domingo, 3 de março de 2013

CARTA A CLÉA



Mensagem enviada a Cléa Bezerra de Mello Centeno no dia 12 de junho de 2006, por ocasião da publicação de seu livro DEVER DE MEMÓRIA, uma biografia de Ubaldo Bezerra de Mello.


Querida prima Cléa,


Parabéns pelo belo livro. Li devagar, divagando, saboreando cada capitulo, feliz por neles encontrar algumas lembranças comuns. Afinal, tive o prazer e honra de tangenciar alguns poucos aspectos da minha vida com a desse grande homem. Aliás, na minha memória, ele me parecia enorme quando, em pequenino, lhe tomava a benção. Fiquei feliz por agora conhecê-lo em mais detalhes. Era meu padrinho e grande amigo do meu pai.

Em dado momento, você fala dos livros que eram lidos pela família. Essa informação me remeteu aos anos de 1957/58, eu com 6 ou 7 anos de idade, morando na avenida Deodoro nº 622. Foi a estória de Robson Crusoé, o livro que ganhei de presente numa das frequentes visitas dos meus padrinhos Ubaldo e Haydée. E ainda restam na minha lembrança: o livro, a estória, seus sorrisos e minha grata alegria. Tempos depois pude entender o real significado daquele presente. Era natural que se presenteasse uma criança daquela idade com um brinquedo qualquer. Porém, sempre enxergando adiante do seu tempo, ele deu-me algo mais valioso: sonho e conhecimento.

A sua narrativa sobre as usinas Ilha Bela e Santa Terezinha, o rio Água Azul, a verde visão dos canaviais e outras saudades muito me emocionaram, pois, de certo modo, em outras épocas, fazem parte também de minha estória. No ano de 1978, quando da inauguração da agência do Banco do Brasil em Ceará-Mirim, fui convidado para atuar como Fiscal de Operações Rurais onde permaneci até o dia de minha aposentadoria, em 04 de junho 2001. Portanto, foram 23 anos de minha vida dedicados àquela região, virada em terra adotiva, que recordo com carinho. Ainda hoje sinto o cheiro do açúcar mascavo descansando nas formas de madeira purgando mel-de-furo, vejo os pátios cobertos com bagaço de cana secando para alimentar as caldeiras, a fumaça dos bueiros turvando o azul das tardes, ouço o apito dos engenhos, o tropel da burrarada com cambitos cheios de cana, o estalido do chicote dos cambiteiros açoitando a beleza das manhãs.

Um grato e comovido abraço de
Ormuz, filho de Arnaldo.

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