde outrora se debruçava a mata atlântica. Na preparação dos roçados, primeiro se escolhia um local que tivesse a vegetação menos densa para facilitar o desmate, em seguida o mato era cortado de foice, operação que se dava o nome de “broca”.
Dias depois, quando o mato já estava bem seco, se ateava fogo, a maneira mais fácil e barata de limpar a área. Essa prática também contribuía na fertilização da terra pelas cinzas ricas em fósforo e potássio, produzidos pela queima do mato. Os índios, nossos primeiros habitantes, já se utilizavam dessa técnica no plantio de seus roçados também chamados de mandiotuba. Nos dias de hoje, a queimada ainda é bastante utilizada em todo o país, principalmente pelas comunidades mais pobres.

Os roçados, a princípio feitos próximos as moradias, com o passar do tempo e pelo esgotamento da terra, iam sendo localizados mais distantes, sempre em direção ao rio Galhardo. Como a tendência da terra era enfraquecer, seja pelo manejo inadequado do solo ou pelo uso de técnicas rudimentares no seu preparo, essas áreas eram exploradas no máximo por dois anos. Ao fim desse período, o roçado era mudado para outro local e começavam tudo novamente.

O preparo da terra se dava no início de setembro para que pudessem realizar o plantio nas primeiras chuvas ocorridas em janeiro, conhecidas como chuva do caju. Nesses roçados plantavam feijão, milho e principalmente a mandioca e em quantidade reduzida também a macaxeira, conhecida no sul do país pelo nome de aipim. A macaxeira, mais exigente em relação ao tipo solo, era cultivada de preferência em áreas úmidas de paul e aluvião. Esses solos só eram encontrados as margens do rio Galhardo.

O feijão e o milho sempre eram plantavam em consórcio com a mandioca, para um melhor aproveitamento de área. Por terem círculos vegetativos diferentes, primeiro era colhido o feijão, verde e seco, acontecendo da mesma forma com o milho. Este, quando colhido verde, era muito utilizado na confecção de canjicas, bolos e pamonhas. E por último a mandioca, que tendo um círculo mais longo, era colhida somente no ano seguinte.

Os cereais, depois de separado o que seria consumido pela família durante o ano, eram comercializados nas feiras de Goianinha, Arês, Canguaretama e Vila Flor. Já a mandioca, passava por vários processos antes de sua comercialização. Como na época não havia o hábito da venda do produto “in natura” destinado a ração animal, prática muito utilizada na atualidade, as raízes eram beneficiadas antes de sua comercialização.

O beneficiamento era feito nas chamadas “casas de farinha”. Depois de colhidas as raízes eram descascadas em seguida passadas em um ralador e transformava-se em uma massa. Esta depois de prensada era levada ao forno para ser torrada e transformava em farinha, base da alimentação da comunidade. Além da farinha, também se extraia a fécula, conhecida como goma, que da mandioca é o produto mais nobre. Dela se fabrica tapiocas, beijus, conhecido como mbyú, grudes, biscoitos, sequilhos etc.

Foi por volta do ano de 1930 que Chico de Amara, pai de Maria Alves, teve a idéia de misturar à goma uma porção maior do coco seco ralado que já utilizava na fabricação do “grude”. Depois, sem que a mistura fosse comprimida, era levada ao forno por alguns minutos, de onde nasceu o famoso “frevilhado”. Essa espécie de tapioca, redonda com média de 8 cm de diâmetro, tem sabor inigualável, além de muito apreciado pelos nativos, também era bastante consumida pelos veranistas e os poucos visitantes que se aventuravam na Pipa daquela época. Posteriormente, várias pessoas da comunidade passaram a produzir o frevilhado. Este era vendido, durante a semana, na própria comunidade e nos fins de semana nas feiras da região.

Maria Alves, nativa da praia da Pipa, que ainda hoje se dedica à sua fabricação, conta que desde muito pequena conviveu com essa atividade. Seu pai, criador da guloseima, conseguiu sustentar toda a família com a venda de produtos derivados da mandioca, principalmente o frevilhado. Naquela época a comercialização era realizada nas cidades mais próximas. Dependendo do dia da feira, o frivilhado era feito sempre na véspera, à noite arrumava a produção em um balaio, que além dos frevilhados levavam: grudes, beijus e tapiocas.

Acomodado na cabeça, o balaio bem recheado e pesando média de 20 quilos, era conduzido pelos homens, que viajavam, a pé, geralmente acompanhados por filhos ou esposa. Saia da Pipa aí pelas 10 horas e andavam durante toda a noite para amanhecer o dia no local das feiras. A recompensa pelo tamanho sacrifício era a certeza do retorno pra casa com a produção toda vendida, alguns cruzeiros no bolso e o balaio bem mais maneiro.

Durante esse período existiam na Pipa várias casas de farinha. A primeira foi a do velho Castelo, pai de Domitila que ficava onde hoje é a casa de Honório. Depois vieram a de João Pegado, Chico Marcelina, Tereza, Zé Gago e Manoel Lopes. No auge da produção de mandioca, todas essas casas de farinha trabalhavam dia e noite para dar conta das colheitas. Os agricultores que não possuíam essas casas de beneficiamento, alugavam dos outros que eram proprietários. Esse aluguel era pago com um percentual da produção que se dava o nome de “conga”. A cada 30 cuias de farinha produzidas, seis eram dadas em pagamento.

A primeira casa de farinha construída na Pipa foi a de Vicência Castelo e a última a de Manoel Lopes que foi demolida em 1982. Até a década de 80 era comum, durante o veraneio, agente ser acordado bem cedo, aí pelas seis da matina, com os gritos estridulante dos garotos que anunciavam: i êêê o friviaaaaaaaaaaaaadoooooo, bem fresquiiiiiiinhooooo.

As terras, outrora plantadas com lavoura, hoje estão tomadas por casas de morada, hotéis e pousadas, numa desenfreada especulação imobiliária que enriquece alguns poucos e empobrece e marginaliza os nativos. As matas foram devastadas e com ela a frágil fauna existente na região. O coelho, a cutia, o jacú e a sariema, desapareceram completamente. Até mesmo os periquitos jandaia que revoavam em bandos com seu chalrar estridentes, há tempos já não são vistos. Apenas as rolinhas cafofa, imponentes no seu porte e com suas vistosas penas pedrês, empoleiradas nas cumieiras das casas, ainda insiste no seu canto triste, “fogo-pagou”. . . “ fogo-pagou” . . .”fogo-pagou”, numa luta desesperada para sobreviver, em uma Pipa moderna, que não pára de crescer.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caro primo Ormuz,

Sinto-me imensamente feliz ao ler com atenção as crônicas publicadas por você sobre a Pipa, flagrantes colhidos em seus veraneios, as peculiares viagens de ida e vinda, especialmente, dos muitos veranistas que marcaram aquele pequeno Torrão querido e seus freqüentadores e nativos, pelo amor, alegria e desconcentração, criando profundo elo de amizades naqueles tempos idos e vividos com muita intensidade até hoje.
Comecei a freqüentar a Pipa com um mês de vida. Foi a minha primeira viagem. Do Bemfica onde nasci, até lá, na diligência de vovô Odilon. Meus pais tinham aquele pequeno lugar como o paraíso de seus sonhos e de seu amor. O segmento da fantasia maior de suas vidas, de seus devaneios. Com eles e os demais familiares aprendemos a amar com indelével e intraduzível amor a Pipa, eterna em nossas vidas.
Segundo Fernando Sabino, “as nossas almas sempre pairam sobre os lugares onde um dia, fomos felizes”.
É assim que fica minha alma, quando os sonhos ou as lembranças evocam a praia onde tudo fala ao coração, pela expressão exuberante de suas belezas naturais, a calidez de suas águas cristalinas, o nascer do sol e da lua por traz do coqueiral do inesquecível Morro dos Amores, palco e testemunha das manifestações do amor de nossa juventude. Quem não se lembra do por do sol com a grandiosa visão dos barcos adentrando a boca da barra com suas velas brancas ao retornarem de suas heróicas pescarias em alto mar!
Trago a marca registrada na memória o encantamento que a Pipa proporciona aos corações enamorados, em suas noites de luar, embaladas pela harmonia entre o barulho das ondas e as melodias românticas que soam aos ouvidos com o selo da imortalidade.
Portanto, meu queridíssimo primo Ormuz, você me fez novamente passear pelo recanto da utopia que se chama Pipa, em suas páginas inspiradas e inspiradoras.
Colocou-me frente a muitos dos nossos familiares e amigos que, saudosamente, partiram para a eternidade e nos legaram muito do que somos e temos. Foi assim que ao falar de Cleto Gadelha, proporcionou a memória já um tanto adormecida pelo tempo, mergulhar fundo nos valores humanos e transcendentais desta pessoa ímpar que a genética tornou-me sua sobrinha, e a amizade, retidão de propósito, solidariedade, extremo amor e dedicação pela família, fez-me e a muitos seus admiradores. Amava estes momentos de veraneios, que eram e são grandes encontros, de forma total, profunda, contagiando pela sua alegria, especialmente, quando de promissoras pescarias e caçadas, sempre comemoradas com várias “lapadas”, regadas de apetitosos tira-gostos. Ele por assim dizer, trazia a Pipa submersa no íntimo do seu ser total, não cabendo em seu pensar, lugar melhor que não se chamasse Pipa, festejos e veraneios, comparáveis com os vivenciados lá. E de lá só saiu para experimentar os semelhantes valores nos páramos celestiais.
Que saudades!
Evilásio de Souza Lima, grande amigo, também lembrado por você, sem o qual não se reconstrói as memórias da Pipa “in totum”.
E agora me vem à memória Tio Luiz Grilo com sua alegria e seu anedotário e a forma peculiar e extrovertida da sua narração, sempre batendo as pernas, e, rindo bem antes da conclusão dos fatos. Ele também como Neném, Maria Gadelha, emolduram o quadro da Pipa, que hoje, você Ormuz, dá novo tom em seus escritos.
E para mostrar com clareza a Pipa ontem, você trouxe às suas páginas, a figura do meu Pai, Venício, que se preocupava com o conserto de todos os lampiões de gás, daquele pequeno recôndito, iluminando as suas saudosas noites escuras. Esta era sua missão maior: iluminar. Não só simbolicamente com as luzes dos lampiões de gás, mas com a alegria que lhe era tão peculiar, a intrínseca e obcecada amizade aos seus, tanto familiares, quanto amigos, a pronta solidariedade, a firmeza de caráter, de valores morais e de fé, adjetivos que lhe imortalizou em meu coração e na minha alma. A saudade do meu Pai é companheira compreensível, em todos os instantes do meu viver. Em tudo o que faço e que sou, há um muito dele.
É, Ormuz, você me levou ao misterioso mundo das lágrimas, pelas muitas lembranças trazidas à tona, no precioso compêndio que há de concluir, com a destreza que lhe é tão própria, afim de que muitos como eu, possam fazer a viagem de volta ao tempo e se identificar com a saudade gostosa dos momentos que experimentamos com muita propriedade no aconchego familiar a felicidade, na Pipa encantada dos seus contos, com a especial bênção do seu padroeiro, São Sebastião.

Natal, 10 de outubro de 2009.
VENEIDE BARBALHO DE MEDEIROS

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

I ENCONTRO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA EM CAICO RN

MONS. AMÉRICO SIMONETTI



MONSENHOR AMÉRICO SIMONETTI NO LANÇAMENTO DO LIVRO "GENEALOGIA DOS TRONCOS FAMILIARES DE GOIANINHA-RN" EM AGOSTO DE 2008

MORRE O MONS. AMÉRICO SIMONETTI

NESTA FOTO DURANTE O LANÇAMENTO DO LIVRO "GENEALOGIA DOS TRONCOS FAMILIARES DE GOIANINHA-RN"



Faleceu na madrugada do dis 5 de outubro na cidade de Mossoró-RN o monsenhor AMÉRICO SIMONETTI

sábado, 3 de outubro de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

PUBLICADA EM “O JORNALDEHOJE” Sexta-feira 2 de outrubro 2009



ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG e membro do IHGRN)

www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br



PIPA, saudosas lembranças

Comecei a veranear na Pipa ainda na barriga de minha mãe, assim como todos os meus irmãos. Meus filhos trilharam o mesmo caminho, e também meu neto. É uma relação muito íntima que temos com aquele pedaço de chão. A família Barbalho/Simonetti iniciou os veraneios na Pipa no ano de 1926, três anos depois do nascimento de minha mãe, hoje com 86 anos de idade.

Como o veraneio acontecia somente no mês de janeiro, passávamos o ano inteiro esperando este acontecimento. Contávamos os dias, as semanas os meses... E quando chegavam as férias do final do ano, a ansiedade era tanta que por muitas vezes, perdia o sono e só adormecia quando era vencido pelo cansaço. Eu não via a hora de subir no caminhão para fazer aquela tão desejada viagem. Na década de 60, já era possível contar com a modernidade e o conforto dos caminhões. Nossos pais viajavam na boleia enquanto que os filhos e empregados acomodavam-se em cima da bagagem que dentre toda a tralha que era levada, não faltava cadeiras e colchões feitos com palha ou junco, para acomodar a todos. As famílias que moravam em Natal, saíam muito cedo e enfrentavam pelo menos 60 quilômetros de estrada de chão, pouco conservada, até a cidade de Goianinha. Eram horas e horas sacudindo na carroceria do velho Dodge até avistar a Usina Estivas. De cima da ladeira podia-se ver ao longe a bela cidade e compreender a exclamação encantada e justa do Dr. Alfredo de Araújo Cunha (1861-1929) que olhando o casario branco da cidadezinha clara disse: – Goianinha! Pátria de Anjos!

Depois de descer a ladeira com dificuldade, alcançávamos o vale e a partir dali mais três quilômetros depois, entrávamos triunfantes na cidade. Estava vencida a primeira etapa da estafante viajem.

Uma parada “estratégica” na casa de meu avô Odilon Barbalho e o almoço estava garantido. Daí por diante começava o trecho mais complicado e sofrido da viagem. Era comum os velhos caminhões, após certa jornada, pararem por aquecimento no motor, mas nada que não fosse resolvido com uma boa lata d’água no radiador e logo já estavam de volta à estrada. Continuava a viagem com se nada tivesse acontecido. Não havia possibilidade de fazer toda aquela viagem sem dar um “prego”. Se não acontecia no trecho vencido entre Natal e Goianinha, podia contar que até a Pipa, não havia reza forte que fizesse chegar ao destino sem o famoso “prego”.

Não se esperava nem o sol esfriar, pois esse trecho era mais deserto e se por acaso houvesse algum imprevisto no caminho, tinha tempo para realizar o conserto e chegar ao destino antes do anoitecer. Até o distrito de Piau a viagem seguia sem maiores problemas. Depois que entravamos nos “taboleiros” a estrada se tornava ainda mais precária. Geralmente essa estrada era utilizada somente por animais de carga e pessoas que faziam a pé o caminho entre Piau e Pipa. Por ser rara a passagem de carros, não havia nenhuma manutenção. Em determinados trechos a vegetação lateral era praticamente aberta pelo para choque do caminhão e acima de nossas cabeças as árvores se fechava totalmente formando um túnel de galhos e folhas. De tão próximos, era possível apanhar de cima da carroceria do caminhão, cajus, mangabas e outras frutinhas mussambê.

Havia dois pontos que eram temidos pelos motoristas por causa de sua difícil transposição: A ladeira do Rio Galhardo e a ladeira do Sanharão. Na primeira, além da dificuldade de vencer a subida de areias frouxas, ainda tinha o problema do rio que, embora raso, impedia que o caminhão tomasse alguma velocidade. Nesses dois pontos desciam todos, e a ladeira era vencida a pé. Ficava somente o motorista na direção e o “calunga”, alcunha do ajudante, que de cepo na mão e em constante sintonia com o motorista faziam, metro a metro, o veículo vencer ladeira a cima, as terríveis areias daquele trecho. O cepo era uma peça de madeira com uns 50 cm de comprimento por uns 20 cm de altura que se colocava atrás das rodas traseiras do caminhão, impedindo que ele descesse após alguns metros de subida. “Nunca esqueci os gritos ofegantes do motorista: “. . .bota o cepo”, e. . . pouco depois, “Tira o cepo. . .” Sempre que o caminhão vencia um pouco da areia, era colocado o tal cepo para que ele não retornasse. Depois de algum descanso, lá se vai mais uma tentativa. Vencido alguns metros de areia, novamente o cepo era colocado, e assim até que chegasse ao topo. Na ladeira do Sanharão, acontecia a mesma coisa, porém com mais dificuldade, pois além do percurso ser maior, havia uma curva na metade da ladeira que dificultava à subida. E depois de praticamente um dia inteiro de viagem, chegávamos ao nosso destino.

Até o final da década de 70 não existia energia elétrica na Pipa. A iluminação das casas era feitas com as lâmpadas a querosene. As marcas Coleman e Aladim era as mais conhecidas. O querosene utilizado era o nosso velho “Esso Jacaré”. Essas lâmpadas era o que existia de mais moderno. Durante as refeições noturnas ficavam nas salas de jantar e posteriormente eram transferidas para os alpendres, onde as famílias se reunião pra conversar amenidades ou mesmo jogar um carteado à base de sete e meio, buraco, pif-paf ou relancim. Os candeeiros, lamparinas e lampiões eram usados na iluminação dos quartos, cozinhas e banheiros. Os mais afortunados possuíam geladeira também a querosene e tempos depois apareceram as mais modernas que funcionavam com botijões de gás.

Depois de um ano inteiro sem uso, as lâmpadas geralmente apresentavam algum problema de funcionamento e nessa ocasião, entrava em cena tio Venício, irmão de minha mãe, especialista no conserto dessas lâmpadas. De óculos na ponta do nariz e sempre mastigando a língua no lado da boca, não havia defeito que ele não arrumasse. Depois de alguns minutos de trabalho e da colocação de uma “camisa” nova, era só dar algumas bombadas de ar e lá estavam a disposição 500 velas de boa iluminação.

Essas lâmpadas também eram utilizadas para iluminar os banhos noturnos. Quando isso acontecia, era preparada uma quantidade de “caipirinha” feita com a boa cachaça trazida dos engenhos de Goianinha, limão, açúcar e gelo. Este, conseguido as duras penas nas velhas geladeiras, sempre ficava a desejar. Era tudo levado para a beira da praia, juntamente com os “tira gosto”, naquele tempo também chamados de “parede”, previamente preparados pelas mulheres.

As lâmpadas eram colocadas suspensas em um “garajal” – tripé feito de madeira que os nativos subiam para martelar as estacas dos currais-de-peixe – e lá pra diante quando a “marvada” começava a fazer efeito, os adultos ficavam mais relaxados. Era a ocasião que nós adolescentes, esperávamos. Aproveitando algum descuido dos nossos pais, também tomávamos um pouco daquela bebida maravilhosa que nos deixava alegres e risonhos.

Pela manhã os jovens se reuniam em algum daqueles alpendres pra jogar conversa fora. Nós todos éramos parentes e alguns, por morar em outros estados, só se encontravam durante o mês de janeiro, no veraneio na Pipa. Essa ocasião era esperada por todos com muita ansiedade. Como não ter saudade dessas coisas simples? De um tempo feliz de nossas vidas, que sabemos, nunca mais irá voltar.

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Adorei este texto, Tio Ormuz. Tão nostálgico... Cheinho de palavras antigas que gosto de ler. Muito bom!

Beijos,

Juliana Oliveira
NATAL-RN

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Meu caro Ormuz,gostei deste relato.Faço parte desta historia um pouco diferente/meu tempo ocorria no final de ano sempre de 25 dezembro/e 01 janeiro. O caminhõão do saudoso Raimundo de Moraise o de Lindofinho, os caminhões e Ruy e Honório Grilo transportanto a velha mundaça de guerra do rio-da-ponte.Os motoristas Zé Biu seu José Amaro(educado fino)ou mehor bruto, igual a papel de embrulhar prego. E na festa do padroeiro (São Sebastião) mastro Claudionor melado. Parabéns pela narrativa deste fato.

I ENCONTRO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA

PUBLICADO NO BLOG "HISTÓRIA E GENEALOGIA" POR ANDERSON TAVARES

O I Encontro de Genealogia do RN, realizado na cidade de Caicó, proporcionou-me não apenas os ensinamentos e discussões acerca da genealogia. Tive a ventura de conhecer e privar da intimidade de criaturas que conhecia dos noticiários seja por suas atividades políticas, religiosas ou mesmo de pesquisa.
O prefeito de Caicó e tesoureiro do nosso Instituto de Genealogia, Bibi Costa, homem de frase curta, ágil e convincente, mostrou-se um excelente genealogista aparteando os demais palestrantes com suas observações sempre oportunas e sensatas. Acompanhou, nos dois dias, as palestras e discussões acerca de genealogia com vivo interesse.

O deputado Vivaldo Costa, irmão de Bibi Costa, discursou ainda no primeiro dia e logo de início, fez-me refletir sobre a verdadeira oligarquia ainda reinante no Rio Grande do Norte. Nada de Albuquerque Maranhão, dos Tavares de Lyra, dos Bezerra de Medeiros, muitos menos Alves e Maia...

A verdadeira oligarquia ainda reinante nestas ribeiras é a dos Araújo Batista que desde os tempos imperiais, tem representante ininterruptamente na Assembleia Legislativa do RN. Vivaldo Costa ainda me relatou, de memória, a árvore genealógica da governadora Vilma de Faria, cuja família tem raízes profundas no Seridó.

Dentre as personalidades presentes ao encontro, destaco o Monsenhor Ausônio Tércio de Araújo, figura fascinante, diretor do Colégio Diocesano de Caicó e que acompanhou todos os debates com interesse de historiador que é.

Homem inteligente e culto, Monsenhor Tércio, que é mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, possui uma imensa biblioteca em sua casa, abordando os mais variados temas, com destaque para a educação. O rigor na formação alimentou o espírito critico calcado em idéias que provem de Aristóteles e São Tomás de Aquino.

Posso ainda destacar o Dr. Antônio Luiz de Medeiros, dentista de profissão e genealogista convicto. Possui um acervo fantástico de livros de batismos, casamentos e óbitos que transcreveu com paciência franciscana, salvando-os da ingratidão dos homens e do tempo para legá-los ao futuro.

Dr. Sinval Costa, decano dos genealogistas do Rio Grande do Norte e sua palavra fácil e segura sobre sua família, seu povo e sua região. Protótipo de genealogista que inspirou os irmãos Bibi e Vivaldo.

Sem falar na convivência com José Joaquim de Medeiros, Francisco Augusto, Arysson Soares, e os meus amigos do litoral João Felipe da Trindade e Ormuz Simonetti com os quais alimentamos esse sonho de reunir os genealogistas de nosso Estado, num coro uníssono em favor da história.