sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
DE VOLTA AO PASSADO VII – ANTIGOS BLOCOS CARNAVALESCOS – Parte II
Os blocos ditos “de elite” a princípio desfilavam em
caminhões. As carrocerias eram estilizadas com desenhos de motivos
carnavalescos onde pierrôs, colombinas e arlequins, personagens símbolos dos
carnavais, sempre eram retratados. Confetes, serpentinas e lanças perfumes,
davam um tom de alegria, às figuras retratadas por todos os espaços das
alegorias.
Com
maior destaque e em local bem visível vinha o nome da agremiação. Para animar os
foliões, contratavam uma pequena orquestra, ao contrário dos blocos dos anos 50,
onde a maioria dos instrumentos musicais eram tocados pelos próprios
componentes.
Fazia parte desses carnavais os famosos “assaltos”, que se
constituíam em visitas que os blocos faziam nas residências, geralmente de familiares
ou de amigos dos componentes, previamente acertada com os donos das casas
selecionadas. Nos “assaltos” os foliões eram recebidos com muita bebida e
salgadinhos. Lembro-me particularmente de um desses salgadinhos. Composto por
uma azeitona, um rodela de salsicha e um cubo de queijo, tudo enfiado em um
palito, era servido em grandes bandejas ou espetado em uma melancia ou jerimum
envolto em papel alumínio. Era conhecido pelo pitoresco nome de “sacanagem”.
A
orquestra tocava pelo menos duas horas, com intervalo para descanso. Nessas
ocasiões os promotores do “assalto” convidavam amigos e parentes para fazerem
parte da festa. Quando a alegoria parava em frente à residência que ia ser
visitada, logo a frente da casa se enchia de curiosos que acorriam ao local
para também, mesmo que do lado de fora, participarem da festa.
Daquela época recordo ainda do bloco Bacurinhas. Arnoudzinho, amigo e colega de madrugadoras caminhadas na Avenida Rodrigues Alves, que fez parte do bloco por vários anos, me ajudou no garimpo de alguns de seus componentes. Foram fundadores: Dozinho compositor do hino, deputado Márcio Marinho e Décio Holanda, de saudosas memórias, os irmãos Euzébio (galego) e Manoel Maia, Ronaldo e Márcio Brilhante Fernandes, Marconi Lima (filho do deputado estadual João Aureliano de Lima) e Alcindo (dentista). Outros componentes que participaram do bloco no decorrer dos anos: os irmãos Daniel, Gilberto e Antônio Lira, Manoel e Henrique Gaspar, Jussier e Roberto Trindade Santos, João (Galinha) e Manoel (Mano Frango), Dantas, Edmundo e Fred Aires (figurinista de destaque entre as socialites da época, Bentinho (mago Bento) Manoel Otoni (Baba), ex-prefeito de Goianinha e seu irmão Alfredinho Otoni de Lima, Manoel, Clementino (Biliu) e Luiz Martins da Silva, Antônio (Tota), contador conhecido nas décadas de 70/80, Nilton, João, Dantas, Zélio, Peninha, mais dois irmãos cujos nomes não recorda, sendo um deles, oftalmologista com consultório próximo da Maternidade Januario Cicco, João Maria Galiza, Alcindo, Gley Fernandes Gurjão e outros.
Posteriormente, o caminhão foi substituído por carroças
puxadas por trator, mais fácil de se conseguir nas fazendas da região, e com a
vantagem de ser mais baixa que a carroceria do caminhão, facilitando assim o
embarque e desembarque tanto na ocasião dos “assaltos”, como quando desfilavam
no “corso” na Avenida Deodoro. Outra grande vantagem foi que as quedas, embora
raras, quando ocorriam, não resultavam em maiores danos, ao contrário das
ocorridas de cima das altas carrocerias dos caminhões.
A orquestra, considerada o coração do bloco, tinha lugar
reservado na frente da alegoria. Geralmente era composta por seis a oito músicos,
assim distribuídos: Um sax baixo, um sax tenor, dois trombones, um de vara e
outro de pistão, um surdo, um tarol e uma caixa. Lembro-me de um soldado da
polícia militar de cognome Marimbondo, apelido que ganhou por ter a pele do
rosto avermelhada, era disputado pela maioria dos blocos, pois além de ser
responsável pela orquestra que formava com componentes da banda de música da
policia militar, era exímio trompetista. Sempre que o bloco iniciava seu
desfile pelas ruas e avenidas da cidade ou quando à noite entrava no “corso” na
Av. Deodoro, lá estava Marimbondo caminhando na frente do bloco. Com ares de
Pavarotti, andar cadenciado, bochechas vermelhas e inchadas prestes a estourar,
apertava a boquilha do clarim de encontro aos seus lábios, e arrancava do
instrumento as mais belas notas musicais, na introdução da marchinha Zé
Pereira, anunciando a entrada do bloco no “corso”, a chegada ou saída das casas
“assaltadas”.
Esses blocos
se multiplicaram e em cada bairro ou turma de colégio surgia uma dessas
agremiações. Cito alguns que me chegam à lembrança: Escandalli, Penetras,
Lord’s, Deuses, Apache, Plebe, Jardim de Infância, Kings, Lunik, Jardineiros,
Colônia Pinel, Saca-Rolha, Ressaka e outros que me fogem da memória.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
VIDA DE GENEALOGISTA
Sou um genealogista – mas acalmem-se,
pois não é contagioso. No fundo, a gente queria que fosse, mas não é. Um
genealogista é um sujeito que resolve desenterrar toda a história familiar para
descobrir quem eram e o que faziam os seus antepassados mais remotos. Um doido,
portanto. Para conseguir isso, ele mexe em todos os papéis velhos da família –
aqueles que você acha que não valem nada, mas que ele dará um grito de
satisfação quando encontrar. Fará perguntas insistentes a cada membro da
família.
Quer saber os mínimos detalhes de
coisas que você com certeza não se lembra. É capaz de passar horas metido em um
cartório, casa paroquial ou arquivo histórico remexendo livros velhos,
amarelados e cheio de fungos. Isso porque ele PRECISA esclarecer algum mistério
na história da sua família e assim descobrir quem foram realmente as pessoas
que o antecederam.
Esta é uma imagem digna de nota: o
genealogista, em uma sala silenciosa, absolutamente concentrado em sua
pesquisa. Eis que de repente ele vislumbra um registro e pensa: “Será
possível?”. Excitado, confere de novo. Sim, ele achou exatamente aquilo que
procurava. É nesse momento que todos os genealogistas têm vontade de gritar a
plenos pulmões “ACHEI, ACHEI! EUREKA!” – muitos se contém, mas é exatamente
isso o que ele murmuram para si mesmos. E se alguém estiver perto e quiser
saber o que o sujeito descobriu, provavelmente vai se decepcionar ao ver que
foi apenas um registro de casamento super antigo que deu a ele o nome de quatro
novos octavós ou coisa do tipo.
Aos poucos, o genealogista vai
montando a sua árvore genealógica. Descobre antepassados que ninguém da sua
família fazia a menor ideia que tivesse. No começo, ele conta as suas
descobertas com entusiasmo. Alguns parentes demonstram certo interesse – e em seguida
esquecem absolutamente tudo o que o genealogista disse.
Para uma pessoa normal, qualquer
coisa acontecida há cem anos foi praticamente na pré-história. E então o
genealogista despeja em cima dela informações de 1800, 1700, 1600… É quando vem
a famosa frase, que todo genealogista um dia ouve: “Você vai acabar chegando no
Adão!”.
Com o tempo, o genealogista percebe
que sua paixão é solitária. Não há registro de um casal de genealogistas, por
exemplo. E seria até temário pensar em algo assim, pois eles certamente se
esqueceriam de viver. Em geral, o genealogista não encontra no dia a dia quem
lhe compreenda. Há parentes distantes que acham estranho esse interesse pelo
passado da família e insinuam que o genealogista está de olho em alguma
herança. Felizmente há a internet, e nela o genealogista encontra outros
genealogistas, e eles se juntam em grupos de cooperação mútua, mais ou menos
como os alcoólicos. Nessa troca de informações, conseguem verdadeiros
prodígios, e se não chegam mesmo até o Adão não é por falta de esforço.
Os nossos Sherlocks ainda precisam
lidar com garranchos, registros omissos ou contraditórios entre si, além de
dificuldades no acesso a documentos. Parafraseando Einstein: perto do que foi o
passado, aquilo que o genealogista consegue descobrir é algo de tosco e
primitivo – mas é também aquilo que temos de mais precioso sobre ele.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
COMUNICADO AOS POTIGUARES -
Caros confrades e população do meu estado.
No último dia 15 de abril, a Nova Diretoria do Instituto Histórico
e Geográfico do Rio Grande do Norte completou os primeiros 30 dias de
administração.
Gostaríamos, nessa ocasião, de fazer uma pequena prestação de
contas das nossas ações, na constante busca de melhorias no funcionamento dessa
centenária instituição cultural, com vistas a propiciar aos pesquisadores e
população em geral, melhores condições na realização das pesquisas, quando da
utilização do nosso acervo, composto por mais de 50.000 títulos.
A Nova Diretoria do IHGRN trabalha em ritmo acerado. Já realizamos
visitas em busca de apoio a nossa Instituição aos seguintes órgãos: IPHAN, Sr.
Onésimo Santos; o CREA Sr. Modesto Ferreira dos Santos; a FECOMERCIO, Sr.
Marcelo Queiroz; UFRN, reitora Ângela Maria Paiva; CAERN, Sr. Yuri Queiroz
Pinto; SEBRAE, Sr. José Ferreira de Melo
(Zeca Melo); Gabinete Civil, Sr. Carlos Augusto Rosado; a Prefeitura Municipal,
Sr. Carlos Eduardo Alves; a FIERN, Sr. Amaro Sales; o Armazém Pará, empresário Marcantoni
Gadelha; e Miranda Computação, empresário Afrânio Miranda.
Fomos visitados, a nosso convite, pelo Presidente da
Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Motta e a Secretária Extraordinária da
Cultura, Isaura Amélia Rosado.
Em todas as entidades visitadas fomos recebidos de barcos
abertos, e com inegável entusiasmo por parte dos anfitriões. Isso se deve a
notória respeitabilidade ao nome do IHGRN, a mais antiga Instituição cultural
de nosso Estado e uma das mais antiga do Brasil.
As sementes foram lançadas a terra. A colheita está por vir.
Esperamos que seja rápida e profícua, para que possamos dividi-la com todos os
que nos procura, através de urgentes e necessárias melhorias na estrutura
física e intelectual da Casa da Memória.
Reativamos nosso blog – WWW.ihgrn.blogspot.com, que esta sendo
alimentado com texto, fotos e informações de nossas atividades junto ao IHGRN.
Esperamos continuar contando com a colaboração de todos:
governos, empresários, entidades públicas, privadas e população em geral.
O IHGRN é uma entidade privada, pertencente ao povo do Rio
Grande do Norte, guardião de um patrimônio de mais de 400 anos, principalmente
de nossa história, e que se encontra permanentemente a disposição de todos os
que nos procuram.
A recuperação do IHGRN é urgente e de responsabilidade de
todos. Este é o pensamento da Nova Diretoria.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
VAMOS AJUDAR O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE-IHGRN.
Visite nosso BLOG: WWW.ihgrn.blogspot.com
sábado, 6 de abril de 2013
COMENTÁRIOS
Augusto disse...
Incrível a riqueza de fatos e nomes da época de ouro de nosso carnaval aqui enumerados em seu artigo.
Lembro que nosso vizinho Jahyr Navarro (irmão de Jurandyr) saia no Karfajestes e eu tinha a curiosidae de saber a origem do "r" do nome.
Lembro que nosso vizinho Jahyr Navarro (irmão de Jurandyr) saia no Karfajestes e eu tinha a curiosidae de saber a origem do "r" do nome.
6 de abril de 2013 12:30

sexta-feira, 5 de abril de 2013
DE VOLTA AO PASSADO VII – ANTIGOS BLOCOS CARNAVALESCOS- Parte I
Por mais de
quatro décadas, entre 1945 e o final dos anos 80, desfilaram pelas ruas e avenidas da cidade de
Natal, um tipo de bloco carnavalesco que só existia em nossa aldeia. Eram os
chamados “blocos de elite”. Essas agremiações geralmente tinham suas origens
nas turmas de amigos de bairro ou de colégio. Com um número de componentes bem
mais reduzido, em relação aos blocos de hoje, que chegam a contar com mais de
1000 participantes, nos blocos daquela época o número de participantes girava em
torno de 30 a 40 componentes.
Uma das condições básicas para
participar dessas agremiações era conhecer alguns de seus componentes. Havia
também os novatos, aqueles que chegavam de outros estados ou mesmo do nosso interior,
para passar o período carnavalesco na casa de parentes ou amigos. Quando acontecia
de algum membro dessas famílias participar de algum bloco carnavalesco,
fatalmente o visitante era convidado a se integrar a esse bloco. Entretanto, só
era possível sua admissão se contasse com a aprovação de todos os componentes. O
mesmo não ocorria quando o pretenso participante era do sexo feminino. Nesses
casos, sua entrada era aprovada sem maiores delongas.
A presença feminina nos blocos daquela
época ocorreu no início dos anos 60, quando o bloco Milionários do Ritmo,
exibiu em sua alegoria componentes dos “Brotinhos Indomáveis”, uma extensão do
bloco na versão feminina, composto em sua maioria, pelas namoradas dos
participantes. Entre seus componentes destacamos: Sônia Simonetti, Carminha,
Eunice, Eloisa, as irmãs Graça e Lúcia Galvão, Noelza Saldanha, Eunice Lyra,
Paula, as irmãs Isolda e Idalma, Dilma Ribeiro e outras.
Na década de
50, os blocos bem mais elaborados e estilizados, desfilavam em local pré-determinado
pela Prefeitura e concorriam a prêmios, oferecidos pelo Poder Municipal, nos
quesitos fantasia, samba-enredo e bateria.
Nessa época era comum ver pelas ruas
“troças” e “bagunças” que se formavam nos bairros e saíam pelas ruas animando
as manhãs de carnaval, com destaque para os papangus – denominação para as pessoas
que se disfarçam vestindo trapos, usando máscaras e adereços e saem às ruas
sozinhas ou em grupos, durante os dias de carnaval.
De 1956, a 1966, Os Deliciosos na Folia, um dos blocos mais antigos de Natal desfilava e concorria a prêmios no período carnavalesco. Entre seus componentes estavam: Carlos Gomes, Múcio Nobre (magro), Airton Ramalho (compositor) Oldeman da Confeitaria Atheneu, Airton Lepolodo, Daniel (baixinho) Zilson Eduardo Freire, pai do atual presidente da OAB, Francisco Eider Lopes, filho do famoso saxofonista Mainha, Betinho, o rei do passo, Lelé do Trombone, irmão do saudoso violonista Efrain, Picado do Trio Goiamum, e outros. Tinha como principal rival a agremiação Ases do Ritmo, formada justamente por alguns dissidentes. Dentre seus componentes podemos citar: Arnaldo França, Evaniel Máximo de Souza, os irmãos Wallace, grande jogador de futebol, e Wilton Gomes da Costa, Odúlio Botelho, Severino Manoel dos Santos, Luiz MeirelLes e Jader Correia da Costa, juízes de futebol, Badeco, funcionário dos Correios, Vavá do Surdo, Canelinha, sobrinho do humorista do mesmo nome, José Botelho também conhecido como Cabo Zé, que era o mascote.
Deliciosos na folia
Também se constituíam em grandes adversários na disputa das premiações os blocos Imperadores do Samba e o famoso Aí vem a Marinha, formado por fuzileiros navais, marinheiros e até mesmo oficiais, geralmente procedentes do eixo Rio/São Paulo, que aqui chegavam para servir, por determinado período, na Base Naval de Natal e no CIAT- Centro de Instrução Almirante Tamandaré. Com muito samba no pé e exibindo belas alegorias, atraíam a atenção, principalmente das moçoilas casadoiras.
Também se constituíam em grandes adversários na disputa das premiações os blocos Imperadores do Samba e o famoso Aí vem a Marinha, formado por fuzileiros navais, marinheiros e até mesmo oficiais, geralmente procedentes do eixo Rio/São Paulo, que aqui chegavam para servir, por determinado período, na Base Naval de Natal e no CIAT- Centro de Instrução Almirante Tamandaré. Com muito samba no pé e exibindo belas alegorias, atraíam a atenção, principalmente das moçoilas casadoiras.
Temos conhecimento, também, que os
sargentos da Aeronáutica, criaram um animado bloco carnavalesco, se não me
falha a memória de nome Albatroz, deixando como legado o clube do mesmo nome,
defronte a eterna “Praça Pedro Velho”.
Na década de 60, recordo apenas de sete
blocos. Bacurinhas, Plebe, Jardim de Infância, Karfajestes, Cacarecos, Xamego, e
Milionários do Ritmo, conhecido somente como Milionário.
Mesmo com pouca idade, tinha muita
aproximação com a turma dos Milionários, pois se reunia na esquina do Cinema
Rio Grande, na confluência da Rua Assu com a Avenida Deodoro da Fonseca, bem próximo
de minha casa. Além do mais, o presidente do bloco era Valério Marinho, na
época namorado minha irmã, que posteriormente seu marido.
Do bloco Milionários cito alguns de
seus componentes que ora me recordo: Cláudio Procópio, Marconi Furtado, Hamilton
Dantas, Sinval, Decio Teixeira de Carvalho, Franklin, Ronaldo Rocha, Eduardo Maia
(mamão), Nelson Cocada, Marcos Formiga, Orson, Galego Franklin, Manoel Maia entre
outros, além de Fernando Bezerra que depois passou a integrar o bloco Plebe.
A história da
fundação do bloco “Os Karfajestes” podemos dizer que foi um tanto inusitada.
Começou quando um dos integrantes do bloco Bacurinhas namorava uma moça e sua
futura sogra não o suportava, nutrindo pelo pobre rapaz uma gratuita antipatia,
e a explicitava sempre que era possível. Protegia a donzela como um cão de
guarda protege seu dono. A mãe zelosa, por não aprovar o namoro, sempre
procurava um jeito de menosprezá-lo. Certo dia, ao chegar à casa da “sogra”
cumprindo o ritual do namoro, esta o recebeu como de costume, com extremo desdém.
Enquanto a moça não aparecia, começou a analisá-lo e com visível desprezo
apontava nele, o que enxergava como desleixo: “O senhor está com a roupa toda amarrotada!... e os sapatos... todos
sujos, mais parece um cafajeste!...” Com toda certeza, a “sogra” não sabia
o significado da palavra cafajeste, pois, se soubesse, certamente não a teria
usado, pelo menos naquela ocasião e com a intenção desejada. Na mesma noite o
nosso personagem ressentido com o tratamento da sogra, acabou o namoro. No
caminho de volta para casa teve a ideia de fundar um bloco carnavalesco,
batizando-o com o adjetivo pelo qual foi injustamente classificado.
Convidou alguns amigos e no ano
seguinte desfilava pelas ruas de Natal um dos mais conhecidos e animados blocos
carnavalescos daquela época: OS KARFAJESTES.
Ibrahim Sued
A denominação “KAR” foi uma gíria criada por Ibrahim Sued (1924/1995), considerado o pai do colunismo social no Brasil, para denominar pessoa elegante, chique. O oposto de "Shangay", usada para qualificar algo cafona, de mau gosto.
A denominação “KAR” foi uma gíria criada por Ibrahim Sued (1924/1995), considerado o pai do colunismo social no Brasil, para denominar pessoa elegante, chique. O oposto de "Shangay", usada para qualificar algo cafona, de mau gosto.
Talvez, em virtude do “trauma” sofrido com
esse namoro, nosso personagem tenha se desvencilhado tantas vezes do laço
“matrimonial”, prometendo que só se casaria quando a nova Catedral estivesse
totalmente concluída. Promessa feita e cumprida. Apenas, com um pequeno detalhe:
o casamento demorou um pouco mais do inicialmente previsto, só acontecendo após
a segunda reforma da referida Catedral.
sábado, 23 de março de 2013
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO R.N.
Na missão que assumi com o Instituto Histórico e
Geográfico do Rio Grande do Norte, com outros abnegados pela cultura do Estado
e à vista das extremas carências daquela Instituição secular, agora sob a
lideranpça de VALÉRIO MESQUITA, estive a meditar sobre as dificuldades de
recuperar a Casa da Memória, sem recursos sufientes para tal mister.
Um tanto desolado, agarrei-me à lembrança das
difivuldades de outras pessoas e o resultado no final obtido e fui ao exemplo
de Angelo Roncalli, o Papa João XXIII - "O
Papa Bom", que ao chegar à Bulgaria, logo na entrada da casa
paroquial, foi recebido por um padre que disse do estado precário daquele
imóvel e da falta total de recursos para recuperá-lo.
Angelo,
contando apenas com a proteção de Deus não se deixou abalar e, logo nos seus
primeiros dias naquele País, teve a notícia de um terremoto que destruíra a
casa dos moradores e igrejas da Religião Ortodoxa. Usando o seu crédito
pessoal e tirando dos próprios ganhos, disponibilizou recursos para ajudar o povo
e as igrejas não Católicas Romanas, o que motivou a admiração do povo e o
retorno fraterno do entendimento entre as igrejas.
A paz era algo sagrado e a paciência o grande
segredo do sucesso.
Desculpe o aparente absurdo da comparação, pois não
temos o merecimento daquela Papa inesquecível, mas na alegoria queremos que
eventuais feridas estejam cicatrizadas e os nossos sócios retornem ao seu ninho
antigo, o que já estamos sentindo com visitas ilustres esta semana, Manoel
Onofre Júnior, Lenilson Carvalho e Vicente Serejo.
Nunca esqueço uma frase sua:
"O sorriso que brota das nossas lágrimas faz o
céu se abrir".
Carlos
Roberto de Miranda Gomes
–
Primeiro Secretário
terça-feira, 19 de março de 2013
DISCURSO DE POSSE NO I.H.G/RN
Ilustríssimo escritor Jurandyr Navarro
da Costa, muito digno Presidente do
Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, em nome de quem
saúdo as autoridades componentes da mesa. Amigos, confrades, familiares e
convidados, minhas senhoras, meus senhores:
Permitam-me tomar alguns minutos dos seus preciosos tempos
para contar um pouco da história desta NOVA DIRETORIA que hora assume o comando
da instituição mais antiga de nosso Estado, que um dia foi intitulada por Luiz
da Câmara Cascudo como “A Casa da Memória”.
Não poderia haver ocasião mais significativa para a assunção
da novel Diretoria, uma vez que o IHGRN, no próximo dia 29, completará 111 anos
de uma profícua existência, em prol da cultura do nosso Estado.
Com o passamento do Dr. Enélio de Lima Petrovich, no dia 6
de janeiro de 2011, que presidiu a instituição por exatos 48 anos, 4 meses e 12
dias, assumiu o encargo, o então vice-presidente, escritor e memorialista - acadêmico
Jurandyr Navarro da Costa - adiantando que
cumpriria o seu mandato até o último dia, mas, em hipótese nenhuma, aceitaria
ser candidato a reeleição.
Durante o curto período de sua gestão, deu posse a 48 novos
sócios, sendo um deles, pós-morte e pugnou pela urgente reforma do Estatuto que
datava de 1927.
Após
os trabalhos de uma comissão por ele designada, composta dos sócios Carlos
Roberto de Miranda Gomes, João Felipe da Trindade e Ormuz Barbalho Simonetti e de
discussões preliminares levadas a efeito com membros da Diretoria, convocou uma
Assembleia Geral Extraordinária, que no dia 02 de maio de 2012, aprovou o novo
estatuto, por unanimidade, e em seguida promoveu o respectivo registro no
cartório competente.
Diretoria e Conselho Fiscal
Aproximando-se o término do ano e, por via de consequencia, o
limite para a eleição dos membros da nova diretoria para o triênio 2013/2015, tomamos a iniciativa de
compor uma chapa para concorrer com outras já anunciadas, as quais
posteriormente desistiram.
Peregrinamos
para encontrar um nome de consenso, o que só foi possível quando surgiu a
lembrança da pessoa do escritor VALÉRIO MESQUITA, possuidor de todas as
condições para uma gestão eficiente e progressista que, embora resistente ao
encargo, fez prevalecer mais alto o seu espírito público, de cidadão preocupado
com o destino desta importante instituição cultural de nosso Estado.
Assim, foi composta a chapa que se tornou única, e que foi eleita
por aclamação no dia 06 de novembro de 2012, com registro efetivado em cartório
para os fins e efeitos legais.
Como bem disse o presidente Valério Mesquita na primeira
reunião logo após a eleição: “os cargos nessa diretoria são pura
formalidade estatutária. os compromissos e responsabilidades são iguais para
todos e tudo será decidido por colegiado”.
Ormuz - Discurso de posse e juramento
E hoje estamos aqui assumindo mais essa honrosa missão, não
como um sacrifício, mas com orgulho e vontade férrea de transformar o Instituto
Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, em um dos mais bem aparelhados e
organizados Institutos Históricos de todo o Brasil. E que Deus nos de força
suficiente para cumprir com denodo essa responsabilidade. Que venham os
desafios. Quem viver verá!
JURAMENTO:
“prometo
exercer COM DESVELO E DIGNIDADE as funções do cargo para o qual fui eleito,
cumprindo todas as determinações estatutárias e legais e pugnando pela
preservação da grandeza histórica da Casa da Memória”.
Obrigado a todos.
DIRETORIA
1.
Presidente:
VALÉRIO ALFREDO MESQUITA
2.
Vice-Presidente:
ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
3.
Secretário-Geral:
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
4.
Secretário-Adjunto:
ODÚLIO BOTELHO MEDEIROS
5.
Diretor
Financeiro: GEORGE ANTÔNIO DE OLIVEIRA VERAS
6.
Diretor
Financeiro Adjunto: ANTÔNIO EDUARDO GOSSON
7.
Orador:
JOSÉ ADALBERTO TARGINO ARAÚJO
8.
Diretor
da Biblioteca, Arquivo e Museu: EDGAR RAMALHO DANTAS.
CONSELHO FISCAL
1.
EIDER
FURTADO DE MENDONÇA E MENEZES, Membro titular
2.
PAULO
PEREIRA DOS SANTOS, Membro titular
3.
TOMISLAV
RODRIGUES FEMENICK, Membro titular
4.
LÚCIA
HELENA PEREIRA, Membro suplente.
domingo, 10 de março de 2013
CARTA A EIDER FURTADO
Carta
ao Dr. Eider Furtado por ocasião do lançamento de seu primeiro livro de
memórias “NO FÓRUM DA MEMÓRIA”.
Natal, 01 de junho de 2009
Caro amigo Eider Furtado,
Sinto-me
profundamente agradecido pelo privilégio de ter sido um dos primeiros a ter em
mãos o seu excelente “livrinho”. Já
tinha idéia do teor de tal obra, pois em nossas longas conversas noturnas, vez
por outra, você me falava sobre seu conteúdo. Entretanto, não resisti à
tentação, e ao ler as primeiras páginas, não consegui mais parar. Muito embora
tenhamos nascido em épocas diferentes, partilhamos muitas lembranças em
comum.
Vivi
parte da minha vida nos mesmos bairros do Tirol e Petrópolis. Porém, naquele
tempo, que não está tão distante assim, poderia se andar sem receio pelas ruas
desses bairros e até mesmo sentar em cadeiras nas calçadas e se jogar conversa
fora. Lembro-me de meu saudoso pai Arnaldo Simonetti, que todas as noites,
religiosamente, participava do famoso bate-papo na calçada do magistrado José
Vieira, que morava na esquina da Rua Açu com a Avenida Floriano Peixoto.
Morei
até os meus 18 anos de idade na Avenida Deodoro da Fonseca e depois me mudei
para a Avenida Rodrigues Alves, ali bem pertinho da Igreja Santa Teresinha. Nesse
endereço permaneci até 1972, quando fui para São Paulo capital assumir o meu
primeiro emprego no Banco do Brasil.
Porém,
o que mais me impressionou foi que as suas reminiscências daquela época, fazem
parte das minhas recentes lembranças. No capítulo sete, Vida no Campo, você descreve com riqueza de detalhes as suas
aventuras de menino na fazenda “Alegria”. O caminho para a referida fazenda
passava obrigatoriamente por outras duas antigas fazendas da região: “Arisco”,
de propriedade de Zé Linhares e a fazenda “Cabeça do Boi”, que pertencia a um amigo
de seu pai.
Quando
li aquele relato voltei imediatamente aos anos 80 e 90, quando desempenhava o
cargo de fiscal de operação rurais do Banco do Brasil, da recém criada agência
de Ceará Mirim, e visitava regularmente aquela região, grande produtora de milho,
feijão e mandioca. Faziam parte de minha jurisdição, os municípios de Taipú e
Ielmo Marinho.
Desde
a época quando atuava como fiscal, e possivelmente até hoje, o nome “Alegria”
passou a denominar toda aquela localidade, certamente em decorrência do nome da
antiga fazenda, o mesmo acontecendo com o “Arisco” de Zé Linhares e também com a
fazenda “Cabeça do Boi”.
Depois
que me aposentei em 2001, nunca mais tive oportunidade de voltar naquelas
terras, onde trabalhei por exatos 23 anos. Porém, seu sensível e saudoso relato
me deu o agradável prazer do retorno ao passado e, consequentemente, a
oportunidade de reviver tão importantes lembranças.
Um fraterno abraço dos
amigos
Ormuz e Geiza.
domingo, 3 de março de 2013
CARTA A CLÉA
Mensagem enviada a Cléa Bezerra de Mello Centeno no dia 12 de junho de
2006, por ocasião da publicação de seu livro DEVER DE MEMÓRIA, uma biografia de
Ubaldo Bezerra de Mello.
Querida prima Cléa,
Parabéns pelo belo
livro. Li devagar, divagando, saboreando cada capitulo, feliz por neles
encontrar algumas lembranças comuns. Afinal, tive o prazer e honra de
tangenciar alguns poucos aspectos da minha vida com a desse grande homem.
Aliás, na minha memória, ele me parecia enorme quando, em pequenino, lhe tomava
a benção. Fiquei feliz por agora conhecê-lo em mais detalhes. Era meu padrinho
e grande amigo do meu pai.
Em dado momento, você
fala dos livros que eram lidos pela família. Essa informação me remeteu aos
anos de 1957/58, eu com 6 ou 7 anos de idade, morando na avenida Deodoro nº
622. Foi a estória de Robson Crusoé, o livro que ganhei de presente numa das
frequentes visitas dos meus padrinhos Ubaldo e Haydée. E ainda restam na minha
lembrança: o livro, a estória, seus sorrisos e minha grata alegria. Tempos
depois pude entender o real significado daquele presente. Era natural que se
presenteasse uma criança daquela idade com um brinquedo qualquer. Porém, sempre
enxergando adiante do seu tempo, ele deu-me algo mais valioso: sonho e
conhecimento.
A sua narrativa sobre
as usinas Ilha Bela e Santa Terezinha, o rio Água Azul, a verde visão dos
canaviais e outras saudades muito me emocionaram, pois, de certo modo, em
outras épocas, fazem parte também de minha estória. No ano de 1978, quando da
inauguração da agência do Banco do Brasil em Ceará-Mirim, fui convidado para
atuar como Fiscal de Operações Rurais onde permaneci até o dia de minha
aposentadoria, em 04 de junho 2001. Portanto, foram 23 anos de minha vida
dedicados àquela região, virada em terra adotiva, que recordo com carinho.
Ainda hoje sinto o cheiro do açúcar mascavo descansando nas formas de madeira
purgando mel-de-furo, vejo os pátios cobertos com bagaço de cana secando para
alimentar as caldeiras, a fumaça dos bueiros turvando o azul das tardes, ouço o
apito dos engenhos, o tropel da burrarada com cambitos cheios de cana, o
estalido do chicote dos cambiteiros açoitando a beleza das manhãs.
Um grato e comovido abraço de
Ormuz, filho de Arnaldo.
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