sábado, 27 de dezembro de 2014

NEM LAMPIÃO


Publicado em O JORNAL DE HOJE na coluna Cena Urbana - Jornalista Vicente Serejo




   O que seria mais estapafúrdio para o bravo povo mossoroense se lá chegasse um governador e, de repente, profanasse a catedral de S. Luzia, implodisse o monumento de bronze a Dix-Sept Rosado, degolasse a estátua de Dorian Jorge Freire, ferisse a memória de Jaime Hipólito, duas de suas maiores inteligências, e desrespeitasse o túmulo de Vingt Rosado, no chão sagrado da sua Escola Superior de Agricultura que construiu com as próprias mãos? Certamente, e com razão, seria morto e esconjurado.

            Pois é como se fosse assim, uma estupidez sem limite e intolerável, a decisão da governadora de Mossoró ao fechar a Escola Estadual Manoel Dantas, ali na esquina da Rua Alberto Maranhão com a Av. Prudente de Morais. Pior: a escola foi despejada com aviso ilegal e desrespeitoso que de forma acintosa, ontem de manhã, deu o prazo de cinco dias para ser instalada uma repartição policial numa aula de horror, afinal só um governo celerado tem a coragem de fechar uma escola sem justificativas. 

            A governadora de Mossoró não conhece a nossa história. Não sabe que aquele terreno um dia foi doado para ser a Escola Manoel Dantas, um dos maiores nomes da histórica política e intelectual do Rio Grande do Norte, profeta da cidade, um dos patronos da Academia Norte-Riograndense de Letras e do Instituto Histórico, nome de rua, pioneiro no estudo da história do Rio Grande do Norte e seus municípios, um homem além do seu tempo a registrar a vida e a evolução urbana da sua cidade Natal.

            O governo de Mossoró primeiro tentou vender o Juvenal Lamartine, como se fosse dono do seu destino e de um patrimônio público. Depois, achou pouco, e decidiu que podia vender o Aero Clube e seu chão histórico. Agora, ao apagar dos últimos dias para encerrar o mandato, escolhe um triste fim despejando a Escola Manoel Dantas, depois de abandoná-la por quatro anos. E tudo diante do silêncio das instituições culturais e seus antolhos, apesar de todos os avisos e alertas, inclusive desta coluna.

            E o que diz o famigerado aviso? Simplesmente que a diretora da Escola, sem citar nome, deve seguir ‘os trâmites a fim de garantir a desocupação’ do prédio onde funciona a Escola Estadual Manoel Dantas, localizada nesta capital. E continua: ‘A data agendada é 15 de dezembro’. E ainda acrescenta no seu acinte que deve ser ‘providenciado’ a lista contendo todos os seus equipamentos. E mais uma vez sem citar quem decidiu e quem ordena o abuso, pede as chaves para entregá-las ‘aos cessionários’.

O mais estranho vem agora: quem assina não é a governadora Rosalba Ciarlini ou a secretária da educação, professora Betânia Ramalho. Nem mesmo a chefe de gabinete, Yraguacy Araújo Almeida de Souza. É Maria José Azevedo Abrantes, a quem foi destinada a terrível missão de por sua assinatura no aviso fúnebre que fecha uma escola e desrespeita a memória do grande Manoel Dantas. Nunca um governo foi tão desastroso com nossa história. Quem teria coragem de tanta estupidez? Nem Lampião.


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