quinta-feira, 19 de setembro de 2013



O decano literalmente nos DEU UM CANO. Esperou até o último instante para nos apunhalar. Apunhalou uma sociedade humilhada, cansada, massacrada pela força poderosa e devastadora dos corruptos. Deixou para sua história e da mais alta Corte de nosso país, um exemplo triste que certamente irá envergonhar seus descendentes por muitas gerações. Como um otimista irrecuperável acreditei até o ultimo instante que o Brasil teria uma chance. Ledo engano. Perdemos mais uma vez. Paciência. Esse gesto certamente não é da MÃO NA CONSCIÊNCIA, na verdade ele se preparava pra oferecer solenemente seu de DEDO ao povo brasileiro. Um dia descobriremos quanto custou esse tresloucado voto do ministro que gastou 2 horas e 10 minutos justificando o injustificável.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

DE VOLTA AO PASSADO VII – ANTIGOS BLOCOS CARNAVALESCOS – ÚLTIMA PARTE


Finalmente chegamos ao último artigo sobre os antigos blocos carnavalescos. Como dissemos na crônica anterior, esses blocos deixaram de animar as ruas e avenidas de nossa capital, após o acidente ocorrido com o bloco “Puxa Saco” no ano de 1984, que ficou conhecido como “A Tragédia do Baldo”. Entretanto, os blocos que saiam à moda antiga com alegoria, orquestra e puxados com trator, deixaram de existir já em meados dos anos 70. Os que permaneceram diferiam dos tradicionais, pois não se utilizava o sistema de alegorias, deslocavam-se a pé e o número de componentes era bem maior. Guardadas as devidas proporções, assemelhavam-se em muito aos blocos que hoje desfilam por ocasião do insistente Carnatal.  

                               CARNATAL - Imagem internet

Os antigos blocos carnavalescos tiveram o mesmo destino que as nossas saudosas “serenatas” - musicas cantadas no sereno -, costume boêmio que herdamos no sangue lusitano, dentre outras coisas vindas da Península Ibérica. Quando em 1972 parti para São Paulo Capital, onde assumiria o meu primeiro emprego no Banco do Brasil, a prática das serenatas em nossa turma ainda era comum. Reuníamos nos bares de então para os ensaios e lá pela madrugada iniciávamos as serenatas, de preferência na casa da namorada de alguém da turma. 

Imagem Internet

Naquela época o percurso era feito a pé, o que limitava nossa atuação e os bares escolhidos para os ensaios ficavam estrategicamente próximos das casas a serem visitadas. Posteriormente vieram os carros, geralmente ganhos por um de nós, como prêmio por ter obtido aprovação no concurso do vestibular, melhorando, assim, o alcance e o número de casas visitadas.


Imagem Internte

Quando do meu primeiro retorno a Natal em 1974, poucos eram os que se aventuravam nessa prática, pois a evolução musical dos ritmos e estilos, já empurrava o jeito melodioso e poético das musicas cantadas em serenatas para a marginalidade. Além do mais esse tipo de música e seus intérpretes eram taxados de piegas. Diziam-se bregas, cafonas etc.
                                       Imagem Internte
Entretanto, não era o que acontecia em Conservatória, distrito de Valença no estado do Rio de Janeiro. Em 1975, ainda morando do Rio, tive a oportunidade de passar um fim de semana prolongado nessa encantadora cidade. No primeiro dia, ao cair da tarde quando as luzes tênues pendentes dos postes de madeira começavam a iluminar a velha cidade, fiquei arrebatado com o som que vinha das ruas. A princípio distante, depois aos poucos começou a se aproximar da casa onde estávamos hospedados. Em dado momento, surgiu no início da rua um grupo de pessoas, na maioria formado por casais que caminhava cantado ao som de violões plangentes, tangidos magistralmente por músicos, que acompanhado de suas namoradas, esposas e amigos peregrinavam pelas centenárias ruas estreitas da cidade enchendo o ar e o coração dos ouvintes de uma melodia tão bela, que naquele instante nos pareceu hinos celestiais.

                                      Imagem Internet

No outro dia, andando pela cidade, pudemos observar que em cada casa daquela rua e de outras também, havia uma placa afixada na parede com a data da serenata e o nome do compositor da canção executada. Fiquei impressionado e maravilhado com aquela tradição, que se mantém até os dias de hoje.

                                        Imagem Internet

Quando retornamos para Natal, em 1976, perguntei aos amigos se ainda aconteciam as nossas serenatas.Tive como resposta frases de reprovação: tá doido? Isso é coisa de brega! Conformei-me e silenciei quanto a minha experiência na cidade de Conservatória. Não valia à pena dizer o que tinha visto e sentido. Para eles não fazia a menor diferença, afinal minha cidade havia crescido e com ela a mentalidade cosmopolita daqueles amigos.
        
Imagem Internet

       
Mas, de volta aos antigos blocos carnavalescos, em 2010 um grupo de amigos, remanescentes dos blocos  Lorde’s e Apaches, movidos pelo saudosismo, resolveram literalmente “botar o bloco na rua”. Fizeram algumas reuniões, ao modo como fazíamos naqueles “anos dourados” e foram à luta: contrataram orquestra, conseguiram o trator e as caçambas. 
APACHES - 2010

O desenho e a pintura da alegoria ficou, como sempre, a cargo do artista plástico Levi Bulhões. Teve como primeira formação os seguintes foliões, que na quase totalidade eram acompanhados por suas esposas: Beto Coronado, os irmãos Claudinho e Sezio Ribeiro Dantas, Minervino, Levi Buhões, Marcos Monte, Julio Andrade, Mauricio Tarcino, Iog Pacheco, Alfredo, Jaime Paiva, Sergio Amarelinho, Rafael Maux, João Cláudio (Joê) e José Bezerra (Ximbica).

                                            APACHES  2011

No sábado de carnaval daquele ano, retornava as ruas de Natal “OS APACHES” com admiração e saudosismo dos mais velhos que tiveram o privilegio de conhecer ou mesmo de participar dos antigos blocos carnavalescos.
APACHES - 2013

         A partir de 2011, continuam saindo mesmo sem alegoria, entretanto, não dispensam a orquestra que no ano passado foi composta por dez animados músicos. Vestidos com fantasia simples onde se destaca o nome do bloco na camisa, reúnem-se, inicialmente na casa de Beto Coronado. De lá, partem para os bares da vida de preferência no circuito da praia de Ponta Negra, compartilhando alegria, tocando a tradicional e boa musica carnavalesca composta de frevos e machinhas e, naturalmente, como bons saudosistas, evocando os tempos que não voltam mais.  


terça-feira, 27 de agosto de 2013

“UMA ESMOLA, POR AMOR DE DEUS”


É comum em nossas ruas, algm estender a mão e nos dizer: "Uma esmola, por amor de Deus". (Alguns não falam mais, apenas gesticulam. Cansaram!). Talvez jamais imaginemos qual será a história daquele pedinte, esquálido e envelhecido precocemente. Como terá sido sua infância?  Que sonhos teriam 'povoado sua juventude? Após tantas vicissitudes, o que pensa ainda da vida e espera da sociedade? Poucos se questionam a respeito do ser humano, imagem e semelhança de Deus, à sua frente. E diante de cada pedido, há olhares, palavras e sentimentos de piedade, indiferença ou desdém. Ante a pobreza do mendigo, cada transeunte tem em mente perguntas ou respostas: umas políticas e ideológicas, poucas evangélicas. Alguns dizem: “Eu não dou esmola". Outros afirmam: “Eis o resultado de uma sociedade estruturada sobre a injusta". Muitos se perguntam; "Onde está o dinheiro de nossos impostos?" ou "Por que o governo nada faz por tais pessoas?" 


Os mais solidários e sensíveis reconhecem: "Meu Deus, que rosto sofrido!" ou "O que posso ou devo fazer"? Hoje lançamos naves espaciais; graças a Deus, obtemos progressos consideráveis nas pesquisas do câncer e desenvolvemos tipos de sementes adaptadas às condições climáticas de cada solo e região. No entanto, quantos Lázaros continuam, há anos, percorrendo nossas ruas, estendendo suas mãos para matar a fome com as migalhas de nossas mesas (cf. Lc 16,19-31).
 
                  PADRE IBIAPINA

                                                         FUNDAÇÃO  PADRE IBIAPINA 

O que fazemos por eles? Qual a postura da Igreja? No passado, havia grandes obras assistenciais, como as Casas de Caridade do Padre Ibiapina.
Depois, nasceram iniciativas sociais visando à promoção humana. Porém, constatamos já não ser isso o bastante. Mister se faz uma renovação das estruturas de nossa sociedade para que o processo de empobrecimento deixe de fazer novos miseráveis.

São incontáveis os necessitados ao nosso lado, não apenas o esmoler das calçadas. Há pobres no campo econômico: famintos, sem teto e sem saúde (em macas, nos corredores dos hospitais), desempregados, vivendo indignamente. Existem pobres no campo social: marginalizados por inúmeras razões, migrantes, analfabetos etc. Deparamo-nos com os pobres na consistência física ou moral: deficientes, alcoólatras, drogados, prostitutas, debilitados psiquicamente. Vemos ainda os pobres de amor: idosos desprezados, crianças sem lar, famílias desfeitas ou desagregadas. Enfim, os pobres de valores autênticos: escravos do prazer, do dinheiro, do poder, os sem Deus.
    

A mão estendida em nossa direção é um grito de alerta: alguém necessita não só de nossa ajuda material, mas também de nosso tempo, nossa dedicação e amor. Poderemos nos omitir, refugiando-nos em desculpas; ou, então nos unir a todos os que se inquietam com os olhares e as palavras: Uma esmola, por amor a Deus!” A Igreja latino-americana declarou sua opção preferencial pelos pobres. Mas, parece que eles não estão em nossos templos nem Ela perto deles!

 

Ao nosso redor, há crianças carentes; mães grávidas abandonadas; adolescentes que bem cedo são motivo de preocupação; idosos sem família e sem amor. Pensar nesses problemas e interessar-se por eles poderá ser o primeiro passo para a descoberta de novas respostas para a miséria material e espiritual que nos desafia. Deste modo, talvez descubramos que somos ricos porque Alguém (Cristo), um dia, estendeu sua mão em nossa direção, levantou-nos e nos acolheu como irmãos, dando-nos dignidade e razões para viver, Não será um convite para fazermos o mesmo? Nós que transitamos em carros com ar condicionado, bem vestidos e alimentados, inclusive com direito a lazer, já pensamos que, sem a graça divina, talvez estivéssemos nas ruas, de mão estendida, pedindo "uma esmola, por amor de Deus"?

Padre João Medeiros