quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

CASA GRANDE DO GUAPORÉ



Artigo do Acadêmico JOSÉ DE ANCHIETA CAVALCANTI (Cadeira número 11), publicado em “O GALO – Jornal Cultural”, de outubro de 2002 e que levamos até vocês, na íntegra.
Encravada em uma protuberância de um terreno que se elevava em frente à encosta de um monte onde se situa a cidade de Ceará-Mirim em uma distância aproximada de dois quilômetros ergue-se ainda majestosa a Casa Grande do Guaporé diante de um imenso mundo verde entrecortado do límpido “rio azul” e acercada de árvores realmente colossais repleta de vasta folhagem, dando ao ambiente clima verdadeiramente paradisíaco.
O fidalgo Dr. Vicente Inácio Pereira era seu proprietário e, ali, realizaram-se acontecimentos da mais alta importância para a sociedade de Ceará-Mirim.
A Casa Grande do Guaporé, possuidora de amplas salas e corredores, prestava-se, maravilhosamente, para tertúlias e saraus, os quais com certa constância eram ali realizados.
Minha falecida sogra Maria Nazaré Antunes Furtado em conversas familiares falou-me várias vezes de tertúlias ali realizadas, assim como dos saraus com a participação da exímia pianista Dona Augusta Pereira, cujas valsas inesquecíveis interpretadas ao piano enchiam o ambiente das mais ternas melodias.
Que passado glorioso o do velho “Guaporé”!
Além das tertúlias familiares onde eram analisados os mais modernos textos da literatura da época houve um acontecimento da maior importância para aquela casa de engenho que foi a recepção feita a D. José, bispo com sede em Recife, mas que supervisionava as paróquias da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
A Casa do Guaporé recebeu com as mais honrosas pompas aquele prelado, quando de sua visita a cidade de Ceará-Mirim, promovendo um lauto almoço para a comitiva visitante chefiada pelo sr. Bispo D. José. Ao almoço estiveram presentes a Exma. Sra. Baronesa de Ceará-Mirim e a Exma. Sra. Dona Isabel, esposa do Dr. Vicente Inácio Pereira e filha da Baronesa.
Comissão de senhoras de fina sociedade local recepcionou o príncipe da Igreja com chuva de pétalas de rosas em meio à beleza do jardim florido sob o espocar de fogos de artifício e ao som da banda de música municipal.
Como que a espreitar toda aquela movimentação, dois galgos de louça branca, quais sentinelas, espreitavam tudo em silêncio.
A Casa Grande do Guaporé viveu, realmente, seus momentos de glória e de fausto, em um período glorioso onde predominou a aristocracia rural.
Porém toda glória tem seu fim e, esse fim vai muito bem retratado nessa frade de Dona Maria Madalena Antunes Pereira:
“Anos depois, entrei pela primeira vez na casa do Guaporé.
Nada mais existia do fausto antigo.
As flores do jardim murcharam como os que lá habitaram.
Apenas os galgos ainda conservavam na fisionomia a ilusão de estar guardando uma riqueza que passou...”.

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