quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Carta enviada ao jornalista Vicente Serejo

Matéria publicada na coluna Cena Urbana do jornalista Vicente Serejo no periódico “O JORNAL DE HOJE”, edição de 23 de fevereiro de 2011.

CASTANHOLEIRA DO VIADUTO DO QUARTO CENTENÁRIO

Incansável na sua luta, Ormuz Barbalho Simonetti volta a brandir sua espada na defesa da castanholeira que nasceu e teima em viver ao abandono de todos os cuidados entre as muradas do Viaduto do Quarto Centenário. Uma resistência devia merecer a atenção da cidade
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A TEIMOSIA DE UMA ÁRVORE

Natal 01 de março de 2011

Caro amigo Vicente Serejo:

Hoje completam 8 meses que lhe enviei uma carta, contando da resistência de uma castanholeira que havia nascido e crescido, não se sabe como, entre as muradas de concreto que dividem a BR 101, na altura do viaduto Quarto Centenário. Ao final do meu relado fiz a seguinte previsão: “Infelizmente, naquele local ela não resistirá por muitos anos, pois seu tronco não poderá se expandir em virtude da proximidade com as muretas de concreto e logo vai aparecer alguém alegando que seus galhos estão atrapalhando o trânsito, e usará contra a indefesa árvore, o seu impiedoso facão”.

Pois bem, o que eu previ naquela ocasião, aconteceu pouco tempo depois. Alguém foi ao local e abateu a indefesa árvore, que teve seu tronco decepado rente as muretas de concreto. Ao passar no local, lembrei do que havia previsto e fiquei triste e decepcionado. Acalentei a esperança de que a matéria publicada em sua prestigiosa coluna, “Cena Urbana”, fosse despertar e sensibilizar as autoridades responsáveis e ao invés de enviar ao local um algoz, tivesse enviado um salvador, na pessoa de um botânico, para estudar a remoção da castanholeira para o seu local de direito que é na Explanada Silva Jardim, substituindo por merecimento e tradição, a sua ancestral.

Conhecendo a força da natureza e particularmente daquela valente espécime, retornei ao local 30 dias depois, e com alegria pude observar os primeiros brotos que rasgando a sua grossa casca, e se projetavam em vários pontos em torno de seu tronco, em busca dos raios solares. Fiquei feliz! A castanholeira continuava viva. A sua vontade de viver venceu a insensibilidade dos homens. Desse dia em diante, venho acompanhando o seu difícil mas constante crescimento, que se faz com a mesma intensidade que antes de sua mutilação. Ajudada pela umidade das últimas chuvas caídas na nossa Capital, seus galhos crescem a passos largos e mostra toda sua vitalidade no verdume exuberante exibido do por suas folhas expeças e viçosas.

Carissímo Serejo, essa valente árvore já mostrou e provou toda sua vontade de viver, talvez no afã de cumprir com sua natureza de crescer e se multiplicar, distribuindo suas boas sementes por nossa Capital, ultimamente tão esquecida e mal tratada pelos seus administradores. Comparo essa árvore, símbolo de resistência e perseverança, com nosso povo maltratado e agredido nos seus mais elementares direitos constitucionais. Explorado de todas as maneiras pelos maus políticos, assolado pelos impostos, que cada vez maiores e mais vorazes, roubam do trabalhador o simples direito até de se alimentar dignamente, para alimentar a máquina corrupta dos governos.

Faço aqui um apelo para que, através da sua respeitabilidade de colunista sério e preocupado com o destino de nossa cidade, possamos iniciar uma campanha em defesa dessa da vida dessa árvore. Faço uso de suas próprias palavras quando da publicação de minha carta em julho de 2010: “Homenagem ao seu desejo de viver e crescer como um exemplo de resistência no exemplo para todos os natalenses”

Um grande e afetuoso abraço,

Ormuz Barbalho Simonetti

Um comentário:

Anônimo disse...

Concordo em deixar a pobre da árvore crescer ao invés de matá-la; sou de Olinda-PE e estou sensibilizado, já basta o que fizeram com a nossa Mata Atlântica. Abç, Leonardo Beltrão.