quinta-feira, 10 de maio de 2012
Valério Mesquita - Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte
Ormuz Simonetti - Presidente do Instituto Norte Rio-grandense de Genealogia - INRG
Laércio Segundo de Oliveira - Diretor Geral do T.C.E.
Visita de cortesia ao Presidente do T.C.E. em nome do Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Dr. JURANDYR NAVARRO DA COSTA.
sábado, 5 de maio de 2012
OS JOGOS DE CARTAS - Coisas daquele tempo
Nas longas noites dos meses de janeiro, sempre estávamos descobrindo coisas para matar o tempo. Vez por outra organizávamos um jogo de cartas no alpendre da casa de alguém. Esses carteados eram bastante concorridos, pois o número de “perus” era bem maior que o de jogadores. Um dos jogos mais comuns entre nós eram o pif-paf e o poker, efêmeros, deixavam os que jogavam muito excitados.
A peruada sempre ficava de prontidão para sacanear os que perdiam. Os jogadores preocupavam-se por estar arriscando algum dinheiro e principalmente por temerem a gozação, caso alisasse e perdesse todo o dinheiro – o que sempre acontecia com alguém.
No caso dos perus, durante as partidas ficavam de boca calada, sob pena de serem escorraçados do local ou até mesmo levar umas “bolachas” do perdedor inconformado.
O jogo dos adultos, que sempre acontecia na casa de tio Aguinaldo, também era muito movimentado. O tio tinha por característica falar muito alto e querer ter razão
Tinha ido a convite do meu pai, Arnaldo Simonetti (então sogro de seu filho Valério Marinho), passar um fim de semana na longínqua Praia da Pipa daqueles anos 70.
Do saudoso Djalma contam a seguinte história: quando retornava para sua querida Natal, nos intervalos de suas atividades em Brasília, onde exercia o mandato de deputado federal, gostava de uma partidinha de pif-paf no Natal Clube, ponto de encontro de políticos da época. Aproveito o ensejo para lembrar alguns dos seus amigos, frequentadores assíduos daquela casa, que lá compareciam para jogar um carteado e também “traçar os destinos do nosso Estado”. O anfitrião era João Medeiros, proprietário do local. Frequentavam também, Leonel Mesquita, o major Theodorico Bezerra, Luiz de Barros, Jessé Pinto Freire, João Aureliano (Coleguinha), Jarbas Bezerra, Roberto Freira, Sandoval Capistrano, Romildo Gurgel, Joca Melo e tantos outros. Além de se divertir no jogo, tinha a oportunidade de encontrar com amigos e correligionários.
Certa vez, em um desses carteados, em que sempre rolava muito dinheiro, lá estava um costumado “peru”, do tipo extremamente nervoso. De pé, por trás da cadeira de Djalma, estava pondo à prova uma das principais características do velho parlamentar: a paciência. O jogo, embora entre amigos, era disputado sempre com gordas quantias de dinheiro. O “peru”, estrategicamente sentado por trás de sua cadeira, cada vez mais demonstrava toda sua inquietação e descontrole com o desenrolar das partidas, principalmente quando as apostas subiam e a mesa ficava repleta com fichas de alto valor. O experiente Djalma, querendo se livrar daquele incômodo encosto preparou-lhe uma surpresa. Lá pelo meio de uma disputada partida, estava armado, ou seja, com dois jogos feitos e o terceiro faltando apenas uma carta para bater. Naquela ocasião, estava em jogo uma grande quantidade de dinheiro. As fichas se multiplicavam em cima da mesa e o “peru”, por conhecer o jogo de Djalma, suava
Houve época em que o jogo mais comum entre nós era o king. Esse jogo nos foi ensinado pelo saudoso João Primênio Simonetti, também mestre nas cartas e frequentador do Natal Clube. Às vezes reunia os sobrinhos em sua casa para se divertir jogando o king ou mesmo um pif- paf.
Davi Simonetti ficou de tal maneira viciado nesse jogo que, quando não arranjava parceiros, dispunha-se a fazer alguns agrados aos que concordassem em participar do jogo. Embora não fumasse, oferecia cigarros de graça para os que fumavam e até emprestava dinheiro aos que não tinham na ocasião, contanto que formasse uma mesa com os quatro participantes. Graças a Deus, esse “vício” ficou adormecido na Pipa daquela época.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
I.H.G.R.N. - C.O.M.P.L.A.N
REUNIÃO DA COMPLAN NO AUDITÓRIO DA SEMURB
- Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte -IHGRN, tem novo Conselheiro junto ao COMPLAN - Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente de Natal.
- Trata-se do sócio efetivo ORMUZ BARBALHO SIMONETTI que substituiu o também sócio efetivo GUTEMBERG COSTA.
- Na reunião de hoje, dia 3 de maio de 2011, ocorrida no auditório da SEMURB, o Engenheiro Charles Maia, fez palestra a respeito do andamento das obras do Estádio Arena das Dunas.
terça-feira, 1 de maio de 2012
PALESTRA NA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO-

O filósofo italiano Norberto Bobbio refere-se à Genealogia com a seguinte citação: “Se o mundo do futuro se abre para a imaginação, mas não nos pertence mais, o mundo do passado é aquele no qual, recorrendo a nossas lembranças, podemos buscar refúgio dentro de nós mesmo. Cada um olha o passado à sua maneira. Uns com nostalgia, outros, com a certeza de que nele se encontra fonte de conhecimento e de meio de passagem de testemunho, da herança cultural de um povo e, na generalidade, de toda a Humanidade”.
Então, na noite do dia 17 de setembro de 2009, na sede da Academia Norte Rio-grandense de Letras, em Assembleia aberta pelo seu presidente – acadêmico Diógenes da Cunha Lima, que em seguida nos passou o comando dos trabalhos, foi criado o Instituto Norte Rio-grandense de Genealogia. Naquela ocasião, estavam presentes 40 personalidades do meio literário e cultural do nosso Estado, que, em apoio a nossa causa, passaram a fazer parte como sócios fundadores da novel instituição.
Obrigado a todos.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O BARLEAUS ESTÁ DE VOLTA
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
PIPA, TERRA DE NINGUÉM – Parte II
Uma noite tranquila é direito de todos
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada”.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
PIPA, TERRA DE NINGUÉM – Parte I
Uma noite tranquila é direito de todos
terça-feira, 3 de abril de 2012
CENAS URBANAS - Crianças Invisíveis
sexta-feira, 16 de março de 2012
ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA . . .
sentado em um tronco de coqueiro, observava toda aquela movimentação. Pitando um cigarro de fumo de rolo, consertava sua rede de pesca. Suas mãos enrugadas trabalhavam com impressionante agilidade, enquanto seus olhos permaneciam fixos na embarcação encalhada. Em dado momento, comentou com um companheiro: “sei como desencalhar aquele navio”. A notícia chegou aos ouvidos do comandante da operação que, apesar de incrédulo, mandou chamar o “velho lobo do mar” para ouvir suas explicações. Este, numa simplicidade quase ingênua, disse: “Doutor, comece a esvaziar os tanques lastros – compartimentos especiais dos navios que se enchem de água para lastrear a embarcação quando sua carga é muito leve –, que quando a maré tiver na preamar, os rebocadores conseguem puxar o navio”. Na madrugada daquele mesmo dia, o navio foi desencalhado sem maiores problemas. Portanto, na maioria das vezes, as soluções estão nas coisas mais simples e baratas. Basta ouvir um pouco a população e tirar proveito de suas experiências.
Natal, março de 2012.
quinta-feira, 1 de março de 2012
CARTA AO AMIGO – NOTÍCIAS DA PIPA (Segunda parte)
Praia da Pipa - RN
Cheguei a Praia da Pipa, no dia 1 de janeiro, para iniciar o meu sexagésimo primeiro veraneio. Alguns veranistas aqui já se encontravam, pois vieram passar a virada do ano. Todos os finais de ano, jovens de vários Estados da federação e também de outros países, aqui aportam para passar o réveillon, o que transforma a praia num verdadeiro formigueiro humano. Quando os últimos minutos em que o ano velho agoniza, milhares de pessoas acorrem à beira da praia, para ver o espetáculo da queima de fogos. Essa grande concentração humana cria uma visão telúrica quando é iluminada pelo lume vindo dos fogos de artifício, disparados de cima do Morro de Vicência Castelo, ao tempo em que cria uma visão de rara beleza cênica.
Quando retornava da caminhada comecei a avaliar o que havia sido o meu veraneio até aquele dia. Nesses últimos 24 dias, consegui ler dois livros: um romance e outro de memórias. Fiz também inúmeras fotos de diversos locais da praia, destinadas à ilustração do livro sobre a Pipa.
Quando passava pela Praia do Porto, já alcançando as primeiras casas da Praia do Centro, observei a casa do saudoso Maurínio Sena. Depois que ele nos deixou, pouca coisa foi feita naquele velho casarão de tantas lembranças, e que na década de 70 pertenceu ao mestre carpina Francisquinho.
Casa de Maurínio Sena
Continuei minha caminhada e, em frente à Pedra do Santo, como a maré estava bem seca, pouca água havia em seu redor. Ao me aproximar, pude verificar restos de antigos pedestais tombados em épocas passadas e que repousavam submersos nas águas que, de tão transparentes, possibilitava vê-los em detalhes. Esses pedestais abrigavam no seu cimo a imagem de São Sebastião, que é padroeiro do Rio de Janeiro, sua cidade, e também de nossa pequena comunidade. Foram derrubados pelas violentas marés de janeiro. Sempre que ocorre a queda desses pedestais, outro é erguido em seu lugar e a imagem do Santo padroeiro retorna impávido ao seu lugar de origem. Em 2004, pagando promessa, tive a oportunidade de erguer um desses pedestais. Este se manteve até o ano passado.

Restos da casa de Odilon Barbalho
Desse mesmo local, olhando no sentido das casas, a imaginação me levou aos anos passados de minha infância. Pude ”ver”, com os olhos da memória, a casa de meu avô Odilon Barbalho, tal qual era naquela época. Restos da velha construção ainda permaneciam espalhados e meio encobertos pela areia da praia, dando testemunho de que um dia, naquele local, existiu uma das casas mais alegres que conheci. No alpendre apoiado por esteios de pau ferro, as redes armadas balançavam ao sabor do vento. Lá estavam algumas peças de roupa estendidas que tremulavam sem parar, presas em uma corda de agave (sisal) que traspassava de um esteio a outro. Quase cheguei a “ouvir” pessoas conversando alegremente naquele alpendre dos meus devaneios.
Pousada localizada no antigo quintal da casa de Odilon Barbalho
Segui em frente. Observei casas de antigos veranistas, hoje transformadas em
restaurantes e hotéis. Esqueci um pouco o passado e cheguei à casa do meu irmão Dante Simonetti. Como de costume, subi até seu alpendre e aceitei, de bom grado, uma cerveja bem gelada, gentilmente oferecida por sua esposa e minha prima, Azelma Barbalho.
Antiga casa de Célio Carvalho
Do seu alpendre, pude ver algumas casas de finados veranistas, atualmente ocupadas por seus descendentes, o que antigamente, em nossa família, era um processo natural – de pai para filhos. Porém, hoje, são exceções. Eles apenas têm conseguido, até então, resistir às ofertas tentadoras trazidas pela especulação imobiliária dos últimos tempos.
Antiga casa de Hilton Lisboa
Antiga casa de Felipe Ferreira
Atual casa de Dante Simonetti
Vi, também, quase escondida por entre tambores de lixo e grades de bebidas colocadas indevidamente no passeio público, a casa de minha querida e saudosa mãe. Gosto de passar em frente. Uma mistura de saudade e melancolia se apodera da minh’alma de maneira avassaladora e as lembranças me remetem aos dias em que conversávamos naquele alpendre ou, simplesmente, fazíamos companhia um ao outro.
Sempre me vem à mente sua imagem: deitada em uma rede feita do mais puro algodão do Seridó, estrategicamente armada ao lado Sul do alpendre, de onde o vento sudoeste sopra com mais intensidade nas manhãs abafadas de janeiro. De lá, ela podia, sem maior esforço, solicitar da barraca em frente os petiscos de que mais gostava: camarão no alho e óleo, tainha à milanesa ou uma boa posta de cavala bem acebolada, tudo regado a um bom suco de caju ou, ainda, por suculentas mangabas colhidas nos tabuleiros que, bem cedinho, eram trazidos pela costumeira vendedora. Nesse local, também passava o vendedor de castanha de caju. Embora proibida de comê-las, comprava a guloseima às escondidas. Enfiava tudo no bolso do robe e, aos poucos, sem que ninguém percebesse, devorava uma a uma. Nos lábios, aquele sorriso maroto de quem está fazendo algo proibido. Quando percebíamos a travessura, fazíamos vista grossa e ela ficava toda prosa achando que havia nos enganado. Que saudade!!! Tenho certeza de que essas recordações irão me acompanhar enquanto eu viver. São boas lembranças e eu gosto de tê-las, pois me ajudam a continuar. Jamais me permitirei olvidar de tão preciosas lembranças.
Cheguei a nossa casa e tudo continuava como no dia anterior. Afinal, os veraneios, atualmente, pouco lembram os de outrora, quando somente a família Barbalho/Simonetti veraneava por aqui. O convívio familiar era muito intenso. Não se trata de egoísmo, apenas de um incontrolável saudosismo. Saudade de um tempo quando éramos felizes e sabíamos, mesmo sem que percebêssemos a verdadeira dimensão dessa felicidade. Entretanto, nem tudo está totalmente perdido: quando a noite cai e as areias são envolvidas com seu manto negro, a praia volta às origens. Livre do frenesi de turistas e vendedores ambulantes, ela mergulha no mesmo silêncio de antigamente.
Os turistas e ambulantes já se deslocaram para a “Rua de Cima” onde se concentra os bares, restaurantes e boates. É esse momento sublime que eu gosto de apreciar. Da minha varanda contemplo a velha Pipa por inteiro entregue a exuberância da natureza, iluminada por estrelas ou pelo clarão das noites de lua cheia, quando esta se ergue por trás do morro Vicência Castelo.
Casa de Ormuz Simonetti
O silêncio nos permite escutar o murmúrio das ondas, o som característico do balançar das palhas dos coqueiros açoitadas pelo vento e a inevitável lembrança de velhas canções cantadas em serenatas.
Pois é caro amigo, a nossa praia mudou. O progresso trouxe melhorias, principalmente para os nativos, entretanto é enorme o preço pago pela comunidade. Todavia, suas belezas naturais continuam irretocáveis, principalmente para quem a olha com os olhos de antigamente.
Aqui me despeço, desejando-lhe saúde, ao tempo que renovo o convite para novamente nos visitar. Peço desculpa pelo relato um tanto saudosista, mas espero que tenha estimulado sua curiosidade. Até outra oportunidade ou quando a saudade me lavar a essa bela cidade, onde passei bons anos de minha vida.
Pipa, 26 de janeiro de 2012.







