segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Tacinha disse...
A localização do cruzeiro é linda. Naquela curva, voltando para a baía, como se abençoasse o mar ali na frente. Infelizmente a ação dos homens e da natureza (vento, chuva, maresia) irá deteriorar o velho e "sagrado" cruzeiro. Deviam colocá-lo na praça, com uma proteção para chuva pelo menos. E no local onde ele se encontra hoje, deviam constrir um réplica de cimento.

Parabéns pelo texto!

31 de Agosto de 2009 00:13

domingo, 30 de agosto de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caros leitores, mais uma vez, houve problema no jornal "Tribuna do Norte" e nossa crônica não foi publicada. Em respeito aos leitores do BLOG transcrevo-a na íntegra, obedecendo a regularidade quinzenal com a qual nos comprometemos.
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ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Genealogista e historiador)
ormuzsimonetti@yahoo.com.br

PIPA, o Cruzeiro dos Pescadores

Ninguém sabe quem foi o artesão que esculpiu tão belo monumento. Só se sabe que é muito antigo, do tempo dos primeiros habitantes da Praia da Pipa. Dizem que foi o velho Manoel Hermógenes, um dos primeiros moradores, quem o doou à comunidade, provavelmente em pagamento de alguma graça por ele alcançada.

Não resta a menor dúvida que o Cruzeiro é uma obra feita por artesão com dons artísticos e conhecimento da arte barroca. Os entalhes feitos nas extremidades das peças que compõe a cruz revelam essa técnica. Como na região certamente não existia pessoas com essa qualificação, é provável que o seu construtor tenha vindo de outra localidade. Ou tenha sido orientado por alguém que tivesse esses conhecimentos.

O imponente Cruzeiro foi lavrado em pau d’Arco amarelo. Ainda se pode observar, mesmo gastos pela ação do tempo, seus belos entalhes. Segundo antigos moradores, quando o monumento se encontrava em sua primeira localização, bem próximo ao mar, existiam algumas peças ligadas a ele: um galo, um cálice e uma espada. No alto, preso a uma madeira, a inscrição INRI.
Hoje, nada mais resta desses antigos adornos. Perderam-se na sua primeira mudança, pela falta de cuidado, descaso, ou mesmo pelo abandono imposto ao velho Cruzeiro, após a construção da primeira igreja.

Conhecido como o Cruzeiro dos Pescadores, hoje esta fincado num pedestal de mármore branco, no alto do morro que forma a enseada da Pipa. Devido à sua localização privilegiada, ele pode ser apreciado, principalmente por quem está no mar.

Como na época não existia igreja, as missas eram rezadas aos pés desse Cruzeiro e atraía toda a comunidade. O padre, trazidos uma vez por ano ou em ocasiões muito especiais, vinha das cidades de Goianinha, Ares ou Vila Flor. Nesses dias a comunidade aproveitava para realizar casamentos e batizados. Nas festas de fim de ano, eram realizadas manifestações religiosas, lapinhas, pastoris, dramas, etc.

Inicialmente o Cruzeiro era localizado na parte baixa da praia, em frente à casa de José Calar, que ficava próxima ao porto. Lá ele permaneceu por vários anos até que, com o avanço do mar, foi preciso transferi-lo para um local mais seguro. Foi então localizado em cima da falésia, onde já havia algumas casas e o mar não oferecia perigo.

O terreno para sua localização foi doado por Zé Inquim. O velho pescador tomou para si a responsabilidade na localização do Cruzeiro. Como morava em cima da falésia, doou parte do terreno de sua própria casa para que fosse construído um pedestal e nele, colocado o Cruzeiro. De sua nova localização no alto da falésia, podia ser visto de grandes distâncias, pelos pescadores, quando se aventuravam, mar afora, na sua constante luta pela sobrevivência.


Dizem até que servia para “marcar pesqueiros” em alto mar. Enquadravam o Cruzeiro e procuravam marcar algum ponto de referencia ao Norte ou ao Sul, e pronto! Ali estava marcado um bom pesqueiro que podia sempre retornar e ancorar seu bote no mesmo local.

O Cruzeiro permaneceu em cima da falésia até o ano de 1998. Com o desenvolvimento do lugar, muitas casas foram erguidas em seu redor, dificultando ou mesmo impedindo que fosse visto, principalmente por quem estava no mar. Por falta de maiores cuidados e manutenção, foi seriamente danificado. Além disso, o atual proprietário da casa de Zé Inquim, que se transformou em restaurante, resolveu aumentar um dos cômodos justamente para o lado onde ficava o Cruzeiro. Por isso, o monumento que já estava com sua estrutura bastante comprometida, foi desmontado. Permaneceu em um depósito por vários anos até que, por solicitação de alguns moradores da praia, foi resgatado pela fundação José Augusto que levou as peças para Natal. Tempos depois foi iniciada sua restauração.

Felizmente em setembro de 2008, para o regozijo da população da praia da Pipa, o Cruzeiro foi novamente erguido. Depois de recuperado, foi colocado em um pedestal construído em cima do morro que forma a ponta da Pipa e desta vez recebeu iluminação elétrica. Por ignorância ou mesmo falta de profissionalismo, mais uma vez as pessoas responsáveis pelo monumento, não tiveram o devido cuidado no manuseio com a mais antiga relíquia da comunidade. Sem a devida consulta à profissionais da área, foi feito um rasgo profundo nos dois sentidos, em toda a extensão das peças onde foram afixados diversos bocais para colocação das lâmpadas.

À noite, quando as lâmpadas acendiam obedecendo ao seu formato, propiciava uma visão maravilhosa. Parecia que estava solto na imensidão do céu. Infelizmente, mais uma vez o velho monumento voltou a ser agredido pelos vândalos que, sempre de prontidão, voltaram a atacar o velho Cruzeiro. A iluminação foi arrancada e já quebraram parte do pedestal numa demonstração de total falta de respeito a um monumento que há mais de dois séculos é venerado pelos fiéis.

Mesmo tendo sofrido todas essas agressões, o Cruzeiro continua lá no alto do morro ajudando a orienta os poucos pescadores, que ainda restam na Praia da Pipa, dando um norte a aqueles que regressam do mar para o aconchego da família, na segurança dos seus lares.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ENTREVISTA AO JORNAL POTIGUAR NOTÍCIAS

MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL POTIGUAR NOTÍCIAS
NO DIA 20 DE JULHO DE 2009



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

GOSTEI BASTANTE DA CRONICA ESCRITA PELO PRIMO ''ORMUZ'' SOBRE O INESQUECIVEL ''TIO CLETO''! SEMPRE ME SENTI UM POUCO PRIVILEGIADO, POIS ELE SEMPRE DIZIA QUE EU ERA UM DOS SOBRINHOS PREFERIDOS , TALVEZ POR SER PARECIDO COM SUAS ATITUDES BONDOSAS! TIO CLETO ERA UMA PESSOA DE CORAÇAO GENEROSO, BARRIGA CHEIA, DE MUITAS BOAS AÇOES, SEMPRE O ADMIREI MUITO!
COM ELE APRENDI A GOSTAR DE FUTEBOL, LEVAVA-ME SEMPRE AO ESTADIO JUVENAL LAMARTINE PARA VER O SEU TIME ''ABC'' JOGAR! SEMPRE PARTICIPEI DO SEU CONVIVIO FAMILIAR,TANTO NO SITIO EM SANTO ANTONIO DOS BARREIROS, COMO EM SUAS RESIDENCIAS; A RUA SILVIO PELICO, ROMUALDO GALVAO E NA SEVERINO BEZERRA, EM FRENTE A NOSSA CASA.
NA NOSSA QUERIDA PRAIA DA PIPA, NO MES DE JANEIRO , COMEMORAVA SEMPRE SEU ANIVERSARIO DIA 12 DE JANEIRO, DIA FESTIVO AO SOM DE UM SAFONEIRO, SEM HORA PRA ACABAR, COM A CASA CHEIA DOS PARENTES E AMIGOS. ERA UM DIA DE MUITAS ALEGRIAS PARA ELE E TODOS NOS QUE PARTICIPAVAMOS DAQUELA GRANDE FESTA!
TINHA TAMBEM UM CARINHO MUITO GRANDE COM OS NATIVOS DA PRAIA, FAZENDO SEMPRE BOAS AMIZADES. FOI UM EXCELENTE FILHO PARA SUA MAE ''VOVO BILINHA'', NUNCA DEIXANDO LHE FALTAR NADA, FOI TAMBEM UM GRANDE PAI E BOM ESPOSO. GOSTAVA SEMPRE DE CAÇAR NAMBU EM SEU SITIO EM NATAL, OU EM GOIANINHA NA FAZENDA SAO MIGUEL, EM SERRINHA NA FAZENDA SANTA TEREZINHA, POIS TINHA UMA EXCELENTE PONTARIA.
LEMBRO TAMBEM DE UM CACHORRO DE ESTIMAÇAO CHAMADO ''DUQUE'' QUE O ACOMPANHAVA NAS CAÇADAS. ERA COMPADRE DE MEUS PAIS, DE SEU SEGUNDO FILHO, FRANCISCO GADELHA DO ESPIRITO SANTO NETO, COLOCOU O NOME SEU PAI PARA HOMENAGEA-LO. NA RUA SEVERINO BEZERRA TEM UMA MANGUEIRA SOMBROSA, QUE SEMPRE NOS REUNIAMOS PARA BEBER E BOTAR OS PAPOS EM DIA, ESTAVA SEMPRE ANIMADO FELIZ E DE BEM COM A VIDA.
NA PRAIA DA ''PIPA'', ERA SEMPRE SEU PARAISO,GOSTAVA DE DAR UMA PESCADINHA, ANTES DE COMEÇAR OS TRABALHOS (BEBER), COMO COSTUMAVA DIZER. NO DIA EM QUE FALECEU EM 17/01/1988, PELA MANHA BEM CEDINHO FIZEMOS NOSSA ULTIMA CAMINHADA JUNTOS NA PIPA, EU, ELE E PAPAI PELA BEIRAMAR. DEPOIS TOMAMOS NOSSO ULTIMO BANHO DE MAR JUNTOS, ERA SUA DESPEDIDA ENTRE NOS! NA HORA EM QUE FALECEU, EU ESTAVA FORA DA PIPA, TINHA IDO A BARRA DE CUNHAU, FELISMENTE NAO ASSISTI SUA BRUSCA DESPEDIDA PARA A ETERNIDADE.
FALECEU NO LUGAR QUE MAIS AMAVA DEIXOU-ME SAUDADES ETERNAS PELO GRANDE TIO E AMIGO QUE SEMPRE SOUBE SER! UM DIA NOS REENCONTRAREMOS! SEU SOBRINHO:

ROBERTO LUIS GADELHA GRILO
NATAL,17/08/2009

MEU PRIMEIRO NETO- ARTHUR


terça-feira, 11 de agosto de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

CARÍSSIMO PRIMO ORMUZ

EM NOME DA FAMÍLIA DE ''CLETO GADELHA'', AGRADECEMOS O CARINHO E CONSIDERAÇÃO TÃO BEM DESCRITOS EM SUA CRÔNICA MAIS RECENTE. FICAMOS BASTANTE EMOCIONADOS COM SUAS PALAVRAS TÃO VERDADEIRAS SOBRE A VIDA DE NOSSO INESQUECÍVEL CLETO.
TODOS NOS SABEMOS COMPREENDER A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DESSE ''GRANDE HOMEM'', PARA CADA UM DE NÓS, ESPOSA, FILHOS E NETOS E O GRANDE EXEMPLO A SER SEGUIDO!
PARABENIZAMOS POR MAIS ESTE SUCESSO, QUE ESTA SENDO ESCREVER SOBRE A NOSSA QUERIDA PRAIA DA ''PIPA''

UM GRANDE ABRAÇO
EVANEIDE E FAMÍLIA

NATAL 10/08/2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

DIA DOS PAIS -

Painho,
Desde pequena, quando comecei a entender um pouco sobre afetos, já percebia que tínhamos uma relação diferente. Não de menos ou mais amor, porém mais amorosa. Talvez uma descoberta de afinidade, o jeito de falar, os assuntos... Em alguns anos nos deparamos com muitas situações inusitadas, onde ao perceber, estávamos numa conversa boa. Precisávamos da presença um do outro.

Está sendo maravilhoso descobrir esse pai que, diariamente me surpreende. Quando eu pensei que tinha um pai dedicado ao trabalho bancário, movido muito mais a números do que a palavras, me admiro com o lançamento de uma obra. Quando eu pensei que tinha um pai tímido, me deparo com entrevistas na TV, nos jornais e discursos para uma platéia de formadores de opinião, familiares e admiradores. A única coisa que não me surpreendeu foi em perceber um pai batalhador, esforçado e determinado. Isso eu já sabia!

Através das minhas atitudes, todos os dias, digo que te amo e que você é muito importante na minha vida. Tenho me esforçado para você perceber isso. Sou feliz por hoje conseguir dizer... Não foi sempre assim. Apesar do meu jeito carinhoso, não sabia como chegar! Hoje eu me orgulho em saber que nunca vou me arrepender de não ter dito o quando eu amo minha família e o quanto você e mainha foram importantes na minha formação. Responsáveis por tudo.

Graças também a minha formação religiosa, e devo muito a mainha pelo incentivo, hoje posso agradecer a Deus por ter sido tão abençoada... Para minha realização, só me falta uma coisa: conseguir que você pelo menos experimente dessa felicidade que poucas pessoas entendem. Sinto-me na obrigação de te mostrar isso... É o amor de Jesus na vida da minha família que, para nossa felicidade, consegui formá-la com base na Igreja.

É um pedido que eu te faço hoje, no Dia dos Pais. Sei que o dia é seu, mas o presente é meu. Meu presente é estar com você nos dias 22 e 23 de agosto de 2009. Você tem um compromisso comigo, onde passaremos o dia inteiro juntos. Para mim será um dia extremamente feliz.
Obrigada por tudo painho. Cada vitória minha é sua. Amo você. Sempre, sempre... Parabéns!

Pri. (Priscilla)
09-08-2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

PARABENS! FIQUEI BASTANTE EMOCIONADO COM PALAVRAS TAO VERDADEIRAS SOBRE ''COMPADRE CLETO ''!, COMO EU O CHAMAVA SEMPRE!
ME APEGUEI BASTANTE A ELE POR SER UM TIO MUITO ESTIMADO E QUERIDO DE MINHA ESPOSA MARIA ADELAIDE. COM ELE, APRENDI MUITAS LIÇOES NA VIDA. FOI TAMBÉM MEU GRANDE MESTRE NA ARTE DA PESCARIA NA NOSSA QUERIDA PRAIA DA PIPA, DESCOBRINDO OS MELHORES LOCAIS PARA A PESCARIA COMO:
''AS CACIMBINHAS,'' AS MINAS'','' A BOCA DA BARRA,''NOS ARRECIFES DO CURRAL DO CANTO E ALGUNS LOCAIS DA ORLA MARITIMA E O FAMOSO ''BURACO DO CLETO'' NOS AFOGADOS!
SUA VIDA ERA UMA GRANDE FESTA COM OS AMIGOS QUE ESTIMAVA E QUERIA BEM. NO DIA DE SUA MORTE, ME FEZ SUA ÚLTIMA HOMENAGEM;
TOMOU SEU ÚLTIMO CAFE DA MANHA EM NOSSA CASA E FEZ SUA ÚLTIMA PESCARIA COM MINHA VARA DE PESCAR NOS ARRECIFES EM FRENTE A NOSSA CASA, LOCAL NORMALMENTE QUE NAO COSTUMAVA PESCAR! FOI TAMBÉM MEU GRANDE INCENTIVADOR E ARTICULADOR COM ''ZE BIDIUM'' NA COMPRA DE NOSSA PRIMEIRA CASINHA NA PIPA, NOS TRAZENDO GRANDE ALEGRIA!
COMPADRE ''CLETO'', SÓ NOS DEIXOU MUITAS SAUDADES!

JOAQUIM PAULINO DE MEDIROS NETO (QUINCO)
NATAL,05/08/2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caro Ormuz: Fiquei esperando, ansiosa pela chegada do jornal (Tribuna do Norte) que normalmente me chega no sábado à noite e fiquei decepcionada por não encontrar a tua crônica. Agora estou a lendo através deste e-mail. Gostei da tua lembrança em recordar a missa de sétimo dia do falecimento de Evilásio. Realmente o tempo passa rápido e com ele as lembranças. Para uns, a amizade faz gerar lembranças e até saudades, como no seu caso que sentiu a ausência dos amigos naquela ocasião, obrigada. Para mim é que com o desaparecimento de Evilásio, perdi todo o encantamento pelo veraneio, as noites enluaradas, o jogo de buraco, as conversas no terraço, etc. Agora só resta, ainda, o entusiasmo dos netos, principalmente os que moram fora e que junto com alguns dos filhos me impulsiona para chegando o mês de Dezembro colocar a faixa "Lotada", em frente a casa onde durante nos meses restantes do ano funciona como "Landuá Pousada", da minha filha. Muitos são os amigos que já se foram e que faziam parte do ritual que você tão bem lembrou quando falou do nosso amigo Cleto, basta lembrar que normalmente começava na casa de Arisio e terminava na outra ponta na casa de Maurino. Imagine quantos já se foram.
Um abraço

Geraldina Fagundes (Dina)
Goianinha-RN

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS- Matéria publicada na TRIBUNA DO NORTE em 16.08.2009


Caros leitores, infelizmente houve um problema na Coluna Quadrantes, do Jornal Tribuna do Norte, onde quinzenalmente, publico as crônicas sobre a Praia da Pipa. A publicação se dará ainda esta semana. Más, como ainda não esta definido o dia, estou antecipando sua transcrição para não quebrar a sequência com os leitores do BLOG.
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ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Genealogista e historiador)
www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br

PIPA, saudosos veranistas – Cleto Gadelha do Espírito Santo

Como de costume, durante todo o verão, passo a maioria dos meus fins de semana na praia da Pipa. A minha casa fica em uma posição bastante privilegiada, bem de frente para o mar. Acostumei-me a dormir e acordar embalado pelo gostoso e melódico barulho das ondas. Quando a maré esta cheia as vagas rebentam em um quebra-mar que fica na frente da casa, mas não impede as água de projetar-se terraço adentro.

Já me acostumei com a impressionante proximidade de minha casa com o mar. Pois bem, foi numa dessas manhãs que acordei com uma saudade danada daqueles finados veranistas que tivemos a sorte de conviver por tanto tempo. Saudade daquelas brincadeiras que promovíamos, das pescarias, dos passeios a Sibaúma, do banho no Rio do Galhardo, enfim, de tudo que já não fazemos mais.

No dia anterior, tinha assistido a missa de sétimo dia, do meu amigo Evilásio de Souza Lima, que aconteceu na igreja do distrito de Piau. Lá encontrei toda sua família, mas infelizmente quase nenhum amigo. Fiquei analisando com que rapidez nos esquecemos dos nossos amigos e parentes que vão para o andar de cima. Muita gente no enterro, pouca gente na missa de sétimo dia, na missa de trinta dias praticamente só a esposa, os filhos e quando muito os netos. Na missa de um ano, quando a família resolve fazer, imaginem!. . .

E nesse saudoso dia seguinte à missa, comecei a me lembrar dos que já haviam nos deixado. Fiquei surpreso quando comecei a contar e percebi a quantidade de amigos nossos que até “ontem” estavam com agente nos veraneios de janeiro.
Lembrei-me de Cleto Gadelha do Espírito Santo. Meu primo e grande amigo. Freqüentador assíduo da Pipa, principalmente nos veraneios de janeiro, que nunca perdeu nenhum. Gostava de reunir os primos e sobrinhos no alpendre de sua casa, depois de uma pescaria, para tomar uma cachaça de cabeça, com peixe frito.

O seu passa tempo preferido era a pescaria, pois ele amava o mar e tinha nesse esporte, a sua plena realização. Dizia ser uma ótima terapia e que não havia melhor maneira de esquecer uma estafante semana de trabalho na Secretaria de Tributação, onde era funcionário. A pescaria além de terapêutica, também tinha a finalidade, de conseguir o tira-gosto do fim de semana. Saía sempre muito cedo, acompanhado dos filhos e alguns sobrinhos. Lá para o meio dia chegavam orgulhosos com o produto da pescaria. Muitas vezes já traziam os peixes tratados, pra não perder tempo, nem aumentar o serviço de dona Evaneide, sua paciente esposa, que em casa, já preparava outros quitutes para quando a turma chegasse. Sempre podíamos contar com um caldinho de feijão verde, regado com muito coentro e cebola e uma paçoca bem batida no pilão, puxada na cebola roxa e na carne de charque, como só ela ainda sabe fazer.

Quando ele aparecia ao longe, caminhando sem pressa, com o seu inseparável molinete, atrelado a uma enorme vara de bambu, bem apoiada no ombro, era o sinal para os que estavam no banho de mar, que logo mais começaria a “reunião”. Sempre trazia o samburá cheio de barbudos, carapebas, pescadas e mais todos os peixes que, curiosos ou famintos, fisgassem seu anzol.
Era um homem feliz, nunca o vi mal humorado... Gostava da vida ao ar livre. Nasceu em Goianinha no início dos anos trinta, e passou toda a infância e adolescência pelas ruas de barro batido da velha cidade. Gostava de caçar passarinhos, tomar banho de rio, andar à cavalo, enfim, de todas as travessuras próprias dos meninos daquela geração.

Morreu Cleto no dia 17 de janeiro de 1988. Era um domingo e a comunidade fazia os últimos preparativos para a famosa festa de São Sebastião. Estava ele cercado de parentes e amigos sentado no alpendre da casa de seu companheiro de infância, Paulo Barbalho, que ficava bem ao lado da sua. Era uma manhã ensolarada, própria dos meses de janeiro, e a turma já tinha iniciado os “serviços” na casa em frente, que na época pertencia a Evandro Carvalho. Em seguida fomos para a casa de tio Paulo. Era muito comum naquela época, às pessoas começares beber na casa de um parente e quando findava o dia, já tínhamos passado por diversas casas, numa peregrinação que se repetia por todo o fim de semana.

Em dado momento, Cleto encosta a cabeça no ombro de seu compadre e amigo Rubens Lisboa, que estava ao seu lado e adormece para sempre. Morreu sem sofrer, no lugar que mais gostava, vestido da maneira que se sentia bem. Na praia se livrava das roupas de trabalho e ficava a maior parte do tempo de calção, como ele gostava. Acredito que para a sua família deve ter sido, pelo menos confortante, saber que seu ente querido, deu seu último suspiro nos braços acolhedores de seus amigos. Naquele ano, pela primeira vez, no dia 19 de janeiro, não foi realizada a parte profana da festa do padroeiro, houve apenas a missa e a procissão, onde o comparecimento foi grandioso. A comunidade da Pipa juntamente com os veranistas lhe prestou a última homenagem, na igrejinha que tantas vezes compareceu nas festas de São Sebastião. Quanta saudade “camarada”! . . . Que Deus o tenha bem junto d’Ele e com todos aqueles saudosos veranistas que, certamente, estão com você.

domingo, 2 de agosto de 2009

lançamento do livro "OS CAVALEIROS DOS CÉUS"

A SAGA DO VOO DE FERRARIN E DEL PRETE

ROSTAND MEDEIROS
E
FREDERICO NICOLAU

LIVRARIA SICILIANO - NATAL RN 14 de julho de 2009