segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caro Ormuz, bela crônica sobre a Pipa do seu tio João Benjamin Simonetti. Você tem realizado um belo trabalho em prol da memória daquela região.

Roberto Patriota
Natal RN

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Ormuz, seus escritos me levaram de volta a uma época onde não existia IBAMA e a vida era muito mais simples. Hoje se caçar um tatu vai para a cadeia por crime inafiançável. Alguns aspectos de seu relato me remetem a minha infância, bebendo garapa nos ``paróis``, comendo rapadura quente e tomando banho de açude.
Abraços.

Antônio Gouveia
Natal RN

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caro Ormuz:
Tenho acompanhado com muito interesse as suas cônicas. Sua fidelidade à Pipa, aos seus nativos e saudosos veranistas, tem rendido para nós leitores, verdadeiras pérolas. Enquanto a grande mídia nos invade com abalos sísmicos, enchentes, violência e escândalos políticos, você, com equilíbrio e sensatez, nos possibilita um olhar sobre as coisas simples do dia a dia, nos devolvendo a paz e o humor. Aquela pedra no meio do caminho das pessoas, vira ouro em suas mãos. Como não sentir na pele, por exemplo, o dilema do seu tio-avô? Joquinha, gordo e de baixa estatura, com dificuldade intestinal em plena caçada, e sem direito a uma calçada alta para voltar ao lombo da sua mula surda... Genial.
Parabéns, amigo!

Carlos Sizenando Rossiter Pinheiro.
Natal-RN

domingo, 31 de janeiro de 2010

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caros amigos e leitores. Mais uma crônica sobre a Praia da Pipa e seus personagens.

Publicada em O JORNAL DE HOJE edição de 20.01.2010.

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG, membro da UBE-RN e do IHGRN)

PIPA, SAUDOSOS VERANISTAS - João Benjamin Simonetti - Joquinha

Algumas pessoas que viveram parte de suas vidas na Pipa deixaram registrados, para sempre, na memória oral da comunidade, fatos e situações vividas no dia-a-dia daquela praia tranqüila e preguiçosa do tempo dos meus avós. Uma dessas pessoas foi o meu tio-avô João Batista Simonetti, conhecido por gregos e troianos apenas por Joquinha.

Solteirão por opção e dizem que também, por decepção. Levava suas decisões até as últimas conseqüências. Quando moço, namorou com sua prima, e também minha tia-avó pelo lado materno, Beatriz Barbalho. Era a versão Goianinhense do clássico “A Bela e a Fera”. Conheci tio Joquinha, já com bastante idade. Era baixinho, feioso, caderudo, e de gênio terrível. Contrastando com ele, a beleza de tia Betariz chamava a atenção. Era tida e havida, por quantos a conheceu quando jovem, como a mais bela moça de toda aquela redondeza. O fato é que o namoro não deu certo, e opinioso como ele era, decidiu que não casaria com mais ninguém.

Em 1926 os Barbalho/Simonetti de Goianinha iniciavam o veraneio na praia da Pipa em virtude da destruição da antiga cidade de Tibau do Sul durante a cheia de 1924. Tio Joquinha por ter sido um dos primeiros veranistas, logo fez amizade com os nativos. Quando vinha pra Pipa se hospedava na casa de Sinha Vicência onde passava dias e até meses. Com a compra da casa de Maria Fidelis pelos seus sorinhos, os irmãos Nancy e Danilo Simonetti, ficou praticamente morando o ano inteiro nessa casa. Aproveitou esse tempo e adquiriu dois barcos de pesca. Comprou inicialmente o barco de nome Lima Freire e em seguida o Sucuri. Tempos depois vendeu o Sucuri e comprou o Veleiro.

Além dessa atividade, era louco por caçada. Na época, as matas da Pipa eram fartas de cutias, coelhos, jacús e até mesmo os ariscos veados campeiros. Por ser gordo e baixinho não tinha resistência para andar a pé e as caçadas eram realizadas sempre no lombo de uma mula, dizia orgulhoso, que por ele treinada para não se assustar quando do estampido de sua espingarda. Outros já afirmavam que era totalmente surda, não se sabendo se durante o “treinamento”, ou mesmo pela idade.

Nessas aventuras sempre tinha a companhia de seu primo Celso Lisboa, também um apreciador das caçadas, além de contar com a indispensável ajuda de nativos, especializados em rastreamento. Fazia também parte dessa comitiva alguns vira-latas, exímios caçadores, até mesmo pela necessidade de sobrevivência. Um dos melhores rastreadores daquelas bandas era José Bidium. Conheci-o pessoalmente e tive oportunidade de acompanhá-lo juntamente com Hilton Lisboa e Edinaldo Simonetti em uma caçada nos anos 70. O lendário Bidium além de pescador e agricultor, era conhecido por rastrear coelhos e cutias até mesmo em cima de folhas secas. Dizia que os melhores dias para aplicar sua técnica, eram quando dava uma chuvinha ligeira durante a madrugada. Isso facilitava o rastreamento dos animais, pois quando saíam de suas tocas, deixavam sobre as folhas secas, marcas de suas patas carimbadas com areias ainda úmidas. Quando não chovia, dava um jeito de aproveitava a umidade deixada pelo orvalho da madrugada.

Tio Joquinha, pelas suas condições físicas e principalmente com relação a sua estatura, evitava, a todo custo, durante uma caçada, descer do animal o que normalmente só acontecia quando retornava pra casa. Porém, se acontecesse alguma dificuldade intestinal, que o obrigasse a “ir para a terra”, a coisa ficava complicada. Dentro daquelas picadas estreitas onde se escondiam as melhores caças, não havia a ajuda da calçada altas da igreja ou dos alpendres que lhe ajudava a subir e descer, sem dificuldades, ao lombo da montaria. Mas se a tal necessidade acontecesse, depois de satisfeita, iniciava-se uma verdadeira operação de guerra para que aquela criatura, baixinha e desajeitada, retornasse sã e salva, ao lombo do animal.

Durante o tempo que viveu na Pipa, fez diversas amizades. Muito respeitado entre os nativos, foi compadre de vários deles, tendo apadrinhado um sem número de nativos. Orgulhava-se em dizer não ter idéia do número exato de afilhados. Todo mês de janeiro, durante a missa em homenagem ao padroeiro, lá estava ele a batizar outra leva de afilhados. Foi ele, que com poucos recursos e contando com a ajuda da mão de obra nativa, deu inicio a abertura da estrada que liga o distrito de Piau a Pipa. Sob seu comando muitos homens trabalharam no roço e destocamento do mato e na colocação de piçarro nos lugares onde a areia era mais frouxa e dificultava a passagem dos carros.

Contam os mais velhos, que em Goianinha, gostava de criar pássaros engaiolados. Certa vez, um desavisado gado de rua, resolveu transformar em refeição, um belo canário da terra, que era seu favorito. Depois de quebrar os ponteiros da gaiola feita com a resistente “barba de bode”, o felino comeu o canário, xodó do velho Joquinha. O pássaro, além de excelente cantador, também era um brigador feroz, quando disputava uma fêmea nas rinhas improvisadas à sombra dos “fícus benjamin”, que ornamentavam as ruas de Goianinha dos anos 50 e 60, ou da velha mangubeiras ao lado da igreja.
Inconformado com a perda do seu canário resolveu se vingar. Preparou uma arapuca para o felino que retornou no dia seguinte, na esperança de conseguir mais uma fácil refeição. Depois de aprisionado, o genioso Joquinha pegou o pobre animal pela cabeça e sem nenhuma piedade, ralou nas pedras da calçada, o focinho do infeliz, enquanto repetia... Nunca mais você vai comer passarinho de ninguém! Em seguida, soltou o pobre animal que nunca mais apareceu nas redondezas.

Fazia questão de exaltar sua condição de ateu mas nunca recusou o apadrinhamento de um pagão. Em 1969, encontrava-se hospedado, no Hospital da Polícia, tratando de um câncer de intestino. Certo dia foi avisado que já se encontrava naquele hospital, o então governador do Estado Monsenhor Walfredo Gurgel, muito seu amigo, que sabendo de sua enfermidade, tinha vindo lhe fazer uma visita. Nesse dia ele estava passando por uma crise terrível com dores insuportáveis. Mesmo assim, não teve dúvidas quando sua sobrinha Zilda Simonetti aparece na porta do quarto muito nervosa e com olhos muito arregalados lhe informa: tio Joquinha, o Governador veio lhe visitar! . . . E ele, em baixo de todo aquele sofrimento sentencia: diga a ele que se vier como amigo ou político, permito a visita. Mas, se vier como PADRE, dê meia volta e vá embora.

Assim era tio Joquinha, não mudou de opinião nem na hora da morte. Expressou sua última vontade com o seguinte pedido: nasci só e passei toda minha vida só. Portanto não quero companhia depois de morto. Quando eu morrer, mande lacrar meu tumulo para que nele, ninguém mais seja enterrado. E seu desejo foi cumprido à risca.

Pipa, janeiro de 2010.

sábado, 23 de janeiro de 2010

ACTAS DIURNAS

Oi Ormuz gosto imensamente de receber as famosas actas, lia e relia constantemente lá na casa de minha avo, o "livro das velhas figuras" de Cascudo, creio ser bastante parecido. Será que as atas são compilações do referido livro? Pergunto, pois parou-me a duvida. Finalmente, mas não menos importante gostaria de saber se existe alguma ligação entre o Fagundes de Bartolomeu Fagundes e o Cabral Fagundes de Goianinha? Haja vista que Vila Flor faz divisa com Goianinha, sendo sua distancia deveras pequena. Desde já agradeço a gentileza do envio dos e-mails,como também, gostaria de obter as respostas das possíveis elucidações!
Abraço.

Gustavo Gadelha
Natal-RN

ACTAS DIURNAS

Só assim nós tomamos conhecimento de vários fatos históricos da nossa terra e do nosso povo.

Carlos Cabral
Natal RN

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ACTAS DIURNAS

Caros amigos: Os leitores que por ventura estejam interessados em receber, via e-mail, semanalmente, as ACTAS DIURNAS escritas pelo mestre Câmara Cascudo e publicadas entre as décadas de 30 e início dos anos 60, enviar correspondência para www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br. Estas pulicações foram reunidas em 10 volumes intitulados "Livro das Velhas Figuras" e estão a disposição para consulta no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte-IHGRN.
Abraço a todos
Ormuz B. Simonetti

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Ormuz, que história maravilhosa!
Só senti falta de fotos, das imagens e do pedestal.
Mas adorei essa história!

Clotilde Tavares
Natal-RN

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

muito bonita a história de fé e perseverança na fixação da imagem do padroeiro de Pipa. Gostei de conhecer.

Fátima Farias

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Meu caro primo, Ormuz
Parabenizo pelo texto...entusiasmo...sensibilidade, e, pelo compromisso que nasce no teu interior, de poder contar e cantar a "PRAIA DA PIPA, " as verdades de uma história, que nem mesmo o tempo não apaga.
meu abraço
Alfredo Fagundes
João Pessoa PB

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG,membro do IHGRN e UBE-RN)www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br

Publicada em “O JORNAL DE HOJE” edição do dia 15 de janeiro de 2010.

São Sebastião, o padroeiro da Pipa.

Ninguém sabe dizer em que década a comunidade adotou São Sebastião como seu padroeiro. Na época que existia a primeira igreja, ou igreja velha, localizada aonde é hoje a casa de tio Venício, tinha na frente um frondoso pé de fruta pão onde se realizava a festa do padroeiro. Essa data era comemorada no dia 6 de janeiro, dia de Reis. Por falta de manutenção, com o tempo a igreja velha caiu e a Pipa ficou alguns anos sem igreja. Os santos foram transferidos pra casa de Vicência Torres, mais conhecida por Totores, aonde se chegou a rezar missas e realizar batizados. Por volta do ano de 1952 teve início a construção da igreja nova, concluída três anos depois. A demora deveu-se aos parcos recursos daquela comunidade pobre, porém de pessoas determinadas.

As pedras utilizadas nos alicerces foram trazidas da distante praia das Cancelas, localizada ao Sul da Pipa. As pessoas se organizavam em mutirões noturnos e aproveitando as noites de lua clara, seguiam em grandes romarias para realizar a penosa tarefa. Para aliviar a caminhada, as mulheres entoavam hinos em louvou ao santo padroeiro. As mães e seus filhos menores traziam em suas mãos as pedras de menor tamanho; enquanto que os homens, utilizando rodilhas de pano, conduziam em seus ombros e cabeças, as de tamanho maior e conseqüentemente mais pesadas. Os tijolos, comprados em Goianinha, como não existia estrada, foram trazidos aos poucos, em lombo de animais acomodados em caixões ou caçuás. O dinheiro para o pagamento dos pedreiros e para adquirir outros materiais necessários, era conseguido, as duras penas, de porta em porta, com doações feitas pelos moradores. Aqueles mais afortunados doavam mais, enquanto os que pouco possuíam colaboravam com a força de seus braços, contanto que de alguma forma, contribuíssem para a construção do templo sagrado.

O local escolhido foi um sítio de coqueiros, dizem que foram plantados décadas atrás pelo Velho Castelo. Para a edificação do templo, quase todos os coqueiros tiveram que ser derrubados. Três anos após o início da construção e de muito sacrifício comunitário, a nova igreja finalmente foi inaugurada no dia 20 de janeiro de 1955, com missa rezada pelo padre Severino Bezerra, então pároco de Goianinha. A partir desse dia, a comunidade passou a comemorar todo dia 20 de janeiro, o dia do Santo Padroeiro com as festividades em sua homenagem.

Na atual igreja, ainda existe a primeira imagem de São Sebastião, não medindo mais que 15 cm, que era venerada pelos fiéis, desde o tempo da igreja velha, na época construída de taipa e coberta com palhas de coqueiro. Durante as procissões, como não havia andor, a imagem era conduzida nas mãos ou nos ombros dos fiéis. Por ser muito pequena, foi essa a maneira encontrada para que, durante o percurso da procissão, todos pudessem apreciá-la.

Em 1952, o poeta Antonio Pequeno pediu, em nome dos nativos, a Aguinaldo Simonetti, que fizesse doação de uma imagem do padroeiro em tamanho maior, que seria melhor apreciada, tanto no seu nicho, como por ocasião das procissões. Cumprindo o prometido, no ano seguinte, chega a cidade de Goianinha vinda diretamente do Rio de Janeiro, uma imagem do santo feita em bronze, com média de 50 cm de altura, e pesando uns 25 kg. No dia que chegou a Goianinha trazida pelo próprio Aguinaldo, por coincidência, Antonio Pequeno se encontrava em Goianinha, pois era dia de feira. Muito emocionado e agradecido pelo presente, ele enviou mais que depressa um portador à Pipa, para comunicar a boa nova e preparar a comunidade para a chegada da imagem, prometido para a boquinha da noite.

O próprio Antonio Pequeno se encarregou do traslado da imagem para a praia da Pipa. Chegando no horário previsto, a comunidade recebeu a nova imagem com festa e admiração, principalmente pela sua imponência e riqueza de detalhes. Por ter sido confeccionada em bronze, material desconhecido pela população, por ser amarela, alguns achavam que era feita de ouro.
Naquele mesmo ano, no dia 19 de janeiro, a imagem seguiu em procissão, carregada nos ombros dos fiéis, como era tradição, que ostentavam orgulhosos aquele presente vindo de terras distantes. Cada homem a conduzia por um determinado tempo devido ao seu peso, mas também pelo orgulho e a oportunidade de tal honraria. Após algumas procissões a comunidade solicitou ao mesmo doador que lhes trouxesse uma imagem menor pesada, de maneira que os fiéis pudessem, sem grandes sacrifícios, conduzi-la da forma tradicional, ou seja, nos ombros durante todo o percurso. Novamente atendida em seu pleito, a comunidade foi contemplada com uma nova imagem feita de gesso.

Depois de algumas reuniões, os fiéis resolveram colocar a imagem de bronze em um pedestal construído a mando do próprio Aguinaldo, em cima de uma pedra, na beira-mar, próximo ao porto dos barcos. Desde então ficou conhecido como São Sebastião da Pedra.
Os primeiros pedestais foram feito com pedras de recifes do coral, abundantes no local. Com o tempo e a força das ondas que neles batiam, durante as marés de enchente, terminavam por derrubá-los depois algum tempo.

Ao longo de todos esses anos, outros pedestais foram construídos e tiveram o mesmo destino. Quando acontecem às marés de cavação, ainda podemos ver pedaços de alguns deles, em volta da pedra principal. O último, construído de maneira tradicional, foi erguido em 1980 por Telis Simonetti, em pagamento a uma promessa. Resistiu mais tempo ao impacto das ondas por ter utilizado em sua construção a técnica do concreto armado. Mesmo assim, em abril de 2003, durante uma violenta maré esse pedestal também sucumbiu às forças da natureza. Desta vez, com maior gravidade, pois com sua queda a imagem presa a ele foi bastante danificada.

Surgia nessa ocasião à oportunidade que eu esperava para, a exemplo do meu sobrinho, também pagar uma promessa que havia feito em 2001. Prometi erguer naquele local um pedestal que não mais fosse derrubado pelas ondas, e a partir daquela data, seria minha a responsabilidade da manutenção daquele monumento. E assim foi feito.
No dia 16 de junho de 2003, chega à Pipa, depois de passar por uma minuciosa restauração em Natal, a imagem do santo padroeiro. A torre, feita em aço inox e imitando uma bóia náutica para que não oferecesse resistência às grades marés, já estava bem fixada na pedra aguardando à hora de receber a imagem. A mesma chegou à Pipa, em uma manhã ensolarada, trazida por mim e minha família em uma alegre carreata desde a cidade de Natal.
A primeira parada foi na casa de Joaninha de Zé de Hemetério, onde uma multidão se “acotovelavam” desde cedo curiosa para ver o resultado da restauração e ansiosa para aclamar o seu padroeiro. E não foram decepcionados. Entre cantos de louvor e ladainhas, o Padroeiro foi conduzido em procissão, pelas principais ruas da praia até a igreja onde o monsenhor Armando, pároco de Goianinha, abençôo a imagem em missa bastante concorrida.

À tardinha, com a maré baixa, seguiu em procissão até a pedra, onde foi novamente entronizado, olhando para o nascente e abençoa toda a nossa comunidade e seus visitantes.

Pipa, 10 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS

Caro Ormuz, Saudações!


Nos meus raros momentos de folga sempre procuro, via internet, notícias da nossa família, o que, na verdade, são muitos restritos. Te confesso que só agora descobri o teu blog. Lembro-me que minha filha mais jovem havia me comentado, uma certa época, que tinha tido contato contigo, acredito que tenha sido quando estavas encerrando o teu livro. Mas, caro Ormuz, que maravilha as tuas crônicas sobre bons momentos vividos na saudosa história da “Praia da Pipa dos Meus Avós”. Mesmo vindo de uma família muito humilde, sem possuir casa de veraneio na praia da Pipa, pude viver muitas das histórias que contas nas tuas crônicas.

Órfão de pai desde os meus três meses de idade, nasci e vivi durante 25 anos na minha querida Goianinha. De vez em quando imagens se formam na minha mente me fazendo recordar bons momentos vividos na minha terrinha. Recordo-me que ainda criança, aos domingos quando vinha para a igreja com minha mãe, ao virar a esquina da mercearia do saudoso Raimundo de Morais, já visualizava a rua principal de Goianinha, com toda a família Barbalho, Grilo e Simonetti, sentados em cadeiras colocadas na calçada das suas casas.

Lembro-me muito bem que minha mãe me obrigava a cumprimentar um por um, parecia até uma “via-sacra”. Iniciava na casa da saudosa Maria Braga, Silvério..., terminando nas casas de Tio Aristides e Luis Carvalho. Hoje ao retornar a minha terra sinto um aperto no peito ao visualizar a triste mudança que o tempo e o progresso me proporcionou. A “velha guarda” destas famílias já não mais estão entre nós; a tímida Goianinha parece que quer ser cidade grande; a comunhão que havia entre as famílias está comprometida; nossos filhos estão se tornando adultos precocemente; enfim, hoje só restam lembranças de bons momentos vividos e muitas saudades desses nossos parentes que já partiram. Mas, felizmente ainda existe pessoas como você que, com muita propriedade, carinho e satisfação, através das suas crônicas, resgata a memória dessas pessoas que o tempo fatalmente iria apagar.

Ormuz, de coração te parabenizo e te louvo pela tua feliz iniciativa, pois tudo que escreves são histórias que também fomos protagonistas. Ah, e a Pipa? Você cita bem quando refere como a “A Praia da Pipa dos Meus Avós”. Descrever a Pipa dos velhos tempos só quem realmente esteve presente para testemunhar. Quando criança eu aguardava ansioso, nos finais do mês de dezembro, a chegada da saudosa Tia Jacira (Dadá) e da Marizinha, vindas de São Paulo diretamente para o veraneio na Pipa. Elas se juntavam aos Tios Alfredo e Valdira e se hospedavam na casa de Dante e Azelma. Algumas vezes eu ia junto. Inclusive foi o Dante que me presenteou com o meu anel de formatura.
Quando adulto jovem, em vista da minha grande amizade com Beto e Bartô, a casa que me abrigava era a casa de Evilásio e Dina, os quais sempre me trataram como uma pessoa de casa; lembro-me deles com saudades e gratidão.

Mas, a casa que mais estive presente durante os veraneios na Praia da Pipa foi a casa de Paulo e Júlia. Paulo foi aquele que sempre imortalizou a família Barbalho. Este querido e inesquecível primo/amigo fazia questão de me apresentar para todos que frequentasse a sua casa; ele praticamente “descrevia” toda a minha árvore genealógica. Quando visitava Goianinha a Fazenda Benfica era parada obrigatória. No período de veraneio da Pipa ele sempre enviava um veículo à casa da minha mãe para me buscar para “veranear” na Pipa. Enfim, caro Ormuz, tudo que você descreve nas suas escritas eu também tive a oportunidade de me deleitar. As serestas à beira-mar... A hospitalidade dos parentes... O banho no rio Galhardo... O caminhão do Rui. Tudo isto hoje ficou só na lembrança... Lembrança esta que ficou na história dessas famílias e que você sabiamente, com saudosismo e muita emoção descreve nas memórias da “PRAIA DA PIPA DOS MEUS AVÓS”.

Meus Parabéns
Gilson Carvalho Barbalho
Maringá - Pr

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ACTAS DIURNAS

Caro Ormuz :

Sua iniciativa é das mais louváveis porque, se formos esperar que o IHGRGN publique todas as "Actas Diurnas" nos "Livros da Velhas Figuras", é provável que não cheguemos vivos para ver os últimos volumes. Aparentemente o problema do IHGRGN é falta de
dinheiro e também um pouco de falta de iniciativa.

Se Enélio distribuisse entre os sócios do IHGRGN e do Instituto de Genealogia, recém-formado, uma subscrição para lançar mais um volume do "Livro das Velhas Figuras", de modo que, quem pagar o
preço de um livro (uns 30 ou 40 reais) e mais o correio, no caso de sócios fora de Natal, receberia seu exemplar ( ou mais de um, se quisesse pagar mais) no dia do lançamento, e garantiria o dinheiro
para a publicação.

Pergunte ao nosso caríssimo Diógenes se pode haver direitos autorais sobre artigos de jornais escritos há mais de 50 anos ( isto significa até 1960 ), tanto para os jornais como para os descendentes de Cascudo. Creio que a resposta será negativa.

O IHGRGN tem a coleção dos jornais em que Cascudo escrevia suas atas. A primeira tarefa, simples, seria listar as Actas já publicadas nos
"Livros da Velhas Figuras". A segunda, mais trabalhosa, seria pesquisar em "A República" ou no "Diário de Natal" as Actas não publicadas e copiá-las.

Porque há mais interesse nas não publicadas do que nas que foram
republicadas.

Um abraço
Carlos Alberto Dantas Moura
Rio de Janeiro RJ