segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Do livro “A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS”



As primeiras fontes d’água: cacimbas.

Na Pipa daquela época, tanto a água para beber quanto para os gastos domésticos era retirada das chamadas “cacimbas”. Essas fontes nada mais eram que olhos d’água, localizados próximos ao mar; afloravam da terra. As pessoas cavavam em círculos e ampliavam a área de captação da água. Como ficava exposta, e era comum ser utilizada por animais, a água destinada para beber tinha que ser retirada com cuidados especiais.


Posteriormente, as cacimbas foram cavadas em locais previamente determinados, geralmente nos quintais das casas. Esse outro tipo de cacimba, mais moderna, constituía-se de um buraco escavado no chão, com largura variando entre 70 cm e 1 metro. Era então revestida com tijolos até a borda, que geralmente ficava acima do solo, e era coberta com uma tampa de madeira. Como o lençol freático naquela área era muito superficial, como ainda hoje o é, ao perfurar de dois a três metros o solo, já se podia encontrar água abundante e de boa qualidade.

A água retirada das cacimbas era transportada para as casas em cabaças, potes ou galões. A primeira, lagenaria siceraria, tinha diversas utilidades ligadas ao uso da água. As cabaças tinham tamanhos e formas diversificadas, dependendo da variedade e do momento da colheita. Servia para transportar água, roupas após a lavagem; como vasilha nas refeições, pratos, copos e cuias para retirar alimentos; como moringa, acondicionando água para os trabalhadores que iam para os roçados, pescadores, quando se aventuravam no mar a dentro, e principalmente por viajantes, nos seus deslocamentos geralmente feitos a pé para as cidades de Vila Flor, Goianinha, Ares, Barra de Cunhaú etc. Além disso, essas cabaças serviam também como instrumentos musicais.





Os potes e galões, por serem menores e bem mais maneiros, eram conduzidos na cabeça das mulheres apoiados em uma rodilha, nome dado a um pano que depois de bem torcido é enrolado em círculo. A rodilha tem a função de evitar o incômodo contato direto do fundo do pote com a cabeça de quem a transporta, além de melhorar o equilíbrio da mesma. Tornou-se comum em nossa região o ditado: “Quem não pode com o pote, não pega na rodilha”. Isso significa dizer que o indivíduo que não pode assumir determinado compromisso, ou realizar alguma tarefa, não se comprometa com os mesmos.


O galão, ainda hoje muito utilizado para transportar água nas cidades do interior do Nordeste, era feito com duas latas de 20 litros cada. Essas latas chegavam à praia trazidas pelos comerciantes que vendiam o querosene. Ainda hoje, lembro-me da única logomarca, Esso Jacaré. Este produto era utilizado para a iluminação das casas, abastecendo lamparinas, candeeiros e lampiões. Tempos depois, utilizou-se o óleo diesel, popularmente chamado de gás óleo. As latas eram presas por cordas de agave (sisal) a um barrote de madeira.















O transportador o carregava depois de bem dividir em seu ombro os quarenta litros de água que comportava o galão. Essa água era colocada em jarras de barro que ficavam localizadas nas cozinhas, para o preparo dos alimentos, lavagem de pratos etc.



















A água destinada ao consumo dos moradores era colocada em potes e quartinhas, estas por serem menores eram geralmente colocadas nas janelas para que, em contato com o vento, esfriasse a água armazenada nelas.
Os utensílios de barro como jarras, potes, quartinhas, pratos e panelas eram todos adquiridos nas feiras de Vila Flor, Canguaretama e Goianinha. Essas peças eram feitas de um tipo de barro especial, denominado barro de louça, que não existia nas regiões próximas ao mar.

Antes de a água ser colocada nas jarras, amarrava-se na “boca” da mesma um pano muito fino, geralmente feito de morim. Esse pano ou coador, como também era conhecido, servia para evitar a entrada de pequenas raízes de árvores próximas das cacimbas, assim como também algumas impurezas que o tal pano conseguisse reter. Colocavam-se, dentro delas, algumas pedras de enxofre para evitar o aparecimento de “martelos”, como regionalmente conhecemos as larvas de mosquitos.
Foram essas jarras nossas primeiras geladeiras. No “pé” da jarra, eram depositadas: frutas, verduras e raízes que eram consumidas durante a semana. Devido à umidade existente nesses locais, os alimentos se conservavam saudáveis por mais tempo, não obstante à companhia de algum teimoso sapo cururu. Esses indesejáveis inquilinos, sem nenhuma cerimônia, instalavam-se ali, junto aos alimentos, para aproveitar aquele friozinho durante o dia. À noite, se aventuravam em volta de lampiões, candeeiros e lamparinas, à cata de algumas desprevenidas mariposas.

As mais famosas cacimbas da praia da Pipa eram a Cacimba do Comum, localizada ao lado da atual igreja onde hoje é a casa que pertenceu a Maria Gadelha, e a Cacimba de Zé de Tereza, onde hoje é o restaurante Peixada da Pipa e a Cacimba de Vicência Torres, onde fica a casa de Honório Grilo. Outra cacimba famosa era a Cacimba do Beco da Peixeira, considerada “assombrada”. Esse beco era uma passagem que existia próximo à casa que hoje pertence a Luiz Carvalho. Estórias passadas de pai para filho diziam que as pessoas evitavam passar à noite nesse beco, pois ouviam saindo da tal cacimba o som de músicas ou de pessoas cantando.

Com a chegada da água encanada, em abril de 1983, as cacimbas foram aos pouco sendo desativadas. Algumas, depois de anos e anos fornecendo de suas entranhas, água doce e saudável, tiveram destino menos nobre, mas de extrema importância. Transformadas em fossas sépticas, continuaram servindo à saúde da comunidade.

Natal, julho de 2009.

domingo, 14 de agosto de 2011

FUNDAÇÃO - ACLA - ACADEMIA CEARAMIRIENSE DE LETRAS E ARTES

















NA ABERTURADA SESSÃO SOLENE, O PATRONO DE HONRA - DIÓGENES DA CUNHA LIMA - NA QUALIDADE DE PRESIDENTE DA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS, DEDICA BREVES E BELAS PALAVRAS AO MOMENTO, À CULTURA EM GERAL, À LITERATURA, EM SAUDAÇÃO EMOCIONAL!




Do BLOG de Lúcia Helena Pereira

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

INSTALAÇÃO DA ACLA - ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES

















DO BLOG DE CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES

Foi uma noite histórica, com a presença de intelectuais, autoridades e do povo de Ceará-Mirim, tudo conduzido magistralmente pelo Presidente Pedro Simões Neto, que proferiu, de improviso, um discurso que marcará definitivamente o evento, rememorando a terra dos canaviais e sua gente.
A sessão foi aberta pelo escritor Diógenes da Cunha Lima, Presidente da ANRL, que transferiu o seu comando ao Presidentge Pedros Simões Neto.
Muitos homenageados e, ao final, a execução do hino do Município, cantado com entusiasmo contagiante. PARABÉNS.
Aproveito para apresentar os meus agradecimentos pela outorga do título de Sócio Benemérito, o que muito me engrandece e orgulha.

Cultuo a idéia de que uma homenagem como esta não deve ter a simploriedade de apenas um muito obrigado. Seu significado é bem maior, pois engrandecido pelo chão sagrado da terra dos canaviais, berço de história e de cultura, que enobrece, não apenas os seus conterrâneos, mas todos aqueles que apreciam a beleza, a literatura e a arte, na placidez deste vale.

Cerca nossa memória os meninos do Ceará-Mirim, que se entrelaçaram na contemporaneidade e na cultura – EDGAR BARBOSA e NILO PEREIRA, quando dizia o primeiro: “Ninguém permanece vivendo mais o Ceará-Mirim do que Nilo – o menino que o descreveu entre sonhando e sorrindo já se descobre desde as primeiras linhas – no seu livro “Imagens” de Ceará-Mirim”. Nilo, por sua vez, não faz por menos, confirma o amigo com a bela alegoria: “Menino é aquele que cresce no adulto, a vida o levou por longas terras, a cumprir o seu destino. Mas ele volta sempre: e voltar é ver de novo”.

Ambos contaram e cantaram a mesma terra-berço. Vê-se, assim, que Edgar está em Nilo e Nilo em Edgar, caminhos que se cruzaram num tempo, corpos que se separaram em outro e se reencontraram na grandeza da eternidade.

O mesmo diria dos outros Patronos desta Academia de Cultura, desde ADELLE DE OLIVEIRA, a professora daqueles meninos, até o último que RECENTEMENTE se encantou – BARTOLOMEU CORREIA DE MELO, cujos perfis serão traçados doravante pelos intelectuais que honram suas cadeiras.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ACLA - ACADEMIA CEARAMIRIENSE DE LETRAS E ARTES













IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONSEIÇÃO

Menos chá, mais ação. A Academia de Letras e Artes de Ceará-Mirim, criada em outubro do ano passado, deseja reverter a imagem algo morosa e pedante que se faz deste tipo de instituição acadêmica, promovendo uma série de ações que elevem cultural, social e economicamente a região. O pontapé será dado nesta quarta-feira, às 19h, ocasião em que a academia fará instalação e posse de diretoria e sócio-fundadores, na Estação Cultural Roberto Varela


CENTRO DE CULTURA "ROBERTO PEREIRA VARELA"

A academia surge e se mobiliza num momento em que Ceará-Mirim passa por uma grande crise econômica e social. "Passamos mais de 200 anos como uma monocultura dedicada à cana-de-açúcar, e nada mais. Essa acomodação veio cobrar seu preço. Ceará-Mirim virou uma cidade dormitório", explicam Pedro Simões, fundador da academia, e Ciro José Tavares, articulador de projetos. A saída, segundo os acadêmicos, está na exploração de um elemento que sempre esteve enraizado na história da cidade, mas pouco explorado: a produção cultural.













CENTRO CULTURAL ROBERTO PEREIRA VARELA

"Ceará-Mirim é um dos maiores pólos culturais do estado. A própria autoestima da população está diretamente ligada a isso. Mas não havia um trabalho para tornar esse fato a nosso favor", explica Pedro Simões. Os acadêmicos viram que o momento de oficialização da instituição poderia servir como forma de suporte para combater a crise. "A gente não poderia desperdiçar a criação da academia com chás, conversas e vaidades. Resolvemos inovar e aproveitar a força intelectual da cidade para promover melhorias práticas", afirma Ciro Tavares. Antes mesmo da instalação da academia, algumas medidas já tinham sido elaboradas pelo grupo, adianta Pedro Simões.













CENTRO CULTURAL ROBERTO PEREIRA VARELA

O projeto principal diz respeito ao incremento do turismo cultural. "Ceará-Mirim tem engenhos, casarões imperiais, belezas naturais. Temos o maior entalhador em madeira do estado, o Mestre Santana. É o tipo de coisa que deve ser admirada o ano todo, não apenas no São João", afirma. Os acadêmicos foram convidados para coordenar a parte cultural da festa da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, dez dias de festa que terão um formato inovador. Em setembro, a academia levará para Natal uma mostra coletiva com o que há de melhor nas artes plásticas cearamirinenses.

domingo, 7 de agosto de 2011

ACLA - ACADEMIA CEARAMIRIENSE DE LETRAS E ARTES



















CONVITE PARA A SOLENIDADE DE POSSE DOS SÓCIOS FUNDADORES DA ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES - ACLA. - EM 10-08-2011, 19 horas na Estação Cultural Roberto Pereira Varela - Ceará-Mirim..

PATRONOS/ACADÊMICOS

Cadeira n. 1 – Nilo Pereira; Caio César Cruz Azevedo
Cadeira n. 2 – Edgar Barbosa; Cléa Bezerra de Melo Centeno
Cadeira n. 3 – Juvenal Antunes; Paulo de Tarso Correia de Melo
Cadeira n. 4 – Maria Madalena Antunes Pereira; Lúcia Helena Pereira
Cadeira n. 5 – Adelle de Oliveira; Ciro Tavares
Cadeira n. 6 – Augusto Meira; Emmanuel Cavalcanti
Cadeira n. 7 – Rodolfo Garcia; VAGO
Cadeira n. 8 – Júlio Magalhães de Sena; Gibson Machado
Cadeira n. 9 – Inácio Meira Pires; Anchieta Cavalcanti
Cadeira n. 10 – Jayme Adour da Câmara; VAGO
Cadeira n. 11 – Padre Jorge O´Grady de Paiva; José de Anchieta Cavalcante
Cadeira n. 12 – Elviro Carrilho da Fonseca; VAGO
Cadeira n. 13 – Herculano Bandeira de Melo; VAGO
Cadeira n. 14 – José Emidio Rodrigues Galhardo; Janilson Dias de Oliveira
Cadeira n. 15 – José Alcino Carneiro dos Anjos; VAGO
Cadeira n. 16 – Francisco Pereira Sobral; VAGO
Cadeira n. 17 – Etelvina Antunes Lemos; Sayonara Montenegro Rodrigues
Cadeira n. 18 – Antonio Glicério; VAGO
Cadeira n. 19 – Dolores Cavalcanti; VAGO
Cadeira n. 20 – Francisco de Salles Meira e Sá; Pedro Simões
Cadeira n. 21 – Anete Varela; VAGO
Cadeira n. 22 – Rafael Fernandes Sobral; Franklin Marinho de Queiroz ]
Cadeira n. 23 – José Pacheco Dantas; Leonor Soares
Cadeira n. 24 – Manuel Fabrício de Souza (Amarildo). VAGO
Cadeira n. 25 – José Bartolomeu Correia de Melo; Ormuz Barbalho Simonetti

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

LUIZ DA CÂMARA CASCUDO

Aos 20 anos, em 1918, fez sua estréia nas páginas de A Imprensa, o jornal do seu pai. Foi o repórter que acompanhou Joca do Pará numa reportagem sobre as rondas da polícia montada vigiando a noite da cidade. Aos 21,fez sua estréia como escritor ao lançar seu primeiro livro - Alma Patrícia, há noventa anos. E há 25 anos fechou seus olhos para sempre, aos oitenta e seis anos e mais de uma centena de livros. Genial e humilde. Pobre e feliz.

Filho único de Francisco Justino de Oliveira Cascudo e Ana Maria da Câmara Cascudo, ele comerciante e coronel da Guarda Nacional, ela dos afazeres do-mésticos, nasceu Luís da Câmara Cascudo em Natal, a 30 de dezembro de 1898, onde viveu 88 anos até seu coração parar na tarde do dia 30 de julho de 1986.

Na água do primeiro banho, a mãe despejou um cálice de vinho do Porto para ter saúde e o pai temperou com um patacão do Império, para ganhar fortuna. O padre João Maria, o santo da cidade, batizou-lhe na Igreja do Bom Jesus Dores, na Ribeira, ali onde nasceu, anunciando seu nome em latim: Ludovi-cus! E a poetisa Auta de Souza, amiga de sua mãe, embalou nos braços tépidos, o choro forte do menino-homem.

Como o sobrevivente de quatro irmãos, teve a infância guardada entre cuidados com ama de companhia, professora particular e proibido do encanto das ruas. No verão, vivia os dias de calor na beira do mar, entre barcos e pescadores, e o inverno passava no sertão, ouvindo o aboio dos vaqueiros e o desafio de cantado¬. E assim sedimentou, entre espumas e espinhos, a sua cultura descobridora do homem brasileiro.

Desejou ser um nobre médico de província e chegou a cursar os primeiros anos Faculdade de Medicina da Bahia e no Rio de Janeiro. Mas terminou cumprindo destino de ser bacharel em Direito, na velha Faculdade de Direito do Recife ¬onde ainda ouviu o eco dos discursos de Joaquim Nabuco e Tobias Monteiro versos de Castro Alves horrorizados com a escravidão.

Sonhou ser jornalista, e foi. Seu pai, nessa época ainda um homem rico, instalou ¬o jornal A Imprensa para o filho. Nas suas páginas, o estudante que lia até a madrugada, passou a exercitar o gosto de escrever, mantendo a coluna Bric-à¬-Brac, na qual treinou seu olhar perscrutador observando costumes, hábitos e tradições de seu povo. Um repórter a registrar os quadrantes da vida comum.

O primeiro livro, Alma Patrícia, um olhar pioneiro sobre os poetas e prosado-res de sua cidade, sai dos prelos em 1921. Na véspera da Semana de Arte Moderna de 1922 que aconteceria, meses depois, em São Paulo. O movimento estético encontrou no jovem escritor natalense um dos precursores no Nordeste. O professor ¬de História que se revelara com as biografias do Marquês de Olinda e do Conde d'Eu, publicadas na Coleção Brasiliana, foi além dos feitos históricos. Voltou ¬seu olhar para o Brasil para ser um dos grandes fundadores do homem brasileiro¬, ao lado de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda

Leitor dos clássicos e das vanguardas dos anos vinte, não demorou a entrar sintonia com os modernistas. Colaborou nas suas revistas, recebeu Mário de Andrade em Natal, e começou a sua construção da cultura popular do seu povo. Ergueu as bases da etnologia, psicologia, antropologia e sociologia do homem brasileiro, vendo e ouvindo, anotando e estudando. Crenças e costumes, hábitos e tra¬dições, cantos e danças, jogos e técnicas, no lazer e no trabalho, na vida e na morte - tudo para conhecê-lo na sua riqueza, singularidade, mutações e permanências.

No final dos anos trinta, lança Vaqueiros e Cantadores e fixa seu nome como legenda nos estudos folclóricos que chamaria de Ciência do Povo. Funda a So¬ciedade Brasileira de Folclore; propõe uma teoria em tomo do conceito de Cultu¬ra Popular; ergue com erudição o corpus conceitual da Literatura Oral no Brasil e sistematiza sua classificação; e faz a sua longa viagem de estudos ao continen¬te africano, como um grande viajante do Século XX, para beber nas fontes ances¬trais o vinho arcaico do passado e escrever Made in África, restauração da arqueo¬logia cultural brasileira, cartografia indispensável à compreensão das nossas raízes que pareciam perdidas há cinco séculos. .

Autor de verdadeiros clássicos da cultura brasileira, como o Dicionário do Fol¬clore, Cultura e Civilização, História da Alimentação e História dos Nossos Ges¬tos; ensaísta insuperável da Jangada e da Rede de Dormir; etnólogo dos costumes e superstições; tradutor de Montaigne e Henry Koster; estudioso das lendas, da novelística popular, dos contos infantis, e observador dos medos e assombrações, a obra de Câmara Cascudo é um vasto continente a contracenar com um arquipé¬lago de ilhas temáticas nascidas de todos os seus olhares e saberes específicos ar¬ticulados entre si.

Com mais de uma centena de títulos. entre livros, traduções, opúsculos, e al¬guns milhares de artigos publicados no Brasil e em vários países, traduzido na Fran¬ça, Itália, Espanha e Japão, viveu como um descobrir, vendo e ouvindo, lendo e perguntando, anotando e escrevendo, sem nunca pensar em deixar a sua terra Natal, entre o rio, o mar e os morros, traços de sua própria fisionomia. Ainda nos anos trinta, o seu pai ficou pobre e o menino virou arrimo de família com a rica fortuna de um destino que faria de sua obra uma marca vitoriosa na história inte¬lectual do Brasil.

Uma vez, em 1960, foi convidado para reitor da Universidade Nacional de Brasília pelo próprio presidente Juscelino Kubitschek que veio a Natal visitá-lo. Não aceitou. Convidado para ensinar em várias universidades da América Latina, Europa e Estados Unidos, nunca aceitou. Quando se negou a lançar a sua candidatura à Academia Brasileira e Letras, Afrânio Peixoto, seu amigo, in¬conformado em não vê-lo imortal, biografou numa frase perfeita o traço mais determinante de sua personalidade de espírito e de gênio: Câmara Cascudo é um provinciano incurável.
Luis da Câmara Cascudo viveu e morreu na sua aldeia Genial e humilde. Pobre e feliz.

Vicente Serejo 31/07/2011

domingo, 31 de julho de 2011

DO BLOG DE LUCIA HELENA PEREITA

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI - UM SAUDOSISTA INCURÁVEL - QUE ME FEZ PASSAR ALGUMAS HORAS NO COMPUTADOR, CATANDO O MILHO DE SUAS LEMBRANÇAS DOURADAS, BANHADAS NOS RIOS DA SUA INFÂNCIA BUCÓLICA, DOS VERANEIOS EM TIBAU DO SUL, ONDE UMA PRAIA QUASE ESQUECIDA, NOS IDOS DO PASSADO, TORNOU-SE, NOS TEMPOS ATUAIS, UMA ESPÉCIE DE RIVIERA FRANCESA DO RIO GRANDE DO NORTE. A PRAIA DE PIPA HOJE, CHEIA DE POUSADAS SOFISTICADAS, DE BARES, CAFÉS, RESTAURANTES, DIVERSIDADES DE FRUTOS DO MAR, DE FIGURAS DE FORA QUE SABEM COMO PRODUZIR BOA GRANA, SOBRETUDO OS EUROPEUS QUE LÁ SE INSTALARAM E SOUBERAM FAZER BOM COMÉRCIO! TODAVIA, A PRAIA LINDA, DE PAISAGEM PARADISÍACA, DE ALTAS ONDAS ONDE OS SURFISTAS SE REALIZAM. PRAIA DE PIPA, RECORDAÇÃO PERENE DESSE NOTÁVEL ESCRITOR - ORMUZ SIMONETTI - CUJA FAMÍLIA AINDA ANDA POR LÁ, EM BELAS POUSADAS ERGUIDAS HÁ MAIS DE DUAS DÉCADAS.
TODAVIA, A BELA PRAIA JAMAIS PERDERÁ SUA FEIÇÃO ANTIGA: O AZUL CRISTALINO DO MAR, O POR-DO-SOL ROMÂNTICO, AS LUAS, O CÉU ESTELAR, AS FALÉSIAS MONUMENTAIS - ARQUITETURAS DA NATUREZA - OS SÍTIOS COM SUAS MANGABEIRAS, OS CAJUEIROS FLORIDOS, OS VENDEDORES AMBULANTES...A PAISAGEM, ENFIM,
IMORTALIZADA NA MEMÓRIA DESSE GENEALOGISTA, IMORTAL DA ACLA E CRONISTA LITERÁRIO.


"A VIAGEM PARA O VERANEIO" É O CENÁRIO DA CRÔNICA DE ORMUZ PARA O NOSSO DELEITE E PAISAGISMO SENTIMENTAL.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Do livro “A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS”

A VIAGEM PARA O VERANEIO



GOIANINHA NA ÉPOCA DOS PRIMEIROS VERANEIOS
Era grande a expectativa que causava, nos dias que antecediam a viagem para a Praia da Pipa. Dias antes, o meu avô Odilon Barbalho mandava um portador a Pipa, com recado ao seu compadre Antônio Pequeno (o Velho), que era delegado distrital e exercia grande influência em toda a comunidade. Pedia que iniciasse, com alguns homens, uma “picada” com destino a Piau.

DISTRITO DE PIAU-MUNICÍPIO DE TIBAU DO SUL











Ele, por sua vez, também iniciava, com seus empregados, outra picada partindo de Piau com destino a Pipa. Era um percurso de doze quilômetros que atravessava tabuleiros cobertos de fruteiras silvestres, como mangabeiras, cajueiros e mais perto da praia, multiplicavam-se os pés de camboim, maçaranduba, guabiraba, murta, murici, cajarana, camaci, maria-preta, ubaia doce e azeda etc.



MANGABEIRAS COBRINDO A ESTRADA

Quando os trabalhadores se encontravam, estava concluída a estrada que iria conduzir a caravana de veranistas ávidos em passar todo o mês de janeiro desfrutando das águas mornas do mar da Pipa. Foram os carros de boi do meu avô Odilon Barbalho, os primeiros veículos movidos à tração animal, a chegar a Praia da Pipa, em janeiro de 1926.

HOMENS ABRINDO PICADA NO TABOLEIRO
A viagem era sempre feita à noite para poupar homens e animais do escaldante sol do mês de janeiro. As famílias, com suas tropas de burros de carga, carros de boi, charretes e cabriolés, reuniam-se no oitão da igreja matriz. Por volta das sete horas da noite iniciavam a viagem. As moças e os rapazes montavam cavalos. As moças e senhoras, naquela época, utilizavam uma sela chamada silhão. Era um tipo de sela maior que as normais, com estribo apenas em um dos lados, onde a pessoa ficava com um dos pés no estribo e curvava a outra perna sobre um arção semicircular. Era apropriada para moças e senhoras quando cavalgavam de saias.

A VIAGEM ERA FEITA AO CAIR DA TARDE

Os carros de boi além de carregar pessoas, levavam alguns móveis, como camas e pequenos armários. Levavam, ainda, vários utensílios domésticos e todas as tralhas que compõem uma cozinha.
Rapazes e moças seguiam na frente, com suas velozes montarias. Disputavam corridas e faziam diversas brincadeiras ao longo da viagem. Era comum que algumas pessoas, com habilidade para tocar instrumentos musicais, levassem violões, concertinas, triângulos, pandeiros e zabumbas, para animar a longa viagem.













A primeira parada era no distrito de Piau, que significava a metade do caminho a percorrer. Daí pra frente, a estrada se transformava em picada, e a viagem se tornava mais lenta e penosa, principalmente para os animais de carga e tração. O solo ficava mais arenoso, o que facilitava o atolamento dos carros de boi que tinham rodas de madeira muito finas para aquele tipo de terreno e carregavam a maior parte do peso.
Durante essa parada, por volta da meia noite, as mulheres aproveitavam para cuidar das crianças e comer algum lanche trazido para a ocasião. Aproveitavam, também, para utilizar os sanitários (latrinas) da casa dos compadres. Os homens geralmente iam para as bodegas e vendas para tomar uns tragos de boa cachaça de cabeça produzida nos engenhos da região.


Em seguida, retomavam o caminho seguindo pela picada previamente aberta. Nesse tipo de solo a caravana seguia com mais dificuldade. Depois de três a quatro horas de viagem chegava ao Rio Galhardo, onde era feita a última parada. Lá a demora era pequena, somente o tempo de dar água aos animais enquanto algumas pessoas tomavam banho para desenfadar. Com mais hora e meia de viagem chegavam na Praia da Pipa.

LOCAL ONDE PRIMEIRO SE AVISTA A PRAIA DA PIPA- FOTO DE 1970

A ansiedade era tanta, que os rapazes e moças disparavam nos seus cavalos, e logo chegavam à praia. Horas depois chegavam os pesados e vagarosos carros de boi e os animais de carga. Eram recebidos com festa de boas-vindas pelos compadres e moradores do lugar. Era hora de arrumar tudo e começar o tão esperado veraneio.

Natal, março de 2009.

domingo, 24 de julho de 2011

SERÁ QUE ESTAMOS NOS ACOSTUMANDO A SER ENGANADOS?

Eh, ôô, vida de gado,
povo marcado, ê, povo feliz!


Ao que parece sim, vivemos atualmente numa cidade onde as coisas erradas continuam acontecendo sem que a população se mostre pelo menos indignada. A famosa “Lei de Gerson” nunca esteve tão presente em nossos dias. Para citar alguns desses “golpes”, tomemos por base determinados restaurantes, principalmente os que adotam o sistema self service, quando o restaurante oferece, além do serviço a “la carte”, (expressão francesa utilizada quando você fazer o pedido usando o cardápio do restaurante). Na modalidade self service, alguns proprietários desses estabelecimento cobram uma taxa de 10% (dez por cento) sobre a totalidade da conta, como taxa de “serviço”, o que juridicamente é ilegal, pois nessa modalidade nenhum serviço é prestado, já que é o próprio cliente quem se serve.
Vejam o que o diz o Dr. Abdala Abi Farah, Juiz de Direito aposentado.

“Tornou-se prática comum de muitos hotéis, bares e restaurantes cobrarem a famigerada taxa de serviço de 10% sobre o valor da conta.
Todavia, à luz do Código do Consumidor e da Constituição, referida cobrança é abusiva e ilícita. Fere a lógica e o bom senso. Tal fato beira o ilícito penal, ou seja, numa análise rigorosa está se cometendo um crime contra o patrimônio.
Os estabelecimentos referidos jamais poderiam penalizar os seus clientes com uma taxa absurda transferindo a eles uma obrigação – remunerar seus funcionários – que é sua. Menos mal que tal barbaridade não se estendeu a outros setores comerciais, pois ficaria estranho o cidadão pagar essa mesma taxa ao feirante, ao açougueiro, ao farmacêutico, ao mecânico, ao barbeiro, ao alfaiate e ao taxista. Isso só para citar alguns profissionais.

A gorjeta só pode ser dada por liberalidade do consumidor. Jamais a gorjeta poderia ter se transformado em taxa de serviço e muito menos obrigatória. Jamais o estabelecimento comercial poderá exigi-la ou lançá-la na conta a ser apresentada ao cliente, sob o risco de estar submetendo-o a um constrangimento moral.
Muitas vezes, o cidadão para não passar vergonha, na presença de familiares ou convidados e os demais freqüentadores do lugar, acaba pagando, mesmo sabendo que a taxa de serviço é injusta e ilegal. O Código do Consumidor dispõe que o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à devolução em dobro do que pagou, acrescido de correção monetária e juros legais. Diz ainda que é proibido utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer.

A Constituição Federal dispõe em seu artigo 5º, inciso II, que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei".
Nenhuma lei autoriza, nem pode, um comerciante a cobrar uma taxa de serviço sobre um serviço por ele prestado, serviço este que tem um preço por ele fixado e onde com certeza estão embutidos todos os seus custos e lucros.
Para piorar, existem bares e restaurantes que além da taxa de serviço de 10% cobram o chamado “couvert artístico”.

É mais um abuso. Reverter essa ilegalidade depende dos consumidores reagirem, negarem o pagamento, acionarem civil e criminalmente os responsáveis por tais ilicitudes.

Pode o Poder Público municipal até cassar os alvarás de funcionamento de estabelecimentos que insistirem em tais práticas, estribado no artigo 50 do Código de Consumidor. O Consumidor que for constrangido na cobrança de referida taxa pode eventualmente mover uma ação de indenização por dano material e moral contra o estabelecimento infrator.”


Pois bem, domingo passado fui almoçar num dos grandes restaurantes no 5° piso do Shoppinh Midway Mall, no sistema self service. Após o pagamento da fatura e recebimento do cupom fiscal, que convenientemente não é apresentada ao cliente antes do pagamento, e sim anunciada verbalmente pelos caixas, verifiquei que estava escrito abaixo da relação dos itens consumidos, a palavra “SERVIÇO”, e logo à frente o valor correspondente a 10% do total do que foi consumido. Como já tinha me ausentado do restaurante, retornei e questionei ao caixa o valor cobrado, já que não houve a participação do garçom quando me servi de alguns itens dispostos em um balcão, daí o nome self service. O funcionário informou que o “sistema” adotado pelo restaurante estava programado para cobrar a tal taxa, independente do tipo de serviço que eu utilizasse.

Porém, certamente orientado pelo patrão, naquela de “se colar colou”, imediatamente apressou-se em devolver o valor cobrado indevidamente. Uma senhora que estava em minha companhia, ciente de minha atitude, dirigiu-se ao caixa e procedendo da mesma maneira teve seu dinheiro, cobrado e pago indevidamente, imediatamente devolvido.
Esse tipo de esperteza deve lesar pelo menos 99% dos incautos freqüentadores desses restaurantes, principalmente pela falta de conhecimento de seus direitos como consumidor, ou ainda pior, por se omitirem a questionar esses direitos.

Entretanto, dentro desse contexto, existem aqueles que optam por “fazer a coisa certa”. Tomemos como exemplo o restaurante “Tabua de Carne”, um dos mais bem freqüentados de nossa cidade. Lá quando o cliente recebe a fatura, o garçom informa que os 10% (dez por cento) não estão inclusos na nota. Fica a critério do cliente o pagamento da gorjeta ou não. Para tanto, o profissional esmera-se em prestar o melhor serviço a seu alcance. Na maioria das vezes, a gorjeta é dada ao profissional, mas sem que o cliente se sinta coagido.

Aí vem a pergunta que não quer calar: onde estão os órgãos de defesa do consumidor? E o Ministério Público? Será que os adeptos e praticantes da “Lei de Gerson” que se multiplica em todos os setores de nossa sociedade, sempre vão sair vitoriosos? Vamos ficar olhando, passivos e apáticos a vitórias dos falazes? Cada vez que eles vencerem ficam mais fortes e mais ousados e a honestidade mais vassala. Esses espertalhões engravatados e bem falantes geralmente são os mesmos que quando estão em rodas de amigos falam dos políticos corruptos, dos golpistas, dos altos impostos cobrados pelos governos etc, etc. E nós, povo marcado, acostumado com toda sorte de exploração, vamos nos acostumando a não reagir, mesmo quando temos nossa inteligência afrontada. É preocupante a apatia que tomou conta da população, frente a todo tipo de explorações que sofremos no nosso dia a dia.

Matéria publicada no "JORNAL DE HOJE", edição de sexta-feira 22.07.2011

domingo, 17 de julho de 2011

DO LIVRO "A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS"

OS PRIMEIROS VERANISTAS


PRAIA DE TIBAU DO SUL - RN

A aristocracia canavieira de Goianinha escolhia todos os anos, o mês de janeiro, para veranear na praia de Tibáu do Sul. Lá veraneavam os proprietários dos Engenhos: Bem Fica, Odilon Barbalho; do engenho Sumaré, Ezaúl Marinho; do engenho Bom Jardim Antônio Bento de Araújo Lima; o do engenho Ilha Grande Manoel Duarte da Silva; de engenho Cametá, Felipe Ferreira da Silva; do engenho Bosque Basílio Basiliano Barbalho; do engenho São Miguel, Benjamin Constant Simonetti e outros.


LAGOA DE GUARAÍRAS LIGADA AO OCEANO

Durante o inverno de 1924, ocorreu o rompimento da barra que separava a lagoa de Guaraíras das águas do oceano. Como a cidade se desenvolvera próxima ao mar, foi praticamente toda destruída, juntamente com as casas dos veranistas. A partir dessa data, as águas da lagoa de Guaraíras ficaram definitivamente emendadas com o mar.


PRAIA DA PIPA DE ANTIGAMENTE

Impossibilitados de continuarem a veranear em Tibáu, em virtude do acontecido, escolheram então a praia da Pipa que ficava no mesmo município e a poucos quilômetros em direção ao sul.
O primeiro veraneio ocorreu em 1926. As casas a serem ocupadas eram conseguidas com os pescadores que, na maioria das vezes, saíam de suas moradas para alugar ou mesmo emprestar aos que chegavam. Iam morar temporariamente com os parentes. Eram casas muito pobres, construídas com madeira conseguida na região e cobertas com palhas de coqueiros.








As paredes eram revestidas de taipa e, em alguns pontos, havia somente palhas de coqueiro. O banheiro junto com a latrina ficava separado da casa, lá no fundo do quintal. Escolhia-se uma área com cerca de dois metros quadrados onde se fincava quatro barrotes no chão e as paredes era feitas com palhas de coqueiro. A latrina, como eram chamados os sanitários de antigamente, nada mais era que um buraco escavado no chão onde se atravessava uma tábua para facilitar o uso. Conforme a utilização e à medida do necessário iam sendo aterradas, com a própria areia retirada inicialmente.



A viajem de Goianinha até a praia da Pipa era muito penosa e demorada. As pessoas viajavam em carros puxados por juntas de bois, em lombos de animais ou mesmo acomodados dentro de caçuás que eram transportados por burros. O caçuá é um cesto grande e comprido, feito de cipó, sem tampa e com alças para prender às cangalhas dos animais de carga. Neles eram transportados, além de gêneros alimentícios, roupas e utensílios domésticos que seriam utilizados durante o período do veraneio.
















Minha mãe conta que, quando pequena, fez diversas viagens para a Pipa, dentro desses cestos. Ela era acomodada de um lado e, do outro, ia meu tio Antônio Barbalho, tio Tonho, que era mais ou menos de sua idade, havendo assim uma melhor distribuição de peso. Quando a finalidade era o transporte de pessoas, estes cestos eram forrados com roupas, lençóis e toalhas para melhor conforto dos ocupantes. Com a continuidade dos veraneios as picadas se transformaram em estradas rudimentares, mas que permitiam que os senhores de engenho, viajassem em seus “cabriolés”. Esse tipo de transporte era uma espécie de carruagem coberta, com quatro rodas de madeira, parecida com as diligências do velho oeste americano.

Havia espaço para quatro pessoas na parte coberta e na parte externa, onde viajava o cocheiro, cabia mais uma pessoa. Eram puxadas por dois cavalos. Nos cabriolés, viajavam geralmente o senhor de engenho com sua esposa e, às vezes, alguma criança de colo.



Em Goianinha os engenhos Bem Fica, Ilha Grande, Cametá, Bom Jardim e Mourisco, possuíam esse tipo de transporte. Outros tinham charretes, que eram veículos menores e mais leves, também de tração animal. Não tinham cobertura e o assento comportava no máximo três pessoas, incluindo aí o condutor.



Quando era criança, tive oportunidade de viajar no cabriolé do engenho Bem Fica. Foi uma viagem curta, mas inesquecível. Viajei do engenho até Goianinha. Ainda hoje posso sentir a emoção dessa viagem. O cabriolé puxado pela parelha de cavalos russos Mele e Medalha, seguia estrada afora, estimulados pelos gritos e estalidos de chicote do cocheiro João de Gerson. Quanta saudade!

Natal, março de 2009

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ACLA - ACADEMIA CEARAMIRIENSE DE LETRAS E ARTES

CONVITE PARA A SOLENIDADE DE POSSE DOS SÓCIOS FUNDADORES DA ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES - ACLA. - EM 10-08-2011.




PATRONOS/ACADÊMICOS

Cadeira n.1 – Nilo Pereira;
Cadeira n.2 – Edgar Barbosa; Cléa Bezerra
Cadeira n. 3 – Juvenal Antunes; Paulo de Tarso
Cadeira n. 4 – Maria Madalena Antunes Pereira; Lúcia Helena
Cadeira n. 5 – Adelle de Oliveira; Ciro Tavares
Cadeira n. 6 – Augusto Meira; Emmanuel Cavalcanti
Cadeira n. 7 – Rodolfo Garcia; VAGO
Cadeira n. 8 – Júlio Magalhães de Sena; Gibson Machado
Cadeira n. 9 – Inácio Meira Pires; Anchieta Cavalcanti
Cadeira n. 10 –Jayme Adour da Câmara; VAGO
Cadeira n. 11 – Padre Jorge O´Grady de Paiva; VAGO
Cadeira n. 12 – Elviro Carrilho da Fonseca; VAGO
Cadeira n. 13 – Herculano Bandeira de Melo; VAGO
Cadeira n. 14 – José Emidio Rodrigues Galhardo; Janilson Dias de Oliveira
Cadeira n. 15 – José Alcino Carneiro dos Anjos; VAGO
Cadeira n. 16 – Francisco Pereira Sobral; VAGO
Cadeira n. 17 – Etelvina Antunes Lemos; VAGO
Cadeira n. 18 – Antonio Glicério; VAGO
Cadeira n. 19 – Dolores Cavalcanti; VAGO
Cadeira n. 20 – Francisco de Salles Meira e Sá; Pedro Simões
Cadeira n. 21 – Anete Varela; VAGO
Cadeira n. 22 – Rafael Fernandes Sobral; Franklin Marinho de Queiroz
Cadeira n. 23 – José Pacheco Dantas; Leonor Soares
Cadeira n. 24 – Manuel Fabrício de Souza (Amarildo). VAGO
Cadeira n. 25 – Bartolomeu Correia de Melo; Ormuz Barbalho Simonetti

segunda-feira, 11 de julho de 2011

INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA




























VISITE O BLOG DO I.N.R.G.

http://www.genealogiadorn.blogspot.com/


O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA-INRG, fundado na Assembléia Geral do dia 17 de setembro de 2009 tem registro no Segundo Ofício de Notas da Comarca de Natal sob o n° de ordem 7515, Livro A-n° 106, fls. 06/19, em data de 08 de julho de 2010. CNPJ n° 12.382.295/0001-97, é reconhecido como de utilidade pública pelo Estado do Rio Grande do Norte (LEI NR. 9.411 DE 25 DE NOVEMBRO de 2010) e Município de Natal. DIRETORIA ATUAL Presidente: ORMUZ BARBALHO SIMONETTI; Vice-Presidente: JOÃO FELIPE DA TRINDADE; Secretário: ARYSSON SOARES DA SILVA; Tesoureiro: ANTONIO LUÍS DE MEDEIROS. CONSELHO FISCAL Titulares: JOSÉ HÉLIO DE MEDEIROS; CLOTILDE SANTA CRUZ TAVARES; e JOAQUIM JOSÉ DE MEDEIROS NETO; Suplente: ÁLVARO ANÍDIO BATISTA. A sua sede provisória é na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANRL, rua Mipibú, 443 - Petrópolis, nesta Capital.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

DE VOLTA AO PASSADO VI –








O CAJUEIRO DE PIRANGI



Folheando uns exemplares da revista O CRUZEIRO, versão ‘on-line’ encontrei uma relíquia, traduzida em reportagem, que tratava justamente de um dos nossos mais belo monumentos naturais. Refiro-me ao cajueiro de Pirangi. Este símbolo de rara beleza cênica de interesse científico, paisagístico e cultural, é sem dúvidas, um dos mais bem preservados e visitados monumentos de nosso Estado.

FOTO DA ÉPOCA








Informações dão conta que nosso cajueiro foi plantado em 1888, por um pescador de nome Luiz Inácio de Oliveira, morador da região, que segundo a literatura oral morreu numa manhã ensolarada, aos 94 anos de idade, à sombra de sua frondosa e acolhedora copa.
Transcrevo abaixo, ipsis litteris, a matéria publicada na revista O CRUZEIRO com o título “Um cajueiro criou uma floresta”
O texto é de ÍTALO VIOLA e as fotos são de RUBENS AMÉRICO

FOTO DA ÉPOCA








Como a história da vassoura no aprendiz de feiticeiro, um cajueiro desdobra-se formando uma verdadeira floresta - Dois mil metros quadrados de área, quarenta e cinco mil frutos em cada safra - Uma grande atração turística para o Nordeste...















O Cajueiro de Pirangi já se consagrou como ponto obrigatório de visita dos que chegam à cidade de Natal. Pirangi é o nome de uma praia, na divisa dos municípios de Natal e Nísia Floresta, na qual o cidadão Sylvio Pedrosa possui um sítio, onde se encontra o cajueiro a que nos referimos e que os moradores do local denominam de “O Polvo”.










Êste cajueiro, segundo os mais velhos habitantes da região, tem aproximadamente uns quarenta anos de existência. Do seu tronco original (um tanto difícil de distinguir para quem o vê pela primeira vez) saíram dezenas de galhos que, por sua vez, transformaram-se em outros verdadeiros troncos, lançando centenas de galhos em tôdas as direções, numa progressão geométrica, numa sinfonia inacabada. Se emendássemos todos êstes galhos e troncos, cobriríamos, com a maior facilidade, a distância de um quilômetro. A área dêste cajueiro, verificada pelo seu proprietário, é de 2.000 m2. Quando chega a época de cajus, “O Polvo” mostra a sua pujança e prodigalidade, oferecendo uma média de 500 cajus diários em uma safra de três meses, portanto 45.000frutos.








Assis Chateaubriand, os Governadores Lucas Garcez, Juscelino Kubitschek, Amaral Peixoto, o escritor e sociólogo Gilberto Freyre, o ex-Embaixador da Espanha e inúmeras outras personalidades celebrizaram o cajueiro de Pirangi com suas visitas.
Num país que soubesse aproveitar as suas atrações naturais para fins turísticos, êste cajueiro estaria mundialmente conhecido, convergindo para êle uma legião de curiosos, tal a sua excentricidade, tal a sua beleza, tal o seu caráter de exemplar único em todo o mundo.”
Essa matéria foi publicada no dia 8 de janeiro de 1955, desde então, o cajueiro continua seu crescimento desordenado.









Sua copa hoje ocupa uma área de aproximadamente 8.500 m2, com um perímetro com cerca de 500 metros e produz em torno de 80.000 frutos/ano. Há alguns anos seu crescimento precisou ser controlado com podas sistemáticas, pois sua copa não pode mais se expandir devido ao fato de estar cercada por ruas, pistas de rolamento e residências particulares.






O tronco principal divide-se em cinco galhos. Quatro desses galhos sofreram anomalias e são responsáveis pelo crescimento desenfreado da árvore. O quinto galho teve seu crescimento normal e ao tocar o solo, parou de crescer. Como nosso povo não perde oportunidade de gozar com a própria desgraça, foi apelidado de “salário mínimo”, em alusão a condição de penúria salarial que sempre viveu o trabalhador brasileiro.

Em 1994, entrou para o Guiness Book, o livro dos recordes, como o maior cajueiro do mundo. É visitado durante todo o ano, por milhares de pessoas, principalmente nos meses de outubro a março.









Para melhor apreciar sua copa, foi construído no local um mirante com 10 metros de altura, de onde principalmente na época da florada, se tem uma visão arrebatadora de toda aquela área, inclusive ao fundo compondo o cenário paradisíaco, o mar azul turquesa da praia de Pirangi.