sábado, 3 de outubro de 2009

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

PUBLICADA EM “O JORNALDEHOJE” Sexta-feira 2 de outrubro 2009



ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG e membro do IHGRN)

www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br



PIPA, saudosas lembranças

Comecei a veranear na Pipa ainda na barriga de minha mãe, assim como todos os meus irmãos. Meus filhos trilharam o mesmo caminho, e também meu neto. É uma relação muito íntima que temos com aquele pedaço de chão. A família Barbalho/Simonetti iniciou os veraneios na Pipa no ano de 1926, três anos depois do nascimento de minha mãe, hoje com 86 anos de idade.

Como o veraneio acontecia somente no mês de janeiro, passávamos o ano inteiro esperando este acontecimento. Contávamos os dias, as semanas os meses... E quando chegavam as férias do final do ano, a ansiedade era tanta que por muitas vezes, perdia o sono e só adormecia quando era vencido pelo cansaço. Eu não via a hora de subir no caminhão para fazer aquela tão desejada viagem. Na década de 60, já era possível contar com a modernidade e o conforto dos caminhões. Nossos pais viajavam na boleia enquanto que os filhos e empregados acomodavam-se em cima da bagagem que dentre toda a tralha que era levada, não faltava cadeiras e colchões feitos com palha ou junco, para acomodar a todos. As famílias que moravam em Natal, saíam muito cedo e enfrentavam pelo menos 60 quilômetros de estrada de chão, pouco conservada, até a cidade de Goianinha. Eram horas e horas sacudindo na carroceria do velho Dodge até avistar a Usina Estivas. De cima da ladeira podia-se ver ao longe a bela cidade e compreender a exclamação encantada e justa do Dr. Alfredo de Araújo Cunha (1861-1929) que olhando o casario branco da cidadezinha clara disse: – Goianinha! Pátria de Anjos!

Depois de descer a ladeira com dificuldade, alcançávamos o vale e a partir dali mais três quilômetros depois, entrávamos triunfantes na cidade. Estava vencida a primeira etapa da estafante viajem.

Uma parada “estratégica” na casa de meu avô Odilon Barbalho e o almoço estava garantido. Daí por diante começava o trecho mais complicado e sofrido da viagem. Era comum os velhos caminhões, após certa jornada, pararem por aquecimento no motor, mas nada que não fosse resolvido com uma boa lata d’água no radiador e logo já estavam de volta à estrada. Continuava a viagem com se nada tivesse acontecido. Não havia possibilidade de fazer toda aquela viagem sem dar um “prego”. Se não acontecia no trecho vencido entre Natal e Goianinha, podia contar que até a Pipa, não havia reza forte que fizesse chegar ao destino sem o famoso “prego”.

Não se esperava nem o sol esfriar, pois esse trecho era mais deserto e se por acaso houvesse algum imprevisto no caminho, tinha tempo para realizar o conserto e chegar ao destino antes do anoitecer. Até o distrito de Piau a viagem seguia sem maiores problemas. Depois que entravamos nos “taboleiros” a estrada se tornava ainda mais precária. Geralmente essa estrada era utilizada somente por animais de carga e pessoas que faziam a pé o caminho entre Piau e Pipa. Por ser rara a passagem de carros, não havia nenhuma manutenção. Em determinados trechos a vegetação lateral era praticamente aberta pelo para choque do caminhão e acima de nossas cabeças as árvores se fechava totalmente formando um túnel de galhos e folhas. De tão próximos, era possível apanhar de cima da carroceria do caminhão, cajus, mangabas e outras frutinhas mussambê.

Havia dois pontos que eram temidos pelos motoristas por causa de sua difícil transposição: A ladeira do Rio Galhardo e a ladeira do Sanharão. Na primeira, além da dificuldade de vencer a subida de areias frouxas, ainda tinha o problema do rio que, embora raso, impedia que o caminhão tomasse alguma velocidade. Nesses dois pontos desciam todos, e a ladeira era vencida a pé. Ficava somente o motorista na direção e o “calunga”, alcunha do ajudante, que de cepo na mão e em constante sintonia com o motorista faziam, metro a metro, o veículo vencer ladeira a cima, as terríveis areias daquele trecho. O cepo era uma peça de madeira com uns 50 cm de comprimento por uns 20 cm de altura que se colocava atrás das rodas traseiras do caminhão, impedindo que ele descesse após alguns metros de subida. “Nunca esqueci os gritos ofegantes do motorista: “. . .bota o cepo”, e. . . pouco depois, “Tira o cepo. . .” Sempre que o caminhão vencia um pouco da areia, era colocado o tal cepo para que ele não retornasse. Depois de algum descanso, lá se vai mais uma tentativa. Vencido alguns metros de areia, novamente o cepo era colocado, e assim até que chegasse ao topo. Na ladeira do Sanharão, acontecia a mesma coisa, porém com mais dificuldade, pois além do percurso ser maior, havia uma curva na metade da ladeira que dificultava à subida. E depois de praticamente um dia inteiro de viagem, chegávamos ao nosso destino.

Até o final da década de 70 não existia energia elétrica na Pipa. A iluminação das casas era feitas com as lâmpadas a querosene. As marcas Coleman e Aladim era as mais conhecidas. O querosene utilizado era o nosso velho “Esso Jacaré”. Essas lâmpadas era o que existia de mais moderno. Durante as refeições noturnas ficavam nas salas de jantar e posteriormente eram transferidas para os alpendres, onde as famílias se reunião pra conversar amenidades ou mesmo jogar um carteado à base de sete e meio, buraco, pif-paf ou relancim. Os candeeiros, lamparinas e lampiões eram usados na iluminação dos quartos, cozinhas e banheiros. Os mais afortunados possuíam geladeira também a querosene e tempos depois apareceram as mais modernas que funcionavam com botijões de gás.

Depois de um ano inteiro sem uso, as lâmpadas geralmente apresentavam algum problema de funcionamento e nessa ocasião, entrava em cena tio Venício, irmão de minha mãe, especialista no conserto dessas lâmpadas. De óculos na ponta do nariz e sempre mastigando a língua no lado da boca, não havia defeito que ele não arrumasse. Depois de alguns minutos de trabalho e da colocação de uma “camisa” nova, era só dar algumas bombadas de ar e lá estavam a disposição 500 velas de boa iluminação.

Essas lâmpadas também eram utilizadas para iluminar os banhos noturnos. Quando isso acontecia, era preparada uma quantidade de “caipirinha” feita com a boa cachaça trazida dos engenhos de Goianinha, limão, açúcar e gelo. Este, conseguido as duras penas nas velhas geladeiras, sempre ficava a desejar. Era tudo levado para a beira da praia, juntamente com os “tira gosto”, naquele tempo também chamados de “parede”, previamente preparados pelas mulheres.

As lâmpadas eram colocadas suspensas em um “garajal” – tripé feito de madeira que os nativos subiam para martelar as estacas dos currais-de-peixe – e lá pra diante quando a “marvada” começava a fazer efeito, os adultos ficavam mais relaxados. Era a ocasião que nós adolescentes, esperávamos. Aproveitando algum descuido dos nossos pais, também tomávamos um pouco daquela bebida maravilhosa que nos deixava alegres e risonhos.

Pela manhã os jovens se reuniam em algum daqueles alpendres pra jogar conversa fora. Nós todos éramos parentes e alguns, por morar em outros estados, só se encontravam durante o mês de janeiro, no veraneio na Pipa. Essa ocasião era esperada por todos com muita ansiedade. Como não ter saudade dessas coisas simples? De um tempo feliz de nossas vidas, que sabemos, nunca mais irá voltar.

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Adorei este texto, Tio Ormuz. Tão nostálgico... Cheinho de palavras antigas que gosto de ler. Muito bom!

Beijos,

Juliana Oliveira
NATAL-RN

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Meu caro Ormuz,gostei deste relato.Faço parte desta historia um pouco diferente/meu tempo ocorria no final de ano sempre de 25 dezembro/e 01 janeiro. O caminhõão do saudoso Raimundo de Moraise o de Lindofinho, os caminhões e Ruy e Honório Grilo transportanto a velha mundaça de guerra do rio-da-ponte.Os motoristas Zé Biu seu José Amaro(educado fino)ou mehor bruto, igual a papel de embrulhar prego. E na festa do padroeiro (São Sebastião) mastro Claudionor melado. Parabéns pela narrativa deste fato.

I ENCONTRO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA

PUBLICADO NO BLOG "HISTÓRIA E GENEALOGIA" POR ANDERSON TAVARES

O I Encontro de Genealogia do RN, realizado na cidade de Caicó, proporcionou-me não apenas os ensinamentos e discussões acerca da genealogia. Tive a ventura de conhecer e privar da intimidade de criaturas que conhecia dos noticiários seja por suas atividades políticas, religiosas ou mesmo de pesquisa.
O prefeito de Caicó e tesoureiro do nosso Instituto de Genealogia, Bibi Costa, homem de frase curta, ágil e convincente, mostrou-se um excelente genealogista aparteando os demais palestrantes com suas observações sempre oportunas e sensatas. Acompanhou, nos dois dias, as palestras e discussões acerca de genealogia com vivo interesse.

O deputado Vivaldo Costa, irmão de Bibi Costa, discursou ainda no primeiro dia e logo de início, fez-me refletir sobre a verdadeira oligarquia ainda reinante no Rio Grande do Norte. Nada de Albuquerque Maranhão, dos Tavares de Lyra, dos Bezerra de Medeiros, muitos menos Alves e Maia...

A verdadeira oligarquia ainda reinante nestas ribeiras é a dos Araújo Batista que desde os tempos imperiais, tem representante ininterruptamente na Assembleia Legislativa do RN. Vivaldo Costa ainda me relatou, de memória, a árvore genealógica da governadora Vilma de Faria, cuja família tem raízes profundas no Seridó.

Dentre as personalidades presentes ao encontro, destaco o Monsenhor Ausônio Tércio de Araújo, figura fascinante, diretor do Colégio Diocesano de Caicó e que acompanhou todos os debates com interesse de historiador que é.

Homem inteligente e culto, Monsenhor Tércio, que é mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, possui uma imensa biblioteca em sua casa, abordando os mais variados temas, com destaque para a educação. O rigor na formação alimentou o espírito critico calcado em idéias que provem de Aristóteles e São Tomás de Aquino.

Posso ainda destacar o Dr. Antônio Luiz de Medeiros, dentista de profissão e genealogista convicto. Possui um acervo fantástico de livros de batismos, casamentos e óbitos que transcreveu com paciência franciscana, salvando-os da ingratidão dos homens e do tempo para legá-los ao futuro.

Dr. Sinval Costa, decano dos genealogistas do Rio Grande do Norte e sua palavra fácil e segura sobre sua família, seu povo e sua região. Protótipo de genealogista que inspirou os irmãos Bibi e Vivaldo.

Sem falar na convivência com José Joaquim de Medeiros, Francisco Augusto, Arysson Soares, e os meus amigos do litoral João Felipe da Trindade e Ormuz Simonetti com os quais alimentamos esse sonho de reunir os genealogistas de nosso Estado, num coro uníssono em favor da história.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

I ENCONTRO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA- CAICÓ RN

A

genealogia do Rio Grande do Norte

João Felipe da Trindade, professor da UFRN e membro do IHGRN (hipotenusa@digi.com.br)

O mês de setembro tem sido um mês auspicioso para a genealogia. Houve um bom avanço neste mês, pois, além de ter sido criado o Instituto de Genealogia, foi realizado o "I Encontro Norteriograndense de Genealogia".

A Assembléia Geral de criação do Instituto Norteriograndense de Genealogia - INRG ocorreu no dia 17 de Setembro, na sede da Academia Norte-Riograndense de Letras. Nessa oportunidade, Ormuz Barbalho Simonetti foi eleito presidente do Instituto. Foram eleitos ainda para compor a diretoria Arysson Soares, Anderson Tavares e Rivaldo Costa (Bibi Costa).

Já o I Encontro Norteriograndense de Genealogia, realização da Prefeitura Municipal de Caicó, ocorreu nos dias 26 e 27 de setembro, no referido município. Entre os temas discutidos destacamos: famílias seridoenses, família Medeiros, família Carlos, famílias cearenses com liame potiguar, famílias norteriograndenses e famílias serranegrenses.

Entre os participantes salientamos os pesquisadores Francisco Augusto de Araújo Lima, Covis Lobo, Sinval Costa, Bibi Costa, Joaquim José de Medeiros Neto, Antonio Luiz de Medeiros, Jaécio de Oliveira Carlos, João Evangelista Romão, Olímpio Maciel, Anderson Tavares e Ormuz Barbalho Simonetti.

Esses dois acontecimentos darão um novo rumo aos estudos genealógicos do Rio Grande do Norte, pois permitirá a troca de informações entre os vários pesquisadores com maior rapidez. É possível, a partir daí, a construção de um banco de dados com todas as informações coletadas pelos diversos estudiosos da genealogia. Teremos, também, uma biblioteca que reunirá as várias obras já editadas sobre genealogia do nosso estado como também os clássicos da genealogia.

Temos observado que muitos sites de prefeituras municipais, ou sobre os municípios contem erros nas suas partes históricas. Há necessidade de revisão desses históricos muitas vezes baseados em informações que se repetem erroneamente ao longo do tempo. Para corrigir essas informações é necessário que os municípios e o estado se interessem pela preservação, digitalização e divulgação dos documentos históricos que estão nos cartórios, nas igrejas, nas câmaras municipais e nas repartições públicas e organismos privados. Assim, todos terão acesso às informações sobre o passado do município e poderão contribuir para a correção das falhas existentes.

É importante salientar que os registros de óbitos, casamentos e batismos da Igreja contém informações riquíssimas para diversas áreas do conhecimento. Todo esse material digitalizado e acessível ao publico pode gerar muitos trabalhos, monografias, teses de mestrado e doutorado.

Para encerrar este artigo, contemplo nossos leitores com a transcrição do casamento de uma índia da Aldeia do Camarão com um escravo vinda do Gentio da Guiné.

"Aos treze de janeyro de mil setecentos e trinta annos na Capella de Nossa Senhora dos Remédios do Cajupiranga desta freguezia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte feytas as denunciaçoens nesta Matris, donde são os Contrahentes freguezes e na dita Capella em cuja Ribeira são moradores e sem se descobrir impedimento em prezença do Reverendo Doutor Bernardo de Payva Freire de licença minha sendo prezentes por testemunhas o Tenente Faustino da Silveira homi cazado Suzana de Oliveira Dona viúva e Maria Gomes da Sylva mulher do Capitão Francisco Fernandes de Carvalho pessoas conhecidas se cazarão solennemente João Barboza do Gentio da Guinê escravo do Capitão Manoel Raposo da Camera, e Vittoria da Costa forra índia natural da Aldea do Camarão donde veio menina moradores todos na sobredita Ribeira do Cajupiranga desta Freguezia freguezes tudo na forma do Sagrado Concilio Tridentino. E pelo asento que veio do dito Reverendo mandei fazer este, em que por verdade asignei. Manoel Correa Gomes, vigário. Faustino da Silveira".

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CRIADO O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA-INRG

ASSINATURA DO LIVRO DE ATA DA CRIAÇÃO DO INRG

CRIADO O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA-INRG

O Presidente recebe do genealogista Jaécio de Oliveira Carlos um exemplar do seu livro FAMÍLIA CARLOS - Livro de Registro Genealógico.

CRIADO O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA-INRG

FUNDADORES DO INRG NA ACADEMIA NORTE-RIOGRANDENSE DE LETRAS EM 17 DE SETEMBRO DE 2009

CRIADO O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA-INRG

O professor Diógenes da Cunha Lima, Presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras, após abrir a Assembléia, passa o comando para o Presidente do INRG Ormuz Barbalho Simonetti que compôs a mesa com os genealogistas Arysson Soares e Rivaldo (Bibi) Costa, prefeito de Caicó, o genealogista e historiador Andesson Tavares e o escritor e advagado Carlos Roberto de Miranda Gomes.

I ENCONTRO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA- CAICÓ RN

Foi um sucesso total o I ENCONTRO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA em Caicó-RN. Tivemos o prazer de contar com genealogistas precedentes de Pernambuco e do Ceará. Do Rio Grande do Norte vindos de Natal, Currais Novos, Acari além dos vários residentes em Caicó, grande celeiro de estudiosos da genealogia. Palestras, mesa redonda, troca de livros entre os que participaram do evento num clima de total cordialidade, tornou-se o ponto alto desse encontro. Foi comunicado pelo Presidente, após sua palestra de apresentação, a criação do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG, que foi bastante aplaudido pela platéia. Durante os dois dias do evento, foram preenchidas várias fichas de inscrição por pessoas, estudiosos da genealogia interessadas em fazer parte do INRG. Serão bem vindos todos aqueles que tiverem interesse em se associar ao Instituto desde que preencham os requisitos de possuírem trabalhos realizados no campo específico ou afim. Esses trabalhos, que podem ser publicados ou não, serão apreciados por uma comissão designada para a análise do material apresentado.

Maiores informações pelo telefone (84) 99623185 ou pelo e-mail: ormuzsimonetti@yahoo.com.br