domingo, 3 de janeiro de 2010

ACTAS DIURNAS - MANIFESTAÇÕES

Meu Caro Ormuz,
No período em que se dedicou a pesquisa, para tornar possível a publicação dos seus escritos genealógicos, sei que se apaixonou pela obra do mestre Câmara Cascudo. Colecionou seus livros, e tornou-se aprendiz de bibliófilo.
No ano de 1986, um dos jornais de Natal publicava a seguinte manchete: "Há uma vaga de gênio na cultura do RN". Uma manchete impactante para anunciar a morte de um gênio. Chorávamos com a partida de Câmara Cascudo.
Os legítimos representantes da cultura, como gostava de dizer meu professor, Berilo Wanderley, de saudosa memória da “tupiniquim até o sul maravilha”, já falaram - e ainda falarão - sobre o nosso grandioso Cascudo.
Quando jovem, e não faz muito tempo, li, nesse mesmo matutino, uma frase de abertura de um discurso de agradecimento de uma homenagem que recebera no Museu que hoje leva o seu nome. E iniciava assim: "Acabo de fazer uma transformação miraculosa no campo da fisiologia. Estou ouvindo com o coração porque a minha audição anoiteceu, e eu perdi a intimidade do som". É desnecessário lhe dizer o quanto somos iguais, quando o assunto é Cascudo. Por isso, peço-lhe que, ao invés de insistir em publicar seus textos em seu blog, vamos divulgá-lo com os registros que são do conhecimento público, e, portanto, distante das amarras. Se vivo fosse, seguramente, não estaria muito interessado nessas questões menores. A sua satisfação, e eu sei, é apenas divulgar os textos que, quando estamos (re)lendo, nos sentimos privilegiados de tê-lo conhecido, e orgulhosos em podermos dizer: Sou conterrâneo de Câmara Cascudo. O mais, é uma triste confirmação do lamento do Eclesiastes: nada há de novo debaixo do Sol...
Saudações Cascudianas
Arnilton

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